Gascoigne Partners chega ao Brasil
Empresa de recrutamento de talentos quer que agências do Brasil adotem serviços do gênero
A Gascoigne Partners chega ao Brasil para disputar o mercado de recrutamento de talentos de comunicação, criatividade e publicidade. “Com a nossa vinda, São Paulo passa a ter duas empresas especializadas, que somos nós e a Talent Business. Para comparar, Londres tem 200”, afirma Jo Gascoigne, CEO da empresa fundada em 2008 na Espanha e que atende globalmente clientes como Ogilvy, Grey, EuroRSCG, Publicis e Deutsche Telekom. A agência também tem operações em Barcelona, Madri (estas, as duas primeiras), Bogotá, Cidade do México, Londres e Nova York).
À frente da operação paulistana estará o alemão Joachim Jacques, que trabalhava na empresa de recrutamento Janou Pakter antes de vir para o Brasil há alguns anos. Por aqui, passou a atuar como free lancer em projetos de design.
Panelinha
A missão de se estabelecer no Brasil traz consigo alguns desafios para a Gascoigne Partners. O primeiro é justamente convencer as agências brasileiras de que elas precisam de um serviço de recrutamento ao invés das boas e velhas indicações diretas.
Não à toa, uma das expressões em português que Gascoigne já aprendeu foi “panelinha”. “Panelinhas existem em todos os países, mas elas não serão suficientes no futuro no Brasil. Primeiro porque não são um benchmark de melhores pessoas, mas sim de pessoas que você conhece”, afirma. “Londres é um exemplo de um mercado mais maduro, que tem 18 milhões de habitantes e 200 consultorias. Acreditamos que São Paulo caminha para se tornar madura a este ponto”, acrescenta.
Alguns nichos específicos, segundo ele, parecem mais propensos a aceitar o tipo de trabalho da consultoria. “Queremos profissionalizar o processo de seleção no setor digital e colocar as pessoas certas nas empresas certas e pelas razões corretas”, aposta. Outra frente são empresas novas que estão chegando ao mercado paulista e que têm uma visão diferente em relação ao recrutamento.
Mas o filão no qual Gascoigne parece apostar mais é o que deverá ser aberto a médio prazo em todas as agências que atuam no mercado. “Todos os CEOs com quem falei no mercado digital, por exemplo, estão prevendo crescimento de 10%, ou até o dobro disso. Como as agências irão encontrar pessoas suficientes para ajudar no crescimento dessas empresas?”, analisa. Ele acredita que os próximos anos trarão uma “guerra de talentos” e a consultoria poderá dar uma vantagem estratégica a seus clientes.
Da boca para fora, a história parece bonita e bem contada. O duro será convencer o mercado. Seis meses antes de lançar o escritório, Gascoigne viajou para São Paulo a fim de conhecer executivos de agências e profissionais do mercado. Aliado a conversas, ele aposta em um plano mais forte de relações públicas nos próximos meses.
Se vai dar certo ou não, só o tempo dirá. A aposta de Gascoigne é repetir o que fez no país de origem da empresa. “Tive os mesmos desafios na Espanha há dez anos (quando atuava em sua empresa anterior) e construímos um grande negócio por lá”, diz. “A rotação em agências digitais já está chegando a 25% e isso torna o setor pouco lucrativo, porque uma substituição custa de duas a três vezes mais o salário para aquele cargo. As empresas precisam contratar de maneira mais profissional e reter os talentos”, conclama.
