Mídia

Protestos acusam gap entre mídia e sociedade

Pautas das manifestações nasceram na imprensa tradicional, mas parte da população não se vê representada nela

i 9 de julho de 2013 - 11h37

Os motivos da hostilidade de parte dos manifestantes contra a mídia durante os protestos recentes são, ao mesmo tempo, claros e difusos. Afinal, sempre houve quem acusasse a imprensa de parcial e mentirosa, entre outros. Por outro lado, foi o noticiário produzido por diários, telejornais e portais que amparou muitas das reinvindicações que pulsaram nos protestos. Pautas como PEC 37, corrupção, superfaturamento de obras da Copa e cura gay repercutiram intensamente graças ao trabalho da imprensa. Esse foi um argumento comum entre muitas das fontes consultadas por Meio & Mensagem (a íntegra desta matéria está publicada na edição 1567, de 8 de julho, exclusivamente para assinantes, disponível nas versões impressa e para tablets).

“As redes sociais não produzem notícia; toda essa pauta é extraída da imprensa”, diz Marcelo Rech, editor-executivo de jornais do Grupo RBS e vice-presidente do Fórum Mundial de Editores. Segundo ele, a mídia foi um elemento central para “desnudar a ineficiência do serviço público e a letargia do Congresso.”

Marcelo Coelho, colunista da Folha de S.Paulo, concorda: “Antes, toda oposição ao governo do PT era coisa de uma imprensa chamada de golpista e de tucana”, afirma. “Todas as manifestações mostraram que os pontos de crítica ao governo, como corrupção e gastos públicos, não eram necessariamente coisas apenas de uma direita tucana. Houve uma despartidarização da crítica aos erros do governo, que atingiu tanto ao PSDB quanto ao PT.” Também é essa a opinião de Daniel Slaviero, presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert): “Sobretudo TV e rádio contribuíram muito para esse processo, para que a sociedade se mobilizasse e os protestos tivessem tanto alcance.”

Quais fatores teriam determinado, então, a animosidade de parte desses manifestantes? Tanto nas passeatas em si, com agressões a profissionais e patrimônio destruído, como nas redes, com o recrudescimento das acusações? Segundo Slaviero, as críticas não tinham um foco objetivo, mas era contra o status quo em geral, especialmente contra a política e suas representações no Executivo, no Congresso e no Judiciário. Tornou-se, portanto, uma repreensão contra os canais de poder de forma geral, onde também se incluiu a mídia. “A gente entende que o movimento estava contra todas as forças estabelecidas e uma parcela se voltou contra a própria mídia brasileira, especialmente a TV, que é uma força no País”, diz o diretor da Abert.

Rech identifica ainda a ação de grupos específicos com a intensão direta de ferir a imprensa: “A extrema esquerda e alguns grupos anarquistas são bastante atuantes em diversas cidades, e muitos têm relação com movimentos internacionais da Europa, do Oriente Médio e do Occupy Wall Street. São setores que defendem uma hostilidade aberta contra a imprensa, por que os entendem como parte do stablishment, do sistema, como sustentação de um regime que ele quer derrubar”, afirma.