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Cinco arrependimentos de um ex-CMO

O objetivo não é desabafar, mas passar adiante dicas que eu gostaria de ter recebido quando estava na sua cadeira

João Branco

Professor e conselheiro 7 de julho de 2026 - 6h00

Cannes, Copa, eleições… entre tantas opções de assuntos interessantes, hoje escolhi compartilhar algo mais pessoal.

Escrevo aqui desde 2020, quando era CMO do McDonald’s. Hoje, tenho um trabalho bem diferente, mas sigo muito próximo dos profissionais de marketing. Então, vou deixar uma contribuição diferente: hoje quero abrir o coração e contar cinco coisas das quais me arrependo de quando era um líder de marketing.

O objetivo não é desabafar, mas passar adiante dicas que eu gostaria de ter recebido quando estava na sua cadeira. Então anote aí:

1. Eu deveria ter conhecido melhor o Brasil

Sei que a sua rotina é intensa. As viagens costumam ser rápidas, focadas em reuniões com equipes locais e visitas ao mercado. Existe também uma preocupação com orçamento, produtividade e tempo. É compreensível. Mas há uma oportunidade imensa passando em um lugar que você não está vendo.

Nos últimos três anos fiz palestras em 150 cidades de Norte a Sul e descobri que… não conheço o nosso País.

O Brasil não é São Paulo e Rio de Janeiro. Tem lugares onde “barato” não é “barato”, “inverno” não é “inverno”, “fácil” não é “fácil”, “conectado” não é “conectado”, “saudável” não é “saudável” e “família” não é “família”. Pelo menos não o que eu achava que era. Se soubesse o que eu sei hoje, teria sido um marketeiro melhor.

2. Deveria ter conhecido mais profundamente as histórias dos clientes

Conhecer o consumidor sempre foi prioridade. Participava de pesquisas, visitava lojas, analisava indicadores e acompanhava tendências. Mas hoje percebo que existe um valor muito maior nos… depoimentos. Estou falando das razões, dos sentimentos, das motivações e das coisas que não são transmitidas com palavras.

Descobrir que uma senhora leva uma criança ao Méqui porque quer convencer a sua netinha a visitá-la mais vezes muda muita coisa. Na forma como eu faço marketing e no sentido do meu trabalho.

Marketing é sobre gente, e não sobre “relatório sobre gente”. Olhe as tabelas, mas não deixe de olhar também os sorrisos, as dores, as lágrimas, os usos, os sotaques, as vidas de quem precisa do que você oferece.

3. Eu deveria ter lido mais

Sempre gostei de aprender, mas costumava dizer que não gostava de ler. E descobri que eu estava errado. Eu não odeio ler. Eu odeio ler livro chato. É muito diferente.

Liberte-se da obrigação de ter que terminar um título que é um porre e passe para o próximo! É difícil achar livros bons (já conhece Essencialismo, O ato criativo, e O cliente percebe?), mas eles são uma excelente forma de se desenvolver. Aumentam repertório, inspiram, e agregam cultura.

Isso me custou muitas horas de dedicação em outras formas de aprendizado.

4. Eu deveria ter sido um porta-voz menos “treinado”

Os CMOs vão me entender. A gente é ultra preparado para dar entrevistas e falar em nome das empresas sem escorregar e nem… improvisar. Mas isso significa que eu dei muita entrevista chata, falei muita resposta ensaiada e perdi muitas oportunidades de criar uma conexão mais real com as pessoas.

Quem pede desculpas, quem admite que não sabe, quem assume que não queria ter tirado o McFish do cardápio abre uma janela diferente.

A autenticidade constrói muito mais do que eu imaginava. Para o mercado e para a sua própria equipe. Como diria Brené Brown, “o perfeito atrai, mas o imperfeito conecta”.

Por fim, a coisa que eu mais me arrependo é que…

5. Eu deveria ter sido mais sensível

Não que eu não tenha sido, mas demorei para perceber a importância disso. Demorei para entender que as pessoas não trabalham para um CNPJ, um bônus e nem para um chefe inteligente. Demorei para me dar conta que o meu trabalho não é só o meu trabalho. Demorei para descobrir que os melhores marketeiros são os mais sensíveis.

A sensibilidade é algo que pode ser exercitado. Ainda deu tempo e deu tudo certo…

Também acertei muito. Mas se eu pudesse voltar atrás, mudaria essas coisas para melhor. E você, o que faria diferente?