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Alphabet: resultados aumentam dúvidas sobre IA

Ações caem por fluxo de caixa negativo e por receita do terceiro trimestre ficar aquém da estimativa

i 29 de outubro de 2026 - 12h28

A Alphabet, controladora do Google, relatou nesta quarta-feira, 28, resultados decepcionantes no negócio principal da publicidade em busca e alta aceleração nas despesas de capital (Capex), destinadas aos investimentos em inteligência artificial (IA), segundo a Reuters.

“Em mercado preocupado com a IA canibalizando a franquia (ou seja, a busca tradicional), os investidores precisam ver a busca de IA acelerando, não desacelerando”, disse Dave Wagner, gerente de portfólio da Aptus Capital Advisors. “O serviço de nuvem está carregando a história, mas até que a busca mostre que a IA é complementar, a ação, provavelmente, será negociada em baixa.”

A Alphabet reportou fluxo de caixa livre negativo de US$ 9,1 bilhões antes as expectativas dos analistas de que chegaria perto de atingir o ponto de equilíbrio, segundo os dados do London Stock Exchange Group, o LSEG (empresa britânica que fornece dados, infraestrutura e tecnologia para os mercados financeiros em escala global).

Nuvem e IA

Ainda conforme a Reuters, esforços agressivos para aumentar a capacidade da nuvem e financiar o desenvolvimento de IA levaram a Alphabet a gastar US$ 5,9 bilhões no último trimestre.

Assim, como consequência, a receita total não atingiu as metas de Wall Street: o crescimento da receita do Google Cloud superou as expectativas, mas não foi suficiente para compensar a queda de US$ 1,4 bilhão em publicidade.

Além disso, a Alphabet planeja aumentar significativamente o Capex para 2027, dos previstos US$ 195 bilhões deste ano para US$ 205 bilhões, afirmou a diretora financeira da empresa, Anat Ashkenazi, ao falar a analistas em conferência sobre resultados.

Na comparação, a Microsoft que também reportou resultados nesta quarta-feira, viu as ações subirem mais de 5%, impulsionadas por um fluxo de caixa livre positivo que superou as estimativas dos analistas.

Os resultados refletem os custos da expansão da IA, com investidores preocupados tanto com possíveis gastos excessivos quanto com o risco de ficarem para trás dos concorrentes por não gastarem o suficiente.

Dessa forma, a receita total do terceiro trimestre, de US$ 127,6 bilhões, ficou abaixo da estimativa dos analistas de US$ 128,2 bilhões, segundo os dados da LSEG. A receita dos anúncios foi de US$ 82 bilhões, aquém das expectativas de US$ 83,4 bilhões.

O diretor de negócios Philipp Schindler atribuiu uma desaceleração maior do que o esperado no crescimento da publicidade de busca ao maior uso do AI Mode, uma interface de chatbot para o mecanismo de busca com a qual a empresa ainda está experimentando anúncios.

Expansão de anúncios no Modo IA

O Google anunciou na teleconferência que começa a lançar anúncios no Modo IA para mercados internacionais. Entre esses, estão Austrália, Canadá, Índia, Quênia, Malásia, Nova Zelândia, Nigéria, Paquistão, Filipinas e Cingapura.

No quarto trimestre deste ano, os anúncios em Modo IA devem chegar ao Brasil, México e Reino Unido.

A Alphabet tentou compensar o desempenho decepcionante da publicidade, disse a Reuters, com o destaque de sua unidade de computação em nuvem. A receita do Google Cloud superou as estimativas e mais do que dobrou: chegou a US$ 30,7 bilhões no terceiro trimestre encerrado em 30 de setembro.

Com isso, o Google Cloud é o terceiro maior provedor de serviços em nuvem do mundo, atrás apenas da Amazon Web Services (AWS) e da Microsoft Azure.

A Alphabet, Microsoft, Amazon e Meta devem investir, juntas, mais de US$ 700 bilhões até o fim deste ano para expandir a presença dos data centers de IA, em chips e na capacidade de redes de alto desempenho.

Números do terceiro trimestre da Alphabet

– Receita total: cresceu 25% em relação ao mesmo período do ano anterior e chegou a US$ 127,5 bilhões.

– Google Search & outros: gerou US$ 63,3 bilhões (alta de 12%), com taxa de crescimento de consultas no maior patamar dos últimos cinco anos.

– Google Cloud: saltou 103% em relação ao ano anterior, e chegou a US$ 30,7 bilhões, impulsionado pela infraestrutura e soluções de IA

– Lucro líquido: ficou em US$ 26,1 bilhões, impactado por perda líquida com títulos de participação acionária de US$ 8,7 bilhões.

– Fluxo de caixa livre: ficou negativo em US$ 9 bilhões, pressionado por fortes investimentos em despesas de capital (Capex) voltadas à IA.

YouTube Ads cresce 9%

No terceiro trimestre de 2026, a receita do YouTube Ads alcançou US$ 11,2 bilhões, crescimento de 9,2% em relação ao mesmo período do ano anterior

Apesar disso, a divisão de anúncios em vídeo acendeu um sinal de alerta por ter ficado abaixo das expectativas de Wall Street e apresentar desaceleração no seu ritmo de crescimento.

Os principais pontos que explicam o momento do YouTube Ads incluem: ritmo de crescimento menor, força das TVs conectadas (CTV), já que a visualização do YouTube em telas de CTV  passou a responder por um terço (33%) de toda a receita de anúncios da plataforma; impacto dos criadores e marcas: campanhas focadas em reconhecimento de marca (brand awareness) continuam a ser a maior fonte de contribuição para o faturamento; e contraponto com assinaturas: embora a publicidade tenha desacelerado, o ecossistema do YouTube compensou com o avanço de usuários pagos, superando a marca histórica de 150 milhões de assinantes no mundo somando o YouTube Premium e o YouTube Music.

Publicidade do Google

O mercado geral de publicidade do Google somou US$ 82 bilhões, mas analistas apontam que o YouTube enfrenta maior concorrência por atenção e orçamentos em formatos de vídeo curto por parte de plataformas rivais.

A engrenagem publicitária da Alphabet continua sendo uma das maiores forças do mercado digital, mas os números do terceiro trimestre de 2026 mostram um cenário complexo: enquanto a receita cresce, a pressão de rivais no formato de vídeos curtos gerou reflexos claros no ritmo do YouTube.

A divisão total de anúncios da empresa gerou US$ 80 bilhões no trimestre, alta de 10,6% em comparação ao ano anterior. A composição desse faturamento se dividiu com Google Search e outros, com US$ 63,3 bilhões, que continua a ser o motor principal e mais resiliente da empresa; o YouTube Ads, com US$ 11,2 bilhões, que se expandiu, mas desacelerou em comparação com os trimestres anteriores de 2026; e o Google Network (parceiros), que respondeu pelo restante da receita de publicidade digital.