Amazon é acusada nos EUA de inflacionar preços de leilões
FTC e outros 22 estados afirmam que prática acontece desde 2019; big tech alega mal-entendido no funcionamento e precificação dos leilões
*Do Ad Age com informações da Bloomberg News
A Comissão Federal de Comércio (FTC) dos Estados Unidos e 22 estados americanos processaram a Amazon sob a alegação de que a gigante do comércio eletrônico cobrou preços excessivos de anunciantes durante anos.

De acordo com processo, preços abusivos cobrados pela Amazon afetaram 1,2 milhão de anunciantes e parceiros (Crédito: michelangeloop-stockadobe.com)
Em processo apresentado na última segunda-feira, 31, a FTC, que fiscaliza as leis antitruste e de defesa do consumidor, e os procuradores-gerais estaduais afirmam que a Amazon forneceu aos anunciantes informações inadequadas sobre os preços e termos dos anúncios patrocinados, exibidos aos usuários quando realizam buscas no marketplace da empresa.
“Durante anos, a Amazon inflacionou secretamente os preços dos leilões de três de suas ofertas de publicidade: Produtos, Marcas e Anúncios Patrocinados”, apontaram em denúncia apresentada em um tribunal federal em Seattle.
O processo alega que, desde 2019, a Amazon “cobrou valores excessivos de forma secreta e sistemática” de 1,2 milhão de seus clientes de publicidade.
Em junho, a Bloomberg já havia adiantado que tanto o órgão quanto os estados estariam investigando a Amazon pela enganação.
A investigação, que teria se intensificado no ano passado e é supervisionada pela unidade de proteção ao consumidor da agência, concentra-se, em parte, em determinar se a gigante divulgou corretamente os termos e preços relacionados aos seus anúncios. O processo pode resultar em bilhões de dólares em penalidades civis, apontou o veículo.
Em um comunicado, a Amazon afirmou que o processo se baseia em um mal-entendido sobre o funcionamento de seus leilões de publicidade e não apresenta nenhuma prova de prejuízo aos consumidores.
Os leilões de publicidade da companhia priorizam produtos relevantes para os termos de busca dos consumidores antes de considerar os valores dos lances, o que ajuda os consumidores a encontrar o que desejam e mantém os preços baixos para os anunciantes, apontou a empresa. Segundo a Amazon, o custo médio por clique (CPC) dos anúncios de busca ainda permaneceu estável mesmo ajustado pela inflação, de 2019 a 2024, enquanto o desempenho da publicidade aumentou.
Segundo o comunicado, os leilões da Amazon pouparam US$ 8 bilhões aos anunciantes durante o período de cinco anos encerrado em 2025, sem a geração de custos adicionais.
“A FTC alega que os anunciantes foram prejudicados porque não entenderam como funcionava nosso sistema de leilões e, portanto, pagaram a mais”, defendeu a companhia. “Não só descrevemos nossos preços e leilões corretamente aos anunciantes, como essa alegação demonstra uma incompreensão fundamental do comportamento dos anunciantes”.
Um representante da FTC não respondeu imediatamente ao pedido de comentário do Ad Age.
O processo representa o mais recente embate legal entre a Amazon e a FTC, que investiga diversos aspectos dos negócios da empresa desde, pelo menos, 2019.
No ano passado, a Amazon concordou em pagar US$ 2,5 bilhões para encerrar um outro processo sobre as práticas de cobrança da assinatura do seu serviço de streaming, o Prime.
Além disso, um julgamento está programado para o início do próximo ano, sobre alegações de que a big tech estaria monopolizando ilegalmente os mercados de varejo online, degradando a qualidade para os shoppers e cobrando preços abusivos dos vendedores na plataforma.
