Comunicação

Trabalho em 2026: IA padroniza currículos e muda processos

Pesquisa Talent Trends 2026, da Michael Page, aponta para uma transição estrutural do mercado

i 21 de maio de 2026 - 14h59

Duas pessoas apertando as mãos em um ambiente corporativo.

Pesquisa da Michael Page investigou as demandas de candidatos e gestores (Crédito: PeopleImages-shutterstock)

O mercado de trabalho vive globalmente um momento de transição estrutural. A conclusão é fruto do estudo Talent Trends 2026, da Michael Page, que coletou a percepção de 60 mil profissionais em 36 países, incluindo o Brasil.

A transição é impulsionada por três forças principais. Primeiro, o avanço acelerado da inteligência artificial redefine os processos de contratação. Depois, aparecem a escassez de habilidades críticas e a mudança nas prioridades dos profissionais que passaram a valorizar mais o equilíbrio e a confiança.

IA cria padronização nos currículos

No que diz respeito à IA, um dos achados da pesquisa é o fato de que a tecnologia deixou de ser uma tendência para se tornar parte da operação cotidiana de contratação. Globalmente, 64% dos profissionais já usam IA no trabalho. No Brasil, o número sobe para 71%.

Na contratação, 73% dos candidatos brasileiros usam IA para adaptar seus currículos e 55% dos gestores também afirmam usar a tecnologia para apoiar etapas de recrutamento. Porém, o uso massivo tem criado uma padronização que dificulta diferenciar os candidatos.

Na pesquisa, 39% dos gestores disseram não ter certeza se os currículos recebidos foram gerados ou editados por IA. Nesse cenário, os recrutadores estariam buscando novas abordagens de avaliação como testes práticos, simulações e entrevistas mais estruturadas.

Escassez de habilidades

Entre os gestores brasileiros, 57% apontam a falta de habilidades como o principal desafio de contratação. Globalmente, o índice é menor (39%). As competências mais demandadas são comunicação (49%), adaptabilidade (48%) e habilidades interpessoais (45%).

Nesse cenário, a consultoria enxerga uma redefinição nos critérios de busca das empresas que, no lugar de trajetórias lineares, começaram a valorizar competências como a capacidade de aprender e se adaptar em ambientes dinâmicos.

Ainda assim, no Brasil, apenas 21% dos líderes dizem priorizar competências em detrimento da formação ou do histórico profissional. No mundo, 98% das empresas que adotam modelos baseados em competências relatam benefícios concretos.

Profissionais mais seletivos

Do outro lado, os profissionais também mudaram sua forma de tomar decisões. No Brasil, 44% dos entrevistados estão ativamente buscando novas oportunidades. Número ligeiramente menor do que o índice global de 51%.

Nessa decisão, 47% dos brasileiros acreditam que poderiam perder o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal ao mudar de empresa. E 39% considerariam sair do seu emprego atual se a exigência de trabalho presencial aumentasse.

Confiança e transparência salarial também se tornaram fatores decisivos. Entre os entrevistados brasileiros que confiam nas suas lideranças, 93% não pretendem mudar de emprego. Em contrapartida, 70% dos profissionais que estão buscando um novo trabalho vêm de empresas com baixa transparência salarial.