Outubro Rosa: agências analisam abordagem em torno da causa
Azul, Marisa, NotreDame e A.C.Camargo comentam estratégias para jogar luz sobre a campanha preventiva

Agências e marcas comentam abordagens de comunicação para o Outubro Rosa (Crédito: jhorna-adobestock)
De acordo com as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama segue como o tipo de tumor mais frequente entre as brasileiras, representando cerca de 30% de todos os casos diagnosticados no público feminino.
Porém, por trás dessa alta incidência, existe um fator decisivo: quando a doença é descoberta em seus estágios iniciais, as chances de cura superam 95%.
Nesse contexto, a comunicação demonstra sua capacidade de gerar impacto real na saúde pública. Campanhas de conscientização durante e logo após o mês de outubro são recorrentes no calendário não somente de órgãos da saúde pública e marcas de healthcare, mas anunciantes dos mais variados segmentos.
Da aviação ao varejo
A Azul Linhas Aéreas e a W3haus ressignificaram a linguagem da aviação com o conceito “Se prevenir faz parte do plano de voo”, incentivando o autocuidado e usando os próprios voos e eventos como plataforma de mídia.
Alessandra Sant’Ana, CEO da W3haus, destaca o desafio estratégico de evoluir uma causa trabalhada há 16 anos pela companhia aérea. Segundo ela, a principal abordagem foi a prevenção, pois no dia a dia muitas mulheres acabam deixando a própria saúde em segundo plano. “Nosso desafio não era simplesmente criar uma nova campanha, mas convidar cada mulher a assumir o comando da própria jornada. A estratégia de conteúdo e a parceria com a CBF nos jogos da Seleção Feminina nos ajudaram a superar os objetivos, com custos 37% abaixo do previsto e alcance orgânico mais de três vezes superior à meta”, afirma.
Diretor de marketing e comunicação corporativa da Azul, Felipe Zboril reforça que o engajamento da marca se traduz em cultura interna e suporte direto à saúde. “O Outubro Rosa faz parte da cultura da Azul há 16 anos e mobiliza diferentes áreas da companhia em torno de uma causa que vai muito além de uma campanha de marca. Usamos nossa capacidade de conectar pessoas e regiões do país para ampliar a conscientização, apoiar iniciativas como o transporte gratuito de pacientes e o Projeto À Flor da Pele, reforçando que cuidar da saúde é o que nos permite seguir realizando planos e chegando a novos destinos”, diz.

Com W3haus, Azul leva conscientização aos voos e aos gramados com a Seleção Feminina (Crédito: Divulgação)
Já Marisa converteu sua estrutura de lojas, e-commerce e produtos no financiamento direto de exames pelo Instituto Protea com a campanha “Especial de Mulher para Mulher”.
“Queríamos ir muito além da sensibilização: o objetivo era converter nossa força de marca em acesso concreto ao diagnóstico. Lançamos uma bolsa solidária exclusiva por R$ 29,99 cujo lucro das vendas em nossas lojas e e-commerce é 100% destinado aos projetos do Instituto Protea”, conta Rita Coelho, head de marketing da Marisa.
A varejista transformou sua loja conceito na avenida Paulista em palco para gravações e debates sobre diagnóstico precoce. Somadas as frentes de imprensa, redes proprietárias, parcerias e mídia OOH em 11 praças, a marca afirma que campanha ultrapassou o número estimado de 140 milhões de impactos consolidados.

Em ação in-house, Marisa transforma rede de lojas e podcast em fonte de diagnóstico real (Crédito: Divulgação)
Enquanto isso, a NotreDame Saúde e a Labof optaram por trocar as mensagens prescritivas tradicionais por um canal de escuta ativa sobre as dúvidas reais da saúde feminina.
“Partimos da pergunta: depois de tantos anos de Outubro Rosa, será que as mulheres precisam apenas de mais uma campanha dizendo que é importante se cuidar? Em vez de criar mais uma marca oferecendo respostas prontas, decidimos promover uma conversa real com elas”, detalha Bruno Bernardo, CEO da Labof,.
O executivo ressalta o formato e o aprendizado obtido com a parceria entre a atriz Glória Pires e a classe médica. “Queríamos ter uma conversa verdadeira, onde a Glória trouxesse vivências e a Dra. Brigitte Van Eyll contribuísse com conhecimento técnico. O maior aprendizado é que inovar nem sempre é achar algo novo para dizer, mas buscar menos discurso e mais diálogo”, complementa.
A NotreDame afirma que, nos Reels do perfil da marca, houve volume de comentários 13 vezes maior do que a média anterior. A empresa acrescenta que a conversa terá continuidade no projeto “Na Agenda”, que se estende ao longo do ano.

NotreDame Saúde e Labof unem Glória Pires e classe médica para responder dúvidas reais (Crédito: Divulgação)
Por fim, o projeto “Bandeira Viva”, criado pela VML Brasil para o A.C.Camargo, transformou os lenços doados por pacientes durante o tratamento em um monumento têxtil que cresce a cada nova doação.
Denon Oliveira, diretor executivo da VML Brasil, explica que o desafio foi fugir dos estereótipos da causa: “Queríamos ressignificar o lenço para torná-lo um símbolo de coragem e esperança, mostrando que essas mulheres estão vivas e saudáveis celebrando suas conquistas. O desafio foi fugir do clichê sem tratar o tema com sofrimento ou condescendência, conectando a instalação física na entrada do hospital a um grid no Instagram que emula a própria bandeira”.
Thaís Arruda, gerente sênior de comunicação e marketing do A.C.Camargo destaca a adesão interna e a continuidade da ação. “A ideia foi abraçada rapidamente pelas equipes e costureiras voluntárias do hospital. A bandeira começou com 30 lenços e continuará recebendo doações até o Dia Mundial do Câncer em 2027, quando todas as fotos, relatos e peças costuradas se transformarão em um livro e documentário do projeto”.

A.C.Camargo e VML Brasil criam a “Bandeira Viva” para ressignificar lenços de pacientes (Crédito: Divulgação)