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Daniel Hulme: “A IA elevará a criatividade humana”

Chief AI officer do WPP defende uso de IA nos problemas que diferenciam negócios e alerta para apostas erradas

i 30 de setembro de 2026 - 10h45

Daniel Hulme

Daniel Hulme foi o entrevistado da trilha Conexão Global no segundo dia do Maximidia 2026 (Crédito: Máquina da Foto)

Em vez de definir o que é inteligência artificial (IA), é melhor olhar para os problemas que ela pode resolver. Essa é a visão de Daniel Hulme, chief AI officer global do WPP e CEO da Conscium, que participou da trilha Conexão Global, nesta quarta-feira, 30, no Maximídia 2026.

Fundador da Satalia, empresa de IA comprada pelo WPP há cinco anos, o executivo é formado na área há 27 anos. Segundo ele, a definição mais popular de IA é “de longe a mais fraca”: fazer computadores realizarem o que humanos fazem. Hulme prefere um conceito dos anos 80, o do comportamento adaptativo direcionado a objetivos: sistemas que tomam decisões, aprendem se foram boas ou ruins e se adaptam. Ele diz que foi isso que o atraiu para a área: “Se você está curioso sobre a mente humana, se você está curioso sobre inteligência, qual é o nosso lugar no universo, se estamos vivendo em uma simulação, você não pode deixar de se envolver na computação”, conta.

Para Hulme, os grandes modelos de linguagem (LLMs) não resolvem tudo. Eles não servem para prever desempenho, tarefa para a qual o WPP trabalha com a DeepMind, e o executivo chama de “cortina de fumaça” a ideia de que dissolverão o marketing. Ele destaca que o marketing é um “problema caótico de segunda ordem”: quanto mais exata a previsão do comportamento do consumidor, mais esse comportamento muda, e os modelos ficam defasados.

Na criatividade, o executivo descarta a IA como ameaça. Segundo ele, a tecnologia transforma os criativos em superusuários, capazes de passar de cinco para cinquenta boas ideias, mas ainda é preciso “gosto humano” e intuição para escolher as melhores. “A criatividade será absolutamente um diferencial”, ressalta.

O executivo explica que a adoção plena da tecnologia nas empresas exige liberar os funcionários para inovar, atrair especialistas em IA e escolher os parceiros certos. Hoje, pontua, muitas organizações gastam energia construindo soluções que poderiam comprar prontas. Na Conscium, Hulme investiga se é possível e desejável construir uma máquina consciente. A tese é que uma superinteligência que entenda dor, empatia e amor seria mais segura do que uma “zumbi”.

“Nós temos que abordar essa tecnologia com os olhos bem abertos e, como qualquer ferramenta, ela pode ser usada para o lado positivo e para o lado negativo”, pontua.

Hulme mantém uma postura otimista, mas atenta aos riscos. Ele cita o chamado “AI slop”: pessoas pedem conteúdo à IA, presumem que é verdadeiro e o espalham pelos canais, o que alimenta um ciclo em que a tecnologia aprende com informações erradas.

Atualmente, Hulme vê valor na forma como a sociedade usa a ferramenta e explica que existe três principais usos pessoais da IA: como terapeuta, para tarefas e para encontrar propósito. Ele diz que uma das esperanças para os próximos anos é que a tecnologia permita às pessoas cumprir o propósito de viver não só para si, mas para outros seres humanos.

Hulme resume que a fórmula das organizações que terão sucesso combina dados proprietários, talento forte e liderança que entenda a tecnologia a fundo para fazer as apostas certas. Ao final, deixou um conselho: “Quando um gênio dá um desejo, a gente pede mais desejos, então, o caminho é buscar o máximo de conselhos possível com quem entende profundamente a tecnologia”.