Opinião WW

Dorothy ou Mágico de Oz?

E quando passamos a sentir a falsa impostora não apenas em nós mesmas, mas nas outras?

Maia Mau

Diretora de marketing do Google no Brasil 22 de abril de 2026 - 10h23

(Crédito: Fábio Ikezaki)

(Crédito: Fábio Ikezaki)

A pauta da síndrome da impostora é assunto já bastante falado no meio corporativo e, como sabemos, atinge em cheio nós, mulheres. Mas será que essa insegurança é apenas uma falha na nossa autoconfiança? Segundo dados da pesquisa “Sem Atalhos”, da Bain & Company, na realidade, as mulheres têm níveis de aspiração para chegar à alta liderança muito semelhantes aos dos homens ao longo da carreira. O que pode minar essa certeza são os vieses do dia a dia.

O estudo mostra que mulheres em posições de liderança são 1,9 vez mais interrompidas ou desencorajadas a falar em reuniões e têm 2,3 vezes mais chances de serem rotuladas como “emotivas” ou “agressivas” do que seus pares masculinos. Com um terreno tão desafiador, duvidar do próprio valor acaba sendo uma consequência quase natural.

Ou seja, sim, precisamos ainda falar e muito sobre este tema, e nada melhor que aqui, no espaço do Women to Watch de Meio & Mensagem. Mas o que quero falar hoje vai além de nos vermos no espelho: e quando passamos a sentir essa falsa impostora não apenas em nós mesmas, mas nas outras?

Lembrei de alguns casos que aconteceram no passado. Mudanças de escopo e ajustes de time são bastante comuns. Movemos as equipes para atender a novas prioridades e alocar talentos onde vemos grande potencial. Porém, o que a liderança muitas vezes enxerga como uma baita oportunidade de crescimento é recebido muitas vezes com insegurança do outro lado. “Por que eu?”, “O que viram de potencial em mim?”, “Não sei absolutamente nada sobre esse assunto”.

Numa dessas conversas, o alarme soou: olha a síndrome da impostora aí. Nós, como líderes, acreditamos que a pessoa consegue, mas, às vezes, nem ela mesma acredita.

E é aí que entra uma conexão improvável. Tive a oportunidade de ir a Las Vegas e fui assistir ao filme O Mágico de Oz no Sphere, uma experiência imersiva sensacional, ampliada e remasterizada com a colaboração do Google DeepMind e do Google Cloud. Recomendo! Mas, voltando a Dorothy e seus amigos… não é que a síndrome da impostora também está lá?

O Espantalho quer um cérebro; o Homem de Lata, um coração; o Leão, coragem; e Dorothy quer voltar para casa. Lá vão eles até o grande Mágico de Oz… apenas para que o super guru revele que eles já tinham tudo aquilo dentro deles. Só bastava acreditar.

Perfeita lição e um exercício profundo de olhar para si. Sem querer soar como autoajuda, ter por perto um mentor que te apoie faz toda a diferença para que você consiga enxergar o que já está lá dentro: o seu próprio potencial e a sua capacidade. Afinal, com confiança, o jogo flui muito melhor, não é?

O diploma te ajuda a validar que a inteligência está lá e o prêmio prova que a coragem existe. E o coração… bem, a prova está nos outros, afinal como diz o Mágico de Oz: “um coração não é julgado pela quantidade de amor que você demonstra, mas sim pela quantidade de amor que você recebe dos outros”.

Fica então o convite e a provocação deste mês: se você perceber esses sinais em si mesma e, mais importante, nas outras pessoas, tentemos ser um pouco mais “Mágicos de Oz”. Que por sinal, de mágico não tem nada. O que ele tem a nos ensinar é, pura e simplesmente, percepção e empatia.