Folha abre processo contra a Perplexity AI
Jornal acusa a empresa norte-americana de uso indevido de conteúdo pela prática de concorrência desleal
A Folha de S. Paulo anunciou na última segunda-feira, 24, que está processando a Perplexity AI por uso indevido e não remunerado de seu conteúdo para treinar modelos de inteligência artificial (IA).

A Folha estabeleceu contato com a Perplexity AI para propor acordo de licenciamento, mas sem sucesso (Crédito: Mojahid Mottakin – stock.adobe.com/Fundo gerado com IA)
Em reportagem, Taís Gasparian, advogada do veículo, afirma que a ação está fundamentada sobre a alegação de concorrência desleal, violação de paywall e dos direitos autorais. “O enorme esforço que o bom jornalismo faz para se manter em pé é vilipendiado com o aproveitamento desautorizado de seu conteúdo, mediante o drible de regras”, diz.
A Folha identificou acessos indevidos e aponta que a plataforma tenha burlado as atuações de ordem técnica estabelecidas para impedir a ação dos chatbots.
O jornal exige uma indenização pelo uso das reportagens. O chatbot da Perplexity AI fornece aos usuários respostas com resumos e cópias de matérias jornalísticas, incluindo os protegidos por mecanismos de acesso pago.
Ainda, pede que a plataforma delete os modelos treinados a partir dos materiais e o estabelecimento de uma multa diária em caso de descumprimento de ordem para que bloqueie o conteúdo.
O processo foi aberto na Justiça de São Paulo e o juiz à frente do caso deu um prazo de 72 horas para que a companhia se manifeste sobre as acusações.
Essa não é, contudo, a primeira vez que o veículo abre um processo conta uma empresa de IA. Em agosto do ano passado, também acusou a OpenAI de concorrência desleal. À época, a Folha afirmou que o UOL era um dos principais domínios usados para treinamento do ChatGPT.
De acordo com o jornal, houve uma tentativa de estabelecer parceria com a Perplexity, a exemplo dos acordos de conteúdo recentes, com foco no licenciamento de conteúdo voltado para a IA, firmados com a própria OpenAI e o Google, mas sem sucesso.