Agências ecologicamente corretas
Aumenta o uso de materiais recicláveis ou naturais em ações de marketing
O movimento do ecologicamente correto, com o uso de produtos recicláveis e naturais em ações de marketing, ganha força no mercado publicitário. Para muitas agências, encontrar soluções sustentáveis deixa as campanhas ainda mais criativas. Algumas empresas estão se dedicando exclusivamente a essa empreitada, caso da EcoMídia. Lançada em 2008, a empresa nasceu da oportunidade de somar a tendência de lançamentos de produtos sustentáveis e recicláveis com ações de marketing que tivessem mais interação com o consumidor. Outro filão explorado pela EcoMídia é o chamado “mídia in-home”, aquela que o consumidor pode levar para dentro de casa.
“O Brasil, os anunciantes e os consumidores estão cada vez mais atentos para as questões sustentáveis. As pessoas têm hoje uma percepção mais amadurecida de que é preciso acordar e agir para as causas do planeta, começando por pequenos gestos que podem mudar toda a cadeia produtiva. Preservar, reciclar, agredir menos são premissas de um consumismo mais inteligente. E o Brasil está no foco da questão. Ano que vem acontece o evento mundial Earth Summit no Rio de Janeiro, para discutir os rumos sustentáveis da Terra para os próximos anos e repensar o que já foi feito. A Fiesp criou um Comitê Ambiental de Jovens Emprededores, para promover encontros e fomentar quem pensa em business verde”, comenta Arthur Trejger, diretor da EcoMídia
Segundo ele, a empresa percebeu todas estas questões e decidou partir para fazer negócios que também mudassem comportamentos. O primeiro produto criado pela EcoMídia foi o cabide ecológico, construído em duplex, microondulado e gancho plástico, com design patenteado em diversos modelos. Distribuído gratuitamente pelas lavanderias, possibilitou a regionalização das campanhas promocionais, o que, afirma Trejger, havia se tornado inviável em cidades como São Paulo, com a proibição da mídia exterior.
Nestes três anos, a EcoMidia já produziu dezenas de campanhas para clientes como Volkswagen, Besni, C&A, Telecine, Shoppings Morumbi e Jardim Sul, Net, além das maiores incorporadoras do país: Gafisa, Rossi, Tecnisa, Brookfield, Schahin e Masb.
“O case da C&A foi diferente: o primeiro contato foi há mais de um ano e tivemos de aprovar o cabide em diversos testes, como resistência ao transporte e manuseio .O conceito foi o de transformá-lo em um brinde ecologicamente correto e, ao mesmo tempo, em um veículo de mídia da campanha e da coleção TCollection, a ser levado para casa pelo consumidor", conta Trejger..
Outra empresa que investiu em formas sustentáveis de marketing foi a DesigncomZ, que desenvolveu para a marca Track&Field, as cápsulas EcoTrack. A diretora de marketing da DesigncomZ, Cintia Martin, explica que o anunciante precisava ter o estoque da loja mais integrado com a arquitetura. “Estudamos com a equipe as características de cada peça e uma nova maneira de dobrá-las. As cápsulas foram projetadas para que pudessem guardar a maioria dos produtos da loja. Desta forma, todos os itens estarão organizados por estilo, cor e tamanho, possibilitando que o próprio cliente encontre a peça que procura para experimentar em um dos três provadores, ou levar diretamente ao caixa. As cápsulas podem ser usadas também como embalagem de presente e reaproveitadas, diminuindo muito seu impacto ambiental”, completa.
O material usado para a criação das cápsulas foi o biopolímero Ingeo que substitui o plástico feito a base de petróleo por um material de origem vegetal. Cintia destaca que, comparado com a produção de PET, por exemplo, a manufatura do Ingeo gera 75% menos gases causadores do efeito estufa e exige 56% menos combustível fóssil. Por enquanto, o produto está sendo usado nos Estados Unidos, mas a Track&Field tem planos de utilizar as cápsulas também no Brasil, ainda sem previsão de data.
“Cada vez mais as marcas vêm buscando formas de reduzirem seu impacto ao meio ambiente. Conseguir trazer para o consumidor uma experiência alinhada com a marca e que ainda polui menos o ambiente e pode ser reutilizada é uma das formas da Track&Field trabalhar o seu pilar de sustentabilidade”, comenta Cintia.
Criada com o objetivo de ser uma alternativa de divulgação ecológica no mercado de publicidade, a Zebu Midias Sustentáveis é formada por um grupo de jovens profissionais que perceberam a tendência das empresas de desejarem comunicar aos seus clientes suas ações em prol do meio ambiente.
“O consumidor está buscando cada vez mais empresas que estejam envolvidas com ações socioambientais. No entanto, o conteúdo ecológico a ser divulgado pelas empresas, na maioria dos casos, não condiz com a plataforma de divulgação. Como resultado, podemos ver propagandas engajadas nesse tema sendo veiculadas em flyers (que são produtos extremamente poluentes, com pouco apelo publicitário e que em muitos casos não são reciclados) ou em outdoor, televisão e outros tipos de mídia não adequada às necessidades do cliente. A Zebu produz mídias que buscam alinhar o maior impacto de divulgação com o menor impacto ambiental. Nos propomos a criar soluções de divulgação que, somadas ao valor da sustentabilidade, sejam inéditas e criativas”, enfatiza Amon Pinto, diretor de marketing e vendas da Zebu.
Um exemplo disso é o stencil limpo que, diz ele, é um serviço que consiste na impressão das informações sem utilizar nenhum tipo de tinta. A partir da limpeza localizada de determinadas superfícies é possível usar a técnica como forma de divulgação. A empresa foi criada no ano passado e surgiu como um projeto de faculdade. Três amigos – Felipe Salvador, Pedro Ivo Costa e Amon – estão finalizando o curso de design na PUC Rio, se tornaram sócios e durante o desenvolvimento do projeto final da universidade perceberam iniciativas semelhantes na Europa.
Amon frisa que o stencil limpo é uma mídia que eles estão trazendo e que se aproveita das superfícies sujas para imprimir informações. “Esse serviço já é bastante explorado em alguns países da Europa, e como as cidades brasileiras também estão completamente sujas, vimos na poluição uma oportunidade de trabalho. O stencil limpo ou green graffiti apesar de já ter sido utilizado no Brasil em projetos artísticos, como no caso do artista Alexandre Orion, em São Paulo, nunca foi utilizado como objeto de publicidade”, lembra Amon.
A Zebu vem trabalhando diretamente com as agências de publicidade fornecendo o suporte de mídia para as campanhas que estiverem desenvolvendo. Tanto há a possibilidade de o cliente optar por alguma mídia já existente para divulgar os seus projetos, como poderá solicitar o desenvolvimento de uma mídia que esteja de acordo com o seu briefing, explica Amon.
No Rio, a Zebu mapeou locais pela cidade para impressão de informações por meio desse processo. Amon adianta que ainda este mês vai ser possível ver o trabalho da agência no cenário carioca.
