5G promove guerra tecnocomercial China/EUA. Troféu: o mercado global e a Internet das Coisas.
A corrida planetária pelo 5G esquenta a cada volta. Verizon diz que implanta a plataforma em 30 cidades dos EUA ainda este ano. Mas Trump quer mais: quer liderança mundial no 6G.
A disputa comercial e de ocupação geográfica de mercados mundo agora pelos carriers, as companhias telecom que disputam palmo a palmo a liderança tecnológica no ainda sonhado ambiente 5G, se acirra mais e mais e isso faz com que o horizonte de realidade da consolidação efetiva dessa tecnologia se aproxime mais rápido do que talvez se esperasse.
Verizon anunciou semana passada (lei aqui) que vai disponibilizar o 5G para 30 cidades norte-americanas até o final do ano, o que, se de fato rolar, significa um passo adiante de sua rival direta nos EUA, a ATT, que ainda está em fase de testes em regiões específicas de um número bem menor de cidades.
Mas essa não é uma briga apenas regional e local, é um jogo global. E nele está o possivelmente maior player em campo, que é a China e suas companhias telecom. Para elas, além da própria China, o maior mercado do mundo para praticamente qualquer coisa, o mundo é a meta e, ao que se saiba, do ponto de vista da pesquisa e avanços tecnológicos, são de fato os chineses que estão a frente de todos os competidores (a Europa vem num arrastado terceiro lugar).
Ciente disso e não gostando nada dessa liderança, com seu País perdendo para a arqui-rival comercial China, Donald Trump convocou a indústria telecom de seu País a andar rápido com o 5G e mirar antecipadamente no desenvolvimento da tecnologia 6G, que as companhias em geral do setor em todo o mundo nem arranham, na prática e de fato (leia aqui).
A preocupação de Trump é a Huawei e o Governo Chinês, que notoriamente invadem a gloriosa nação norte-americana com suas tecnologias disruptivas e baratas, roubando mercado das corporações norte-americanas dentro de seu próprio quintal.
O Governo norte-americano tem sistematicamente acusado a operadora chinesa de desrespeito a lei de privacidade, alegando que a companhia usa suas plataformas para capturar e passar ao Governo Chinês informações sobre a população e o comportamento dos norte-americanos. Não sei se é verdade, mas não me surpreenderia se fosse.
Seja como for, voltando à briga comercial, 6G, com disse, não está no road map tecnológico próximo de nenhuma companhia ainda, mas vai começar a estar em, digamos, 5 anos. Para essa indústria, e para as transformações na dimensão e da natureza das que estamos vivendo no mundo da conectividade global, isso é considerado bem pouco tempo.
Trump é meio maluco em sua convocação 6G, mas não está totalmente desprovido de lógica mercadológica.
Para nós, usuários, o 5G, como temos dito aqui já há alguns anos, vai ser um salto quântico de qualidade e velocidade, mas principalmente, vai a ser a porta para a disseminação da Internet das Coisas, essa sim, a maior transformação tecnológica de conectividade da História.
Mais capítulos dessa disputa todos os dias, nos labs de pesquisa das telcos do mundo todo. E aqui, sempre.
(*) Foto Yahoo!