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Top 5 big techs preveem investir US$ 750 bilhões em IA

Alphabet, Amazon, Apple, Meta e Microsoft corrigem rotas por conta das dúvidas em relação à tecnologia

i 30 de outubro de 2026 - 14h39

Encerrada a temporada dos balanços trimestrais, as tops 5 big techs, que abrangem Alphabet (controladora do Google e do YouTube), Amazon (líder em comércio eletrônico e computação em nuvem com a AWS), Apple, Meta (proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp) e Microsoft planejam investimentos de capital (Capex) somente em inteligência artificial (IA) com valores que variam entre US$ 733 bilhões e US$ 753 bilhões.

O montante abarca os investimentos até o final deste ano segundo os balanços, mas pode ser corrigido conforme as estratégias de cada empresa.

Esses números foram divulgados em teleconferência com analistas e investidores nos últimos dias e, além desse volume, mostram que o impacto da recente divulgação de balanços do terceiro trimestre provocou forte onda de correção, motivada pelo ceticismo com a alta queima do fluxo de caixa e investimentos massivos em IA.

Fato é que essas empresas, que estão no topo da lista das maiores do mundo em valorização de mercado, estavam avaliadas, juntas, até esta sexta-feira, 30, em US$ 16,7 trilhões (R$ 90,7 trilhões).

Para comparação, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil foi de de R$ 12,7 trilhões no ano passado. Para este ano, a previsão é de crescimento entre 1,8% e 2,2%.

Dados dos balanços das big techs

Na análise comparativa dos balanços, a Microsoft teve receita trimestral de US$ 92,3 bilhões, 19% acima do mesmo trimestre do ano passado, com a expansão da Microsoft Azure, de nuvem, em 48%, sob o impulso da IA. Assim, na avaliação do mercado, a empresa superou as expectativas e a Microsoft subiu 4% na Nasdaq.

A Apple faturou US$ 109,4 bilhões no trimestre, alta de 16,3% com vendas de iPhone e de serviços em alta. No entanto, dada a preocupação com serviços e custos da Apple, a Bolsa registrou queda entre 4% e 6% nas ações.

A Meta, que controla Instagram, Facebook e WhatsApp, registrou receita trimestral de US$ 64,6 bilhões, em alta de 26,1%, com impulso de publicidade (mais de 26% de alta) e impacto de US$ 9,9 bilhões em acordos legais pelo mundo. A Bolsa, portanto, registra viés de alta.

Já a Amazon faturou US$ 201,9 bilhões no trimestre sob o impacto do crescimento da empresa de nuvem AWS, com alta de 39%. Mesmo assim, a as ações tiveram queda de 6% por conta do fluxo de caixa negativo por causa do Capex destinado a IA.

A Alphabet, holding que controla Google e YouTube, entre outros negócios, teve faturamento trimestral de US$ 127,5 bilhões, em alta de 24,65% sobre o mesmo trimestre do ano passado. O lucro líquido foi de US$ 26,1 bilhões, queda de 25,18% sobre o mesmo período de 2025.

Com isso, a análise é que o faturamento foi abaixo do esperado pelo mercado e o lucro ficou 30% abaixo do previsto. Na verdade, o impacto veio do fluxo de caixa negativo de US$ 9 bilhões por conta dos investimentos em IA. Com esses números, portanto, as ações tiveram queda entre 10% e 12%, a pior variação histórica da empresa depois da divulgação de balanço.

Análise do Capex

Sob a ótica da proporção do Capex no balanço trimestral, de fato, cada empresa orientou seus investimentos conforme suas estratégias:

 
Empresa Projeção de investimento anual Foco do destino em inteligência artificial
Amazon US$ 220 bilhões Expandir os data centers da AWS para suportar grandes modelos de linguagem de parceiras (como a Anthropic) e chips proprietários
Alphabet (Google) US$ 195 bi a US$ 205 bilhões Desenvolvimento de supercomputadores, aquisição de GPUs e produção de suas próprias Tensor Processing Units
Microsoft US$ 170 bilhões Expansão massiva da infraestrutura de nuvem do Microsoft Azure e parcerias estratégicas (como contratos de processamento para a OpenAI)
Meta US$ 135 bi a US$ 145 bilhões Compra massiva de chips (como as GPUs da Nvidia) para treinar a família de modelos de código aberto Llama
Apple US$ 13 bilhões A exceção do grupo. Em vez de construir data centers trilionários, foca o caixa no desenvolvimento interno de software e terceiriza a nuvem de IA em acordos com terceiros (como Google Gemini)
Total US$ 733 bi a US$ 753 bilhões  

Infraesturura convencional versus IA

Conforme os balanços, a destinação dos gastos em infraestrutura tradicional versus em IA é a seguinte:

– Amazon: entre 80% e 85% do Capex está previsto para IA e nuvem. A maior parte vai para data centers da AWS e chips customizados. Assim, a logística tradicional de e-commerce (galpões e veículos) ficou em segundo plano.

– Alphabet: 65% dos investimentos para IA e nuvem. Do investimento em infraestrutura técnica, 65% foram para servidores e equipamentos de rede (chips de IA e TPUs) e 35% para construções físicas (terrenos e instalações).

– Microsoft: entre 70% e 75% para IA e nuvem. Já o gasto para infraestrutura versus IA, o Capex está dividido entre a compra de hardware (GPUs e infraestrutura de rede de IA) e contratos de longo prazo com terceiros (GPU-as-a-Service).

– Meta: 85% a 90% do Capex foi destinado a nuvem e IA. Para infraestrutura versus IA, a empresa tem foco quase total na compra de silício (GPUs) para treinar os modelos Llama e rodar o assistente Muse. Ainda, a infraestrutura física padrão está em expansão para suportar energia e refrigeração dos data centers.

– Apple: é o corpo estranho entre as top 5. O Capex da Apple vai para maquinário de fabricação nas fábricas parceiras, e não para data centers maciços de IA. A empresa, de fato, terceiriza o processamento em nuvem com Google e OpenAI.

Projeções até o final do ano

Com base nos números dos balanços, portanto, as projeções de analistas até o final deste ano.

A Apple é a empresa que tem o cenário mais favorável, já que não tem comprometido o Capex com IA ou nuvem. Também são favoráveis os dados da Microsoft porque sua divisão Azure está em alta e a IA tem gerado receitas recorrentes, e os da Meta, cuja publicidade segue forte. No entanto, a empresa precisa, ainda, comprovar o ROI.

Já a avaliação é de alguma volatilidade para Amazon e Alphabet.

De fato, na Amazon, a AWS pode sustentar a valorização da empresa, mas o fluxo de caixa, por causa do Capex de IA, preocupa o mercado.

Para a Alphabet, o crescimento da nuvem é boa notícia para a empresa, contudo, a monetização do uso de IA na busca (ante a busca tradicional do Google) ainda preocupa.