Como o YouTube Shopping está se consolidando no Brasil
Manuelle Pires, gerente de parcerias do YouTube Shopping no Brasil, faz balanço e descreve critérios de diferenciação da plataforma
Menos de um ano depois do lançamento oficial do YouTube Shopping no Brasil, a plataforma viu a adoção da ferramenta por 40% dos creators elegíveis, de acordo com dados compilados até maio.
O programa de afiliados do YouTube desembarcou no País em novembro de 2025, após um período de testes com criadores de conteúdo selecionados, junto ao Mercado Livre, Shopee e determinadas marcas do Magalu como parceiros. Datas comerciais como Black Friday e Dia do Consumidor, bem como a tendência das datas duplas no varejo, foram responsáveis por aquecer o mecanismo.

YouTube Shopping: plataforma constrói credibilidade com varejistas parceiras e busca oferecer as melhores condições aos criadores de conteúdo (Crédito: bongkarn – stock.adobe.com)
“Conseguimos nos aproximar dos maiores varejistas do mercado e, de fato, trazer esses criadores. Vemos como um resultado positivo de ativação de todas as etapas do funil e também de ganhos e potencial de receita para os creators na plataforma”, avalia Manuelle Pires, gerente de parcerias do YouTube Shopping no Brasil.
Em um contexto de alta oferta de canais e programas de afiliados dos próprios varejistas, a empresa aposta na credibilidade e oferta das melhores condições de monetização aos criadores de conteúdo. As parcerias com varejistas são viabilizadas após convite e processo de negociação com líderes de mercado, seja para cross category ou para marcas top of mind em suas categorias e nichos.
Para o varejo, desenha Pires, a filiação ao YouTube Shopping representa uma oportunidade de ampliação da gama de creators e público por meio de um grupo elegível. “Como a audiência confia na palavra dos creators, precisamos oferecer produtos das melhores marcas, que prezam pela assistência ao cliente e que tenham uma malha logística muito forte no Brasil”, diz.
A credibilidade enquanto canal, diante das marcas parceiras, acontece por meio da garantia de segurança e contextualização das ofertas. O YouTube mantém critérios de elegibilidade para afiliados e monitoramento de adequação aos requisitos, além de contar com uma política de tags não relacionadas para a remoção automática de conteúdo, garantindo a adequação do conteúdo para a divulgação e promoção dos produtos.
“Não queremos ser um marketplace e substituir o que o Mercado Livre, Shopee, Magalu, por exemplo, estão fazendo. Estamos entregando um lead com intenção de compra extremamente aquecido e colocando ele para realizar compras diretamente no site e aplicativo dos marketplaces. Conectamos todas as pontas do ecossistema, deixando que cada parte faça o que faz de melhor”, declara a gerente.
Do outro lado, contam com a credibilidade das varejistas para evitar, por exemplo, a venda de produtos falsos aos consumidores, o que pode pode afetar especialmente determinadas categorias, como a de beleza.
Diversidade de formatos
Em meio à alta dos vídeos curtos, os formatos mais longos mantêm a relevância, sobretudo para categorias com ticket médio mais elevado. Caso de eletrônicos, os quais usuários costumam buscar por mais resenhas e avaliações antes de concretizar a compra. Ao mesmo tempo, o varejo vem investindo também no live commerce.
“O vídeo longo permite gerar esse ambiente de segurança de confiança entre todas essas pontas do ecossistema. E, no final das contas, esses criadores acabam servindo como uma grande vitrine para as nossas marcas parceiras”, afirma Pires.
Diferente de outros países, em que os hábitos de consumo de conteúdo se concentram em smartphones e desktops, o YouTube no Brasil se destaca pela audiência em TV conectada pautada pela comunidade.
Além da vertical de reviews, outras como música e esportes se mantém aquecidas, a exemplo da Copa do Mundo, por meio da parceria que a plataforma mantém com a Live Mode e Cazé TV. “Quando olhamos para aparelhos conectados, não estamos falando de uma, mas de diversas pessoas ao mesmo tempo, assistindo juntas”, salienta Pires.
A partir dos dados, criadores de conteúdo têm direcionado estratégias para atender a uma demanda cada vez mais latente no mercado brasileiro, como a gravação de vídeos em alta resolução.
Neste sentido, a tecnologia é aliada. “Cada vez mais, os nossos times de engenharia estão olhando para como conseguem ativar melhorias de produto usando a inteligência artificial para compras através da TV e facilitar esse processo para que tenha menos etapas e cliques”, aponta a gerente.
A IA integrada ao YouTube Studio já é capaz de identificar produtos no momento exato em que o criador exibe, sugerindo itens que podem ser marcados no vídeo, por exemplo. A tecnologia também auxilia na retenção de audiência, analisando e identificando gatilhos no roteiro dos conteúdos, comparação de especificação de produtos semelhantes entre marcas e conversão de links em tags, conferindo maior fluidez à experiência do usuário.

