Moma faz Cannes estrear punições individuais
Cancelamento dos Leões para campanha acusada de incitar pedofilia marca primeira aplicação da regra nova
O cancelamento dos Leões concedidos à campanha da Moma para Kia Motors, anunciado nesta quinta-feira, 21, pelo Festival de Cannes, culmina também no veto à inscrição de peças no evento do ano que vem pelos profissionais envolvidos no caso.
A agência não será punida e poderá inscrever peças em 2012, tendo como suas únicas perdas o Leão de Prata em Press e o de Bronze em Outdoor deste ano.
A organização do festival não revelou os nomes, mas estão nas fichas técnicas Rodolfo Sampaio (diretor de criação), Marco Martins (diretor de arte) e Adriano Matos (redator). São citados também Marco Piza (diretor de conta), Christine Baptista, esta, responsável pela aprovação no cliente, e a empresa Quanta Estudio and Sattu, como ilustradora.
“Neste momento, a decisão tomada é de suspender qualquer trabalho criado por aqueles creditados na inscrição pelo período de um ano. Portanto, nenhuma inscrição será aceita por parte destes indivíduos para a edição do evento em 2012”, afirmou Philip Thomas, CEO do festival, em comunicado.
A peça envolveu-se em polêmica após ter sido acusada de promover a pedofilia. O cliente afirmou que não assinou a peça, e a Moma acabou não comprovando ao festival que os anúncios foram veiculados e criados para um cliente pagante.
Por meio de comunicado, a agência afirmou que respeita a decisão do Festival de Cannes e que a decisão foi tomada em conjunto. “A agência optou por não prosseguir com sua defesa, tendo em vista diminuir a exposição de todo que, de alguma forma, foram envolvidos nesse processo”.
Nova regra por causa do Brasil
A nova regra surgiu em 2009, quando Cannes decidiu impor punições individuais aos criativos envolvidos em peças que fossem comprovadamente “fantasmas”. A decisão foi tomada na esteira da polêmica que envolveu a peça “Tsunami”, da DM9DDB para WWF, que revoltou a opinião pública norte-americana por fazer pouco caso do 11 de setembro e que, posteriormente, acabou tornando-se um símbolo dos festivais na luta contra os “fantasmas”.
Este mais novo caso se soma à lista de Leões cancelados para a publicidade brasileira, que envolve também o caso da Lew´Lara, que abriu mão de um Leão de Bronze em Film em 2006, porque o comercial “Copo” para o Grupo Schincariol já havia concorrido no ano anterior.
Além disso, naquele mesmo ano, a então GiovanniFCB também devolveu seu Leão de Bronze em Press para a série “Ovo”, “Chupeta”, “Feto” e “Ursinho”, para a ONG Ipas. Segundo a agência na época, a entidade não integrava sua carteira de clientes e a campanha fora criada e inscrita por profissionais que haviam saído da casa (Fernando Campos, Valdir Bianchi, Ícaro Doria e Vico Benevides), à revelia da direção-geral da GiovanniFCB.
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