Com foco em D&I, Hilda chega ao mercado de animação
Com equipe majoritariamente formada por mulheres e profissionais LGBTQIAPN+ e de diversas origens étnicas, produtora também explorará área de editoria de livros

Produtora focada em diversidade e inclusão tem objetivo de capacitar e formar pessoas (Crédito: Divulgação)
A produtora Hilda, especializada em animação digital com ênfase na diversidade e inclusão, acaba de ser lançada por Baboo Matsusaki – diretora de animação com 18 anos de experiência na área e uma indicação ao Oscar em 2016, pela animação O Menino e o Mundo, dirigida por Ale Abreu.
Com modelo de trabalho remoto, a Hilda terá sede em São Paulo e escritório na cidade de Faro, em Portugal. A equipe é majoritariamente formada por mulheres, pessoas LGBTQIAP+ e de diversas origens étnicas.
Além disso, a produtora também funcionará como editora independente de livros. “Temos projetos autorais com histórias infantis que já haviam sido pedidos para que fossem transformadas em livros. Isso demonstra um pouco da nossa vontade de lidar com tudo que é artístico”, conta.
Diversidade e projetos de inclusão nas empresas
Sobre outras empresas do segmento que também abordam diversidade e inclusão, a diretora de criação diz que fica feliz com essas formações e que não as enxerga como concorrência, mas sim como possíveis parcerias.
A nova produtora é uma sucessão da Daemon Filmes, que acabou sendo dissolvida com o falecimento de Andréa Barretto, sócia-fundadora ao lado de Baboo. “Conversando com mulheres da área, senti a necessidade de criar algo que tivesse minha visão pessoal, considerando que sou assumidamente lésbica há mais de vinte anos e que vivenciei coisas muito ruins dentro do mercado de trabalho”, comenta.
Baboo então sentiu que era a hora de criar uma produtora que levasse a inclusão sério, que não tivesse a diversidade apenas na base. A diretora afirma que é difícil ver mulheres em cargos de prestígio no universo da animação, porque ainda não há espaços que as acolham.
Trajetória da produtora
A consolidação da Hilda ocorreu em meio à pandemia, o que acabou favorecendo o trabalho pôde ser remoto. “Foi a primeira vez que pude trabalhar com profissionais do interior do Paraná e de outros lugares aos quais eu não tinha acesso, o que ampliou tanto o público que atendemos como quem trabalha conosco”, explica.
Para Baboo, ainda há dificuldade de encontrar profissionais seniores e clientes que respeitem os valores da produtora. “Temos muita dificuldade de manter profissionais de diversidade dentro da área por ser um ambiente hostil e um mercado muito elitista”, explica. “Além disso, ainda nos deparamos muito com clientes que têm um padrão de pensamento preconceituoso, que não querem, por exemplo, incluir personagens que tenham a pele negra.”
Baboo esclarece que o principal foco da produtora — que leva o nome de sua avó materna — no longo prazo, é promover formação e capacitação das pessoas, além de conseguir trabalhar com seus projetos autorais voltados para longas-metragens, séries animadas e filmes institucionais.
“Também temos interesse em consolidar parcerias com empresas que se importam genuinamente com pautas de diversidade e inclusão, pois, quanto maior a diferença, mais agregamos em contar as nossas histórias e na qualidade final do nosso trabalho.”
Entre os cases da produtora estão produções para serviços de streaming, como as séries DNA do Crime, 3 Toneladas, além do longa-metragem Um Crime Entre Nós.