Não confunda transformação digital com iniciativas digitais

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Não confunda transformação digital com iniciativas digitais

Ainda há uma parcela do mercado que acredita que o percurso do digital possa ser trilhado apenas com o foco nas experiências e canais de relacionamento com os clientes, sem mexer com o coração e o legado dos negócios


19 de junho de 2017 - 16h13

A transformação digital dos negócios está na lista de prioridades de dez em cada dez CEOs de grandes empresas líderes de mercado. Em 2017, corporações globais como GE, Unilever e Walmart estão investindo bilhões de dólares para fazer com que essas mudanças virem realidade em suas operações. Mas ainda há uma parcela do mercado que acredita que esse percurso possa ser trilhado apenas com o foco nas experiências e canais de relacionamento com os clientes, sem mexer com o coração e o legado dos negócios. Não, isso é apenas uma primeira fase do jogo.

(Crédito: reprodução)

A experiência do cliente, que foi o motor da transformação digital a partir das interações que ele passou a comandar com as marcas, produtos e serviços no ambiente online, já não basta para fazer com que o digital esteja no DNA dos negócios. Experiências positivas e pontos de contato digitais cada vez mais efetivos e melhores continuarão a ser armas poderosas para avançar, inovar e manter participação de mercado.

Mas as empresas que de fato mergulharam de cabeça na transformação digital de seus negócios precisam seguir em outras dimensões e mudar suas organizações, operações, processos e tecnologias. É preciso mexer fundo na cultura para garantir uma mudança consistente e que traga resultados contínuos.

Embora as discussões sobre transformação digital sejam frequentes, ainda é preciso esclarecer o que de fato está atrelado a ela. O caminho mais curto pode estar em fazer a inovação em labs, com times organizados em squads ou departamentos internos de inovação. A aquisição de startups descoladas ou produtos digitais, e o desenvolvimento de aplicativos baseados em tendências como o User Experience ou a imersão no ambiente do Vale do Silício não são capazes isoladamente de promover essa mudança. Serão criados aplicativos, ativadas ações mobile first, com análise de dados, realidade aumentada e machine learning para conhecer todas as jornadas do usuário.

De acordo com o Gartner, 47% dos CEOs reportam a pressão para progredir em direção ao negócio digital e passar da fase de especulação para implantar um plano digital real. Ainda segundo o instituto, mais da metade deles concordam que seus investimentos digitais já melhoraram seus lucros. 

Todas essas escolhas têm capacidade de trazer inovações disruptivas que, como num vôo de galinha, podem gerar algum burburinho no mercado, mas não terão uma performance sustentável. Não repercutirão, nem produzirão efeitos nos silos tradicionais que moram dentro das corporações e que, em geral, são as principais barreiras para as mudanças de verdade.

Cada vez mais os CEOs estão sendo pressionados a ingressar no mundo digital e ir além da experimentação digital. De acordo com o Gartner, 47% dos CEOs reportam a pressão para progredir em direção ao negócio digital e passar da fase de especulação para implantar um plano digital real. Ainda segundo o instituto, mais da metade deles concordam que seus investimentos digitais já melhoraram seus lucros. O estudo também apontou que o CIO tem se mostrado mais atuante em relação aos negócios digitais, sendo ele o responsável por educar e orientar o CEO a expandir seus horizontes.

Portanto, para transformar os negócios e levá-los para o mundo digital é preciso polinizar, alinhar e conectar corações e mentes na direção certa, ainda que os objetivos mudem e se mostrem outros ao longo do percurso. O caminho é mais longo, tortuoso e vai exigir mais energia e parcerias certas. Mas é uma escolha que vai muito além da iniciativa digital e que se mostrará mais eficiente na superação das lacunas e gaps, para solidificar a mudança e ganhar o jogo de verdade.

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