Redes fazem campanha pró-TV digital aberta
A cinco anos do apagão do sinal analógico, setor quer esclarecer população e desfazer confusão com a TV paga
O tema TV digital aberta domina os assuntos do Congresso da SET (Sociedade de Engenharia de Televisão), que acontece dentro da feira de equipamentos Broadcasting & Cable, que vai até quinta-feira, 25, em São Paulo. O sinal analógico das redes abertas brasileiras, que desde 2007 conta com réplica no sistema digital, tem data de desligamento. É o chamado switch-off, que já ocorreu em países como EUA e Japão, e em algumas localidades da Europa. Por aqui, o apagão do sinal analógico está marcado para acontecer no segundo semestre de 2016.
Nesta terça-feira, 23, o Fórum Brasileiro de TV Digital Terrestre (Fórum SBTVD) aproveitou o evento, que ocupa um pavilhão do Centro de Exposição Imigrantes, para apresentar o lançamento da mais nova campanha da entidade – que congrega todas as partes envolvidas no sistema nacional, desde as redes aos fabricantes, passando pelos desenvolvedores de ferramentas para interatividade.
A campanha é integrada por três filmes comerciais, que explicam de forma direta ao público as vantagens do sistema, e frisam na maior parte do tempo que o sinal digital proporciona alta definição, estando disponível de forma gratuita. Para sintonizá-lo, basta conectar a TV ao conversor.
“Com o aumento significativo da venda de novos televisores digitais, é importante que as pessoas saibam que, ao comprar um novo aparelho, basta chegar em casa e conectar; tem gente pensando que precisa assinar um serviço de televisão por assinatura”, afirma Liliana Nakonechnyj, a presidente da SET, e que atua no Fórum como coordenadora do Módulo de Promoção. Liliana é também da Central Globo de Engenharia.
Roberto Franco, presidente do Fórum SBTVD e também diretor de rede do SBT, lembra que a migração dos sistemas no Brasil tem tudo para acontecer de forma plena, uma vez que tanto os conversores já estão no patamar mundial de preços, quanto os modelos de TV digital (LCD e plasma) são um sucesso no varejo.
Os números justificam: até este ano o segmento acumula vendas de 16 milhões de unidades, número estimado pela indústria para fechar em 28 milhões no próximo ano.
A campanha foi encomendada em pool pelas emissoras associadas ao Fórum e foi desenvolvida pela Light Comunicação, com produção da SPTelefilm Produções. Os filmes serão exibidos segundo planejamento das próprias redes. “Sugerimos um plano de mídia para todos os canais”, destaca Ricardo Frota, da TV Globo, também integrante do Fórum.
Abertura
Na abertura oficial do Congresso da SET e da feira da Broadcasting & Cable, na manhã da terça-feira, 23, o superintendente dos serviços de comunicação de massa da Anatel, Ara A. Minassian, destacou os avanços das redes brasileiras na cobertura do sinal digital, que já atinge 50% dos municípios – incluídas todas as capitais e também as maiores cidades. “Os números são expressivos, considerando a extensão territorial”. Ele lembrou que a Anatel, a partir da sanção do novo PLC-116, sobre TV a cabo, se debruçará sobre a regulamentação para os serviços de acesso condicionado. Para ele, TV aberta e TV por assinatura são serviços complementares.
A conselheira da Anatel, Emilia Ribeiro, foi na mesma linha, lembrando que a agência terá 180 dias para se manifestar sobre este novo regulamento.
Pela Casa Civil, o secretário André Barbosa lembrou que a lei que rege a radiodifusão brasileira é muito antiga, de 1962. Ele também levantou a questão da importância em se encontrar um caminho para o rádio digital. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, teve como seu representante Genildo Lins de Albuquerque, que salientou o grande volume de processos no momento analisados pelo Minicom – de 55 mil existentes em janeiro de 2011, restam 45 mil.
A cobertura do sinal digital das redes abertas atinge atualmente 88 milhões de habitantes no Brasil.