Dona do Ozempic processa Eli Lilly por publicidade enganosa
Proprietária do Ozempic acusa fabricante do Mounjaro de divulgar informações falsas sobre seus medicamentes em anúncios nos EUA
Atualizada em 22/07 às 14h56*

Novo Nordisk, dona do Ozempic, acusa Eli Lilly, dona do Mounjaro, de divulgar informações falsas sobre seus medicamentes para perda de peso em anúncios (Crédito: Oleschwande/Shutterstock)
A Novo Nordisk, farmacêutica dinamarquesa dona do Ozempic e Wegovy, entrou com uma ação na ação na Justiça dos Estados Unidos contra a Eli Lilly, fabricante do Mounjaro e Zepbound, acusando-a de divulgar informações falsas sobre seus medicamentes para perda de peso em campanhas publicitárias.
Na ação, protocolada no tribunal federal de Nova Jersey nesta terça-feira, 21, a Novo Nordisk alega que a Eli Lilly usou dados desatualizados de ensaios clínicos para sustentar afirmações de que o Zepbound proporcionou uma perda de peso média maior do que o Wegovy.
A dona do Ozempic afirmou que a farmacêutica americana comparou as doses mais altas aprovadas de seus medicamentos com versões de menor dosagem do Wegovy e do Ozempic, deixando de fora estudos mais recentes e doses maiores.
Posteriormente à publicação dessa reportagem, em comunicado, a Lilly afirmou que o padrão-ouro para comparar a eficácia de medicamentos é um estudo clínico head-to-head, “robustamente desenhado e bem conduzido”, e que mantém total confiança em como a empresa está apresentando os dados resultantes deste estudo.
Na alegação, a farmacêutica dinamarquesa também ressaltou que a Eli Lilly veiculou informações falsas que seu medicamento para diabetes, Mounjaro, era mais eficaz do que o Ozempic na redução dos níveis de açúcar no sangue.
A ação ainda reforçou que os anúncios da farmacêutica americana para Zepbound e Mounjaro eram “maliciosos e falsos” e induziam as pessoas a pensaram que a Eli Lilly tinha tratamentos para diabetes e perda de peso mais eficazes do que sua concorrente.
Além da ação, a Novo Nordisk está buscando uma liminar permanente para proibir a Eli Lilly de continuar veiculando campanhas publicitárias e obrigar a farmacêutica americana a divulgar uma retratação. A alegação ainda solicita que “todos e quaisquer lucros dos réus” obtidos como resultado da publicidade sejam pagos como indenização.
A Eli Lilly ainda não apresentou sua defesa. Ao Financial Times, o diretor jurídico da Novo Nordisk, John Kuckelman, revelou que o grupo havia enviado uma carta de cessação e desistência à Eli Lilly em abril, maas que “não teve a cortesia de uma resposta”.
Apesar de a dona do Mounjaro estar liderando as vendas no mercado de perda de peso tanto em medicamentos para diabetes quanto para obesidade, a Novo Nordisk deu uma guinada nos negócios com a sua pílula para perda de peso Wegovy, lançada nos EUA em janeiro, meses antes da pilúla da Lilly ir ao mercado em abril.
Confira o posicionamento da Eli Lilly na íntegra abaixo:
“O padrão-ouro para comparar a eficácia de medicamentos é um estudo clínico head-to-head, robustamente desenhado e bem conduzido — como é o caso do SURMOUNT-5, que continua sendo o único estudo clínico randomizado e head-to-head comparando diretamente tirzepatida e semaglutida no controle de peso.
Em razão disso, a Lilly mantém total confiança em como estamos apresentando os dados resultantes deste estudo: de forma verdadeira, transparente e fundamentada na evidência científica mais direta disponível — exatamente da forma que os pacientes merecem. Continuaremos focados na ciência e defenderemos esta ação judicial com rigor.”