Google revê política de segmentação de anúncios

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Google revê política de segmentação de anúncios

Para evitar discriminação, anunciantes não poderão usar filtros como gênero, idade e CEP para direcionar sua publicidade em áreas como emprego, moradia e serviços de crédito


15 de junho de 2020 - 13h14

Política ainda não tem data definida para entrar em vigor (Crédito: Prykhodov/istock)

Por George P. Slefo, do AdAge

O Google anunciou que está introduzindo uma nova política que pretende restringir práticas discriminatórias de segmentação de anúncios. Segundo a companhia, os anunciantes não poderão mais usar gênero, idade, estado civil, CEP e condição parental para segmentar os consumidores em áreas como emprego, moradia e serviços de crédito.

Embora o gigante de tecnologia não tenha fornecido um cronograma específico de quando a nova política entra em vigor, Scott Spencer, vice-presidente de gerenciamento de produtos para privacidade e segurança de anúncios do Google, diz que as mudanças serão lançadas “o mais rápido possível”.

Nos Estados Unidos, o movimento Black Lives Matter tem provocado muitos líderes da indústria a olhar para suas tecnologias de publicidade em busca de possíveis práticas discriminatórias. A Vice Media, por exemplo, convidou os anunciantes a reexaminarem suas listas de segmentação por palavras-chave, já que recentemente alguns começaram recentemente a bloquear palavras como “negros” e “BLM”.

Na segunda-feira, 8, Will Cady, chefe de estratégia de marca do Reddit, descreveu o impacto das chamadas listas brancas na mídia multicultural. “O que começou como uma medida protecionista para os anunciantes manterem suas marcas distantes do conteúdo tóxico evoluiu para uma cruzada moral de alavancagem financeira para limpar toda a internet”, escreveu ele. “O problema é que a prática da ‘lista branca’ determina onde o dinheiro e, portanto, os recursos, fluem pela Internet – e seus padrões estão repletos de preconceitos inconscientes.”

A lei federal norte-americana proíbe práticas de segmentação que usam categorias como raça e religião, mas a complexidade das tecnologias de publicidade podem torná-las invisíveis para o público geral. Spencer afirmou que o Google vem trabalhando junto ao Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos EUA nessas mudanças “há algum tempo”.

“Por mais de uma década, nós também temos políticas de publicidade personalizadas que proíbem os anunciantes de segmentar usuários com base em categorias sensíveis relacionadas à sua identidade, crenças, sexualidade ou dificuldades pessoais”, escreveu Spencer . “Isso significa que não permitimos que os anunciantes segmentem anúncios com base em categorias como raça, religião, etnia ou orientação sexual, para citar alguns. Avaliamos e desenvolvemos regularmente nossas políticas para garantir que elas estejam protegendo os usuários de comportamentos como discriminação ilegal”.

O executivo também apontou os esforços do Google na distribuição de US$ 1 bilhão para o desenvolvimento de moradias populares na área da baía de São Francisco, o que levou a inauguração de centenas de unidades em seis meses.

“Nós apreciamos as orientações do Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano em nos ajudar a progredir nessas questões importantes”, acrescentou Spencer. “Nós vamos continuar trabalhando com o Departamento, especialistas em direitos civis e habitação e com a indústria de publicidade para tratar da discriminação na segmentação de anúncios”. No ano passado, o Facebook anunciou uma medida parecida com a adotado pelo Google para a publicidade em sua plataforma.

*Tradução: Taís Farias

**Crédito da foto no topo: JBKdviweXI/ Unsplash 

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