Novo visual: qual é a fórmula para um rebranding de sucesso?
Profissionais de agências especializadas apontam a importância de acompanhar a renovação do comportamento do público, porém, sem perder a essência das marcas

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Nos últimos dias, a Coca-Cola começou a apresentar ao público, em alguns mercados, aquilo que denominou como novo “sistema global de identidade”. Na prática, a marca, uma das mais prestigiadas do mundo, alterou a fonte e alguns ícones de sua identidade visual, a fim de transmitir ao público uma imagem mais renovada e dinâmica.
Como qualquer mudança de visual, a renovação da Coca-Cola dividiu opiniões nas redes sociais. Enquanto algumas pessoas elogiaram a nova roupagem da marca de bebidas, outros reclamaram de algumas alterações feitas pela fabricante.
Algumas comparações, inclusive, apontaram que a nova fonte utilizada pela Coca-Cola – que será aplicada gradualmente em suas embalagens e materiais de comunicação visual – seria parecida com a marca de cigarros Marlboro.
Independentemente dos impactos que causem no público, uma mudança de identidade visual nunca é um processo fácil para uma marca, uma vez que um de seus princípios é, justamente, consolidar a imagem perante os consumidores – algo que está, muitas vezes, atrelado a suas cores, fontes e estilo.
No caso de uma marca mundialmente reconhecida como a Coca-Cola, essa tarefa é ainda mais delicada, uma vez que o rebranding, geralmente, tem o objetivo de sustentar a relevância que a empresa já tem.
Nesses casos, promover um rebranding demanda um cuidado de não romper com os elementos que construíram o reconhecimento daquela marca ao longo dos anos, como aponta Mariana Caram, fundadora da agência DEA Design.
A especialista aponta que é preciso identificar quais ativos visuais e emocionais são indispensáveis ao público, desde cores, tipografia, símbolos, até o tom de comunicação e, se fizer sentido, preservá-los.
“Outro ponto essencial é que a mudança tenha um propósito claro e não seja apenas mudar porque alguém quis assim. Quando existe uma estratégia consistente por trás da nova identidade, ela deixa de ser só uma mudança estética e passa a representar uma evolução real da marca. E fazer essa transição de forma planejada também é fundamental, para que consumidores e parceiros consigam assimilar a novidade de um jeito natural, sem gerar inseguranças com relação ao que a marca entrega”, pontua a CEO da DEA Design.
Sobrevivência e relevância
Para uma marca seguir viva, saudável, sexy e conectada ao público, o rebranding pode ser um movimento interessante e, também, ser um caminho direto para a busca por sobrevivência e ainda mais relevância ao longo dos anos, na opinião de Marcio Fritzen, chief creative officer da FutureBrand.
O profissional pontual que as marcas acabam construindo códigos que, mais do que respeitados, devem ser celebrados pelas empresas em qualquer movimento de renovação de visual. Para exemplificar como as marcas podem atravessar esses momentos de forma mais segura, o criativo faz uma analogia com uma caminhada. “O ritmo da passada pode mudar; os calçados e a respiração também, mas nunca a direção. Isso é o que garante um rebranding bem-feito. O target precisa perceber que a marca está procurando evoluir e ser melhor para seguir junto. É nessa hora também que a narrativa ajuda nessa compreensão”, coloca.
O CCO da FutureBrand pontua, ainda, que não existe fórmula do sucesso para que o rebranding de uma marca seja um sucesso entre o público e que os novos elementos visuais sejam assimilados rapidamente. Porém, ele cita o que acredita que as marcas não devam fazer.
“O movimento [rebranding] precisa ser uma evolução. Não uma revolução. Às vezes, tenho a impressão de que algumas marcas, nessa guerra de atenção e retenção, querem fazer com o que cliente perceba sua mudança, alterando sua essência e perdendo suas digitais, o seu sotaque”, aponta o CCO da FutureBrand, destacando, ainda, que os planos da marca também devem ser compartilhados com os consumidores, que forem responsáveis por fazer com que aquela empresa exista.
Mariana, da DEA Design, também aponta que o principal cuidado em um movimento de rebranding está em preservar os elementos que construíram aquela marca ao longo dos anos e destaca que, como o mercado e o comportamento do consumidor evoluem constantemente, é preciso acompanhar essas transformações.
“Uma marca do tamanho e da relevância da Coca-Cola não passa por um rebranding porque perdeu força. Na verdade, faz justamente para preservar essa relevância ao longo do tempo”, destaca a executiva.
“Acredito que as marcas mais fortes são aquelas que entendem que identidade não é algo estático. Ela precisa refletir o momento do negócio, dialogar com diferentes gerações e funcionar de forma consistente em todos os pontos de contato, do digital às embalagens e aos espaços físicos”, complementa.
