Opinião

O protagonismo feminino está redesenhando o digital

O debate sobre gênero no mercado não deve ser visto como disputa, e sim como construção coletiva

Sandra Rodrigues

VP Comercial do Grupo IMM 6 de março de 2026 - 13h39

Com a chegada do Dia Internacional da Mulher, decidi compartilhar uma reflexão sincera, construída a partir de experiências reais e da admiração que tenho por tantas mulheres que vêm trilhando trajetórias consistentes no universo da comunicação.

No mercado de trabalho brasileiro, as mulheres ainda enfrentam muitos desafios  e no marketing e na publicidade digital não é diferente. Embora o setor tenha passado por uma transformação significativa na forma de dialogar com o público feminino, os entraves estruturais persistem em um ambiente historicamente estereotipado e ainda marcado pela baixa presença de mulheres em posições de liderança.

Hoje, as mulheres desempenham um papel fundamental na economia digital. Elas lideram seis em cada dez negócios de e-commerce e exercem forte influência nas estratégias de marketing. Empresas lideradas por mulheres nesse ambiente frequentemente apresentam crescimento acelerado, impulsionado por modelos de gestão mais colaborativos, visão centrada no consumidor e alta capacidade de adaptação.

No marketing de influência, por exemplo, a presença feminina é dominante, cerca de 79% dos criadores de conteúdo em diferentes levantamentos são mulheres. Ao mesmo tempo, o chamado femvertising – campanhas que promovem representatividade e autoestima – ganhou força ao gerar conexões mais autênticas com o público. O meio digital ampliou oportunidades e permitiu que muitas mulheres empreendessem, contornando barreiras tradicionais de mercados mais rígidos.

Apesar desses avanços, a equidade ainda está longe de ser plena. Mulheres empreendedoras continuam ganhando, em média, cerca de 21% menos do que homens em posições equivalentes. E, embora a presença feminina venha crescendo no topo de grandes agências, ela ainda não reflete a mesma proporção observada na base do mercado. Além disso, muitas profissionais do digital conciliam a criação e a gestão de negócios com demandas domésticas e familiares, o que limita o tempo dedicado à expansão de suas carreiras.

Ao longo de mais de duas décadas de atuação, testemunhei transformações importantes. Hoje vemos mulheres em posições estratégicas, liderando projetos relevantes, conduzindo debates fundamentais e exercendo papel central na evolução da indústria. Sua presença é marcante, sua contribuição é inquestionável e seu impacto se estende por toda a cadeia da comunicação.

Ainda assim, mesmo em 2026, persistem desigualdades que não podem ser ignoradas. Há, porém, uma mudança relevante em curso: cada vez mais mulheres estão estabelecendo limites, dividindo responsabilidades e recusando o acúmulo que historicamente lhes foi imposto. Trata-se de uma transformação silenciosa, mas poderosa.

O debate sobre gênero no mercado não deve ser visto como disputa, e sim como construção coletiva. Diversidade não é apenas uma pauta social; é um vetor de inovação, criatividade e desempenho. Ecossistemas diversos produzem ideias melhores, decisões mais equilibradas e conexões mais relevantes com a sociedade.

Neste Dia Internacional da Mulher, a mensagem é de reconhecimento e confiança. Que cada mulher valorize sua trajetória, sua competência e sua voz. E que sigamos somando talentos e perspectivas, independentemente de gênero, trabalhando por um mercado mais justo, equilibrado e representativo.

Quando homens e mulheres colaboram com respeito e equidade, todos ganham: empresas, clientes, equipes e a própria indústria.