FFU, sob novo comando, quer valorizar futebol brasileiro
Associação tem como objetivo a unificação dos clubes para formar liga que eleve o nível das negociações

A FFU investe em venda fragmentada de direitos para aumentar exposição e receita (Crédito: Pedro H. Tesch/Getty Images)
O ano passado marcou nova era para a exibição da Série A do Campeonato Brasileiro, principal competição nacional sob a chancela da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
De fato, foi a primeira vez, depois de anos, que as transmissões de jogos do torneio ocorreram de forma fragmentada.
O que antes era concentrado na Globo, única detentora dos direitos de transmissão, foi dividido.
Assim, torcedores, agora, têm que zapear entre a própria Globo e Record, na TV aberta, CazéTV, no digital, e Prime Video, no streaming, para descobrir onde seu time joga.
Essa configuração, válida até 2029 de acordo com os contratos firmados, somente foi possível graças à Lei do Mandante, aprovada em 2021.
A lei atribuia unicamente ao clube mandante o direito de arena, ou seja, sempre que o time jogar “em casa”, poderia escolher onde o jogo seria exibido.
Libra e LFU
Nesse cenário, surgiram dois blocos de negociação: a Liga Brasileira de Futebol (Libra) e a Liga Forte União (LFU).
Agora, dois anos depois, eA LFU passa por reestruturação.
Marcelo Paz, até então presidente da LFU, deixou o cargo para assumir como CEO no Corinthians.
Posteriormente, Alessandro Barcellos, presidente do Sport Club Internacional, assume a cadeira que era de Paz.
Além disso, a partir deste ano, a entidade se posiciona como associação, movimento acompanhado de rebranding, e se torna a Futebol Forte União (FFU).
“Esse é um novo capítulo nessa trajetória e reflete a evolução institucional da entidade, consolidando um posicionamento aliado a um momento de maturação do projeto, com foco na geração de valor coletivo”, explica Barcellos.
Fragmentação e faturamento
Nesse contexto, a FFU priorizou modelo de vendas de direitos fragmentados, sob a aposta na diversidade de plataformas e canais para seus jogos.
Enquanto a Libra fechou contrato exclusivo com a Globo, os times da FFU ocupam outras plataformas.
Com isso, segundo informações da FFU, houve aumento de 55% na exposição em TV.
Dados da entidade, de fato, apontam expansão de R$ 460 milhões em receita de direitos de TV, comparada à 2024.
Além disso, a FFU fechou o primeiro ciclo com faturamento de R$ 1,5 bilhão.
Até o fim dos contratos, a perspectiva é que esse valor passe a, em média, R$ 1,7 bilhão por ano.
Entre os clubes, o incremento de receita de dez dos 11 que pertencem à série A foi de R$ 100 milhões ou mais.
De acordo com Barcellos, esse não é apenas um crescimento, mas mudança de patamar. “Comprova a tese de que o futebol brasileiro vale mais quando é negociado de forma coletiva”, explica.
FFU quer valorizar a Série B
Além da profissionalização da venda dos direitos de transmissão, um dos objetivos da FFU é promover a valorização da Série B do Brasileirão.
Além da unificação entre os clubes da Série A, para que o futebol cresça e alcance outras ligas, como é o caso da Premier League (Inglaterra), Bundesliga (Alemanha) e La Liga (Espanha), é preciso olhar o campeonato com 40 clubes, diz o executivo.
Nos casos citados, o repasse para a segunda divisão tem sido em torno de 10%.
Na FFU, esse percentual é de 15%. “À medida que você vende bem, aumenta o bolo e faz com que tenhamos uma receita importante. Estamos trabalhando com todas as frentes para que a gente possa estabelecer um faturamento que possa trazer a competitividade para essa série tão importante”, afirma Barcellos.
Atualmente, a série B pode ser vista na íntegra nos canais esportivos do Grupo Disney (ESPN) e streaming (Disney +).
Ainda, algumas partidas estão disponíveis nos canais pago da Globo.
