Quais convites você aceita?
Se cada "sim" e não" abre uma porta e fecha outras, desse jogo nasce o caminho, que é inteiramente nosso

(Crédito: Adobe Stock)
Outro dia, numa mentoria, uma jovem executiva me contou o que a vida tinha feito com ela. O chefe que a sabotou. A promoção que foi para outra pessoa. Tudo verdade. Respondi com uma frase de Sartre que minha mãe repete com frequência, e que por isso virou minha: não importa o que fizeram de mim, importa o que eu faço do que fizeram de mim.
Depois fiquei pensando no que decide essa segunda parte. Cheguei a uma palavra em inglês que uso muito: invitations.
A vida manda convites todos os dias, em todas as áreas. Uma proposta de trabalho, uma conversa difícil, um projeto novo, o fim de uma relação. Alguns dão frio na barriga. Outros deixam a gente perplexa. Há os que dão medo de verdade. E há os que chegam para celebrar o que já construímos, e esses também pedem que a gente apareça.
Todo mundo recebe convite. A diferença está na resposta. Cada “sim” abre uma porta e fecha outras, e cada “não” faz o mesmo. Desse jogo de portas nasce o caminho, e ele é inteiramente nosso.
Aqui mora o desconforto. É cômodo pôr a responsabilidade na vida, no chefe, no país, na família. Assumir que a escolha é minha me deixa só. Ninguém aceita ou recusa um convite por mim, e ninguém responde pelo resultado. Essa mesma solidão me dá poder. Se a condução é minha, posso mudar a rota amanhã.
Esse aprendizado me foi difícil. Demorei a aceitar que ninguém viria decidir por mim. Quando aceitei, a sensação de ter poder sobre o meu futuro se mostrou libertadora.
A executiva da mentoria não precisava apagar o que fizeram com ela. Precisava olhar para a caixa de entrada e decidir o que abrir.