inteligência artificial

IA muda estratégias das agências para a Black Friday

Lideranças da Crispin, R/GA e Gut explicam como marcas se adaptam à influência da tecnologia na jornada de compra

i 30 de outubro de 2026 - 6h00

A inteligência artificial passa a influenciar a pesquisa de produtos e as estratégias de comunicação para a Black Friday 2026 (Crédito: Lizavolk/Adobe Stock)

A inteligência artificial passa a influenciar a pesquisa de produtos e as estratégias de comunicação para a Black Friday 2026 (Crédito: Lizavolk/Adobe Stock)

As agências de publicidade já consideram o uso da inteligência artificial (IA) pelos consumidores no planejamento para a Black Friday 2026.

A pesquisa “Nova Lógica de Compra”, conduzida pela Gauge, Ecglobal e W3haus, empresas da unidade de negócios Stefanini Marketing, em parceria com a First Answer, mostra que nove em cada dez consumidores com acesso à internet utilizam IA nas compras.

Além disso, 52% pretendem intensificar o uso nos próximos meses, e 90% afirmam ter conhecido novas marcas por meio dessas ferramentas.

“A Black Friday sempre foi uma disputa por atenção. Neste ano, uma parte importante dessa disputa acontece antes de o consumidor chegar ao site, ao app ou à loja: ele começa perguntando para uma IA qual é a melhor opção e quais são as melhores ofertas a partir de um contexto individual”, afirma Giacomo Groff, managing director da R/GA.

A agência trabalha em três frentes: organizar as informações das marcas para que sejam compreendidas pelos sistemas de IA, facilitar a compra nesses ambientes e preparar as empresas para ter seus próprios agentes na jornada de consumo.

A clareza das informações também ganha importância quando as plataformas comparam produtos e ofertas. Em categorias como eletrônicos, isso significa antecipar questões como a duração da bateria de um celular ou a relação entre preço e benefícios de um notebook.

“O que pesa são informações verificáveis: preço real, condições, prazo de entrega, política de troca e reputação”, explica Giacomo. 

Na Crispin, o planejamento começa pelo mapeamento das perguntas que os consumidores fazem sobre cada categoria e dos atributos que consideram importantes na comparação entre produtos.

A agência também avalia como as informações aparecem em sites, marketplaces e outros canais de venda, além de acompanhar a presença das marcas nas respostas das plataformas de IA.

“Precisamos construir presença e disponibilizar informações úteis desde a fase de pesquisa, para que a marca entre no conjunto de opções consideradas quando o consumidor estiver pronto para decidir”, explica Renata Serafim, vice-presidente de estratégia da Crispin.

“A IA acrescenta uma camada à jornada de compra, mas não elimina os fundamentos de uma boa estratégia. Comunicação e mídia ajudam a construir interesse e consideração, enquanto produto, preço, conveniência e condições comerciais influenciam a decisão”, complementa Renata.

Preferência e confiança na decisão de compra

Para Bruno Facundes, diretor de estratégia da Gut, os consumidores ainda levam em conta preço, prazo de entrega, atendimento e confiança na loja, mesmo quando delegam a pesquisa à inteligência artificial.

Por isso, a agência trabalha a construção de preferência antes do período promocional, com um planejamento que envolve diferentes áreas.

“Nosso plano precisa garantir que a marca fale a mesma língua em todos os pontos de contato, tanto para o consumidor final quanto para as IAs que pesquisam por ele”, afirma Facundes.

“Mostrar que um celular aguenta o dia todo fora da tomada conecta muito mais do que simplesmente listar suas especificações técnicas. Essa abordagem eleva a exigência sobre o processo criativo, afinal, se todos explicarem seus produtos da mesma forma, nada se destaca”, completa.