Opinião

O VR e o que você deveria aprender com Steven Tyler

Os gadgets passam hoje pelo limiar entre ir pro trono ou pro brejo

Rodolfo Barreto

Diretor executivo de criação da BETC/Havas 13 de março de 2017 - 16h52

Aqui no SXSW, os tais óculos de VR (virtual reality) estão por toda parte. Separados por cores, tamanhos, valores e diferentes formas de utilização, esses gadgets passam hoje pelo limiar entre ir pro trono ou pro brejo, assim como aconteceu há pouco tempo com as TVs 3D (lembra delas? Pois, é) e o Google Glass.

A princípio, o uso básico (e sem benefícios claros para a sociedade) está nos Games e não há nada de errado nisso. Afinal, o objetivo desses caras é fazer com que – cada vez mais – você se levante do sofá e entre nesse mundo West World. Porém, dando uma pequena volta pelas estações do Trade, pude experimentar capacetes de moto com a tecnologia no visor, aplicações em simuladores de cirurgias para estudantes de medicina e, no estande da Home Depot, um sistema usava a realidade mista para ser uma espécie de manual de montagem. Eu explico: você colocava os óculos, olhava para alguns canos na parede, e via virtualmente os canos que estavam faltando e onde eles deveriam ser ligados. Bom, né?

Mas se você acha que esses caras são gênios visionários, é porque você não estudou a fundo o mestre Steven Tyler. Isso. O vocalista do Aerosmith. Entre as dezenas de clipes da banda, o feito para a música Amazing é sensacional. Já viu? Não? Então dá um play aí embaixo enquanto continua a leitura. Eu espero. Pode ir lá.

Foi? Ok. Nesse clipe, um garoto cheio de espinhas entra no computador, liga sua Webcam e começa um jogo em realidade virtual. Para isso, ele usa um gadget que escaneia em 3D uma pequena moto de brinquedo e ela vira seu transporte no jogo. Logo na sequência, ele coloca uns óculos VR e, como se isso não fosse o bastante, veste também uma luva de VR.

Com todo esse aparato, é hora de entrar do moleque entrar no jogo com toda sua malemolência e passar uma cantada numa garota. A menina o esnoba e o que ele faz? Muda a personalidade dela no jogo (puro machismo que eu deixo essa para comentar em uma outra oportunidade).

A coisa toda começa a esquentar, o garoto pilota a moto de forma viril, a menina sobe por cima dele dando a entender que rola um sexo virtual no clipe bem no momento que o Steve começa a soltar aqueles gritinhos que volta e meia acontecem em todo final de música deles. Depois disso, ele ainda fuma um cigarro virtual e pega carona com um avião e experimenta um esporte radical em realidade virtual.

Bom, tudo isso é apenas para que você perceba uma única coisa: esse clipe foi criado em 1993. Sacou? Novamente: 1993.

Para ter uma ideia, a Webcam foi lançada comercialmente em 1994. Os óculos de VR aconteceram ontem. As luvas ainda estão para acontecer hoje. O Google, meu amigo, só nasceu em 1998 (5 anos depois do clipe).

Portanto, amigos, se querem saber mesmo sobre VR, vocês podem até vir aqui em Austin perguntar para os gurus, mas a real (com trocadilho) é que o mestre disso tudo se chama Steven Tyler. E isso sim é Amazing.

Ps.: escrevi este artigo sentado na palestra Horro’s Immersive Future: the tension experience, que falou sobre o papel do VR em experiências aterrorizantes. Esses caras prometem fazer com que o Sleep No More (NY) fique no chinelo. Vale checar.