Qual é o seu melhor defeito para mudar a indústria?

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Qual é o seu melhor defeito para mudar a indústria?

Em depoimentos, profissionais do mercado expõem seus defeitos para inspirar recém-formados a trabalhar em agências

Filme da Paranoid, dirigido por Brendo e Adriano, é um dos resultados do novo projeto do Papel & Caneta, o primeiro voltado à indústria publicitária

Isabella Lessa
8 de junho de 2018 - 12h44

Às vésperas do principal festival da indústria, o Cannes Lions, um time de publicitários lança a campanha Meu Melhor Defeito para jogar luz sobre problemas urgentes que acometem a indústria: jornadas extenuantes, falta de representatividade nas equipes e nas campanhas, assédio moral, saúde mental. São 31 problemas, para ser mais exato. Em um perfil homônimo no Instagram (@meumelhordefeito), cada um dos profissionais compartilha depoimentos relatando como seus defeitos podem ser, na verdade, uma força combativa às questões que ainda encontram-se sem solução nas agências.

A ideia de disseminar o conteúdo no Instagram é chegar aos recém-formados em comunicação para que possam ter contato com uma realidade do mercado que talvez não tenha sido debatida nas salas de aula. “Queremos ajudar o jovem a encarar a realidade de hoje. A gente vê muita palestra, mas essas conversas muitas vezes não acontecem nas universidades Brasil afora. Esse guia quer ajudar também o jovem brasileiro fora do eixo Rio-São Paulo”, comenta André Chaves, conector do Papel & Caneta, coletivo sem fins lucrativos que já uniu em algumas partes do mundo líderes da indústria em prol de causas sociais, mas que agora, pela primeira vez, cria um projeto voltado ao próprio mercado.

(Crédito: Divulgação)

  “Nos últimos anos, tentamos fazer provocações através das marcas. Está na hora de olharmos para dentro e provocar a mudança em nós mesmos, desafiando líderes a se perguntarem quais critérios eles estão usando na hora de dialogar com uma geração que não quer apenas prêmio e sucesso”, diz Diego Machado, diretor criativo da AKQA Brasil. Como um dos participantes do projeto, ele aborda a necessidade de não se pensar os trabalhos com uma lógica voltada somente aos prêmios.

Vinni Tex, do Mooc, por exemplo, atesta que seu melhor defeito é saber que não precisa estar dentro de uma agência para mudar o mercado. Formado somente por negros e negras, o coletivo está atrelado à Conspiração Filmes há quase um ano e já realizou trabalhos para marcas como Nike e Skol, sempre imprimindo a marca da representatividade negra, jovem e urbana nas produções. Já Ju Wallauer, do podcast Mamilos, em crítica direta às jornadas excessivas ainda praticadas em algumas das agências do País, acredita que seu melhor defeito é querer cuidar de seu filho nos finais de semana. “Quem está começando e ainda recebeu velhos modelos como regra na faculdade ou nos cursos, chega ao mercado e se depara com assédio e cargas horárias pesadas. Nós queremos mostrar que existem outros caminhos no mercado e inspirar quem está chegando agora a persistir para ser a mudança que a publicidade precisa”, afirma Thais Fabris, co-fundadora do 65/10.

(Crédito: Divulgação)

Também participam dos depoimentos profissionais de agências que já contam com projetos que miram a transformação do mercado: Vagner Soares, da Artplan, um dos autores do Dear Publicidade People, apresentação sobre racismo que percorreu diversas agências nos últimos meses, fala sobre a importância de debater assuntos que normalmente não são falados no ambiente publicitário. Raphaella Martins, da JWT, co-idealizou o 20/20, um dos primeiros programas de diversidade em uma agência brasileira e que, até 2020, quer ter 20% do quadro de funcionários preenchido por talentos negros.

Meu Melhor Defeito foi criado ao longo de um workshop de 4 dias em São Paulo por um grupo de mais de 50 pessoas. Além dos vídeos dos depoimentos, produzidos pelo coletivo Pujança, liderado pelo trio de videomakers da periferia paulistana Carol, Camila e Karol, a campanha conta com um filme produzido e financiado pela Paranoid que sintetiza os anseios por mudanças da atual geração de profissionais da comunicação. “Trazer diversidade pro mercado significa incentivar quem está chegando a não tentar disfarçar quem é, não colocar máscara nenhuma. É preciso respeitar quem já está no mercado, mas não deixar de se respeitar por isso. Queremos que todos saibam que tem voz e que essa voz importa. Falem. Falem que não podem virar essa noite. Falem que já marcaram viagem pro final de semana. Falem que esse tom de voz está agressivo. Falem, que o mercado precisa ouvir”, diz o redator Rafael Campello.

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