Após pressão, McDonald’s fecha restaurantes na Rússia

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Após pressão, McDonald’s fecha restaurantes na Rússia

Rede de fast food fecha temporariamente os 847 restaurantes que mantém no país e reforça que não há previsão para reabertura


8 de março de 2022 - 10h58

Rede de fast food possui 847 lojas na Rússia (Crédito: Shutterstock)


Atualizada Às 18h01

Com informações do Advertising Age

Depois de ter sido pressionado a tomar uma atitude em resposta à Guerra na Rússia, o McDonald’s comunicou nesta terça-feira, 8, que fechará temporariamente todos os seus restaurantes no país. De acordo com o CEO da empresa, Chris Kempczinski, “é impossível prever” quando as lojas serão reabertas.

“Entendemos o impacto que isso terá para nossos colegas e parceiros na Rússia, e é por isso que estamos preparados para apoiar nosso tripé na Rússia e na Ucrânia. Isso inclui a manutenção dos salários para todos os funcionários do McDonald’s na Rússia”, declarou o CEO, em comunicado.

Na segunda-feira, 8, o Advertising Age havia publicado uma reportagem a respeito da crescente pressão para que a rede de fast food tomasse alguma medida em relação à sua presença em território russo. Enquanto outras multinacionais, de vários segmentos, comunicaram a interrupção das atividades no país, como resposta à invasão da Rússia em solo ucraniano, o McDonald’s, até esta terça-feira, 8, não havia se manifestado sobre uma possível retirada no País.

Investidores da companhia se mostravam preocupados com a exposição da rede de fast food em solo russo. No fim da semana passada, o chefe do fundo de pensão do estado de Nova York, escreveu cartas para várias companhias, incluindo o McDonald’s, a respeito da situação. No Twitter, os apelos para que a empresa boicote a Rússia também vinha crescendo.

O ministro das relações exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, também criticou o McDonald’s e a Coca-Cola durante uma entrevista à CNN, realizada no último dia 6. “Estamos chateados em ver que companhias como a Coca-Cola e o McDonald’s permanecem na Rússia e continuam fornecendo seus produtos. É simplesmente ir contra os princípios morais básicos continuar trabalhando e ganhando dinheiro na Rússia. Esse dinheiro está encharcado com sangue ucraniano”, declarou.

O McDonald’s 847 lojas na Rússia, sendo 84% delas operadas pela própria companhia. Na Ucrânia, todas as 108 lojas são operadas pela própria rede. Os negócios dos dois países corresponderam a cerca de 2% das vendas globais da empresa no ano passado e geraram 9% da receita total da empresa.

De acordo com especialistas, perder 9% da receita global seria um impacto sério para a companhia. Na semana passada, os líderes do McDonald’s na Ucrânia anunciaram a doação de US$ 5 milhões para a Employee Assistance Fund e declarou que apoiaria os esforços da Cruz Vermelha na região.

Ao longo dos últimos dias, várias empresas sediadas em Chicago alteraram sua operação na Rússia, enquanto outras ofereceram ajuda à Ucrânia mesmo mantendo as operações na Rússia abertas.A Mondelez, dona da Oreo, fechou sua fábrica na Ucrânia no início do mês passado, por exemplo. A companhia de entregas de comidas Grubhub parou de trabalhar com uma empresa russa que fabrica robôs de entrega que eram usados nos Estados Unidos. A Kraft Heinz, que também tem operações na Rússia, anunciou, na semana passada, que doará US% 1 milhão à Cruz Vermelha para ajudar os ucranianos.

Chris Kempczinski disse que tomou a decisão (de encerrar as operações das lojas temporariamente) após ter consultado o board da companhia na última semana. Ele destacou que as ações da empresa colocaram o bem-estar dos seus funcionários em primeiro lugar e disse que refletiu a respeito das palavras de seu antecessor, Fred Turner, ex-CEO do McDonald’s.

“Na Rússia, empregamos 62 mil pessoas que colocam sua alma e coração na marca McDonald’s para servir suas comunidades. Trabalhamos com centenas de fornecedores russos locais e parceiros que produzem a comida para nosso menu e apoiam nosso marca. E atendemos milhões de consumidores russos a cada dia, que contam com o McDonald’s.  Ao longo de mais de 30 anos de operação do McDonald’s na Rússia, nos tornamos parte essencial dos 850 bairros em que atuamos”, declarou o CEO no comunicado.

“Ao mesmo tempo, nossos valores humanos não podem ignorar o sofrimento humano desnecessário que se desenrola na Ucrânia. Anos atrás, quando confrontado com uma decisão muito difícil, Fred Turner explicou sua abordagem de um jeito simples: ‘Faça a coisa certa’. Essa filosofia é consagrada como um dos nossos cinco valores principais e há incontáveis exemplos ao longo dos anos de como o McDonald’s colocou em prática o ideal de Fred. Hoje é um desses dias”, complementou Zempczinski.

O executivo também disse que, no restante da Europa, a operação do McDonald’s estará focada em continuar fazendo o melhor possível, tanto agora quanto no futuro. “A medida em que avançamos, o McDonald’s continuará avaliando a situação e determinando se alguma medida adicional será necessária. Na atual conjuntura, é impossível prever quando estaremos aptos a reabrir nossos restaurantes na Rússia. Estamos passando por interrupções em nossa cadeia de fornecedores, junto a outros impactos operacionais. Também acompanharemos de perto as questões humanitárias”, conclui.

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