Como funciona a TV 3.0 no mundo?
São quatro padrões globais: EUA e Coreia; Europa, África e Oceania; AL e Japão; e China e mercados emergentes
De acordo com o banco de dados interno da 6Wresearch e insights do setor, o mercado global de TV digital foi avaliado em US$ 250 bilhões em 2024 e espera-se que atinja US$ 320 bilhões até 2031.
No Brasil, a TV digital é, oficialmente, o Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD-T).
O setor, em todo o mundo, está em expansão significativa.
Sobretudo, isso se deve ao impulso dos avanços tecnológicos, pela crescente demanda por conteúdo em alta definição (HD) e pela transição para a transmissão digital (no País, para DTV+ ou TV 3.0).
O rápido crescimento tem a ver com a crescente adoção de CTV, conteúdo HD e serviços de streaming over-the-top (OTT).
Com a alta demanda por experiências de visualização personalizadas e interativas, de fato, há uma mudança para tecnologias como resolução 4K e 8K, HDR e interfaces controladas por voz.
Ainda, o crescimento da conectividade à internet (via 4G ou 5G) e a proliferação de dispositivos móveis levaram à expansão dos serviços de TV digital além das plataformas tradicionais de transmissão.
Oportunidades e desafios da TV 3.0
As oportunidades incluem:
– O desenvolvimento de modelos inovadores de entrega de conteúdo,
– Parcerias entre provedores de conteúdo e fabricantes
– Integração de inteligência artificial (IA) e análise de dados para recomendações personalizadas.
Portanto, à medida que as preferências dos consumidores evoluem, as empresas focam em aprimorar a experiência do usuário e as ofertas de conteúdo para se manterem competitivas no dinâmico cenário da TV digital.
Por outro lado, há vários desafios, inclusive avanços tecnológicos rápidos que levam à obsolescência frequente dos produtos, intensa concorrência entre atores-chave, requisitos complexos de licenciamento e regulação em diferentes regiões, e a necessidade de inovação contínua para atender às preferências em mudança dos consumidores.
Além disso, a crescente popularidade do streaming e das plataformas OTT revolucionou os modelos tradicionais de negócios televisivos.
Isso, de fato, representa ameaça ao crescimento dos serviços de televisão digital por meio de seus players tradicionais, como as emissoras de TV aberta.
Nesse contexto, a Ásia, especialmente em países como China, Índia e Japão, o mercado passa por rápida adoção devido ao aumento da renda disponível e avanços tecnológicos.
A América do Norte é um mercado maduro para TV, com forte presença de players chave e alta demanda por serviços avançados de televisão.
A Europa também é uma região proeminente no mercado, impulsionada por mandatos regulatórios para a transição para a radiodifusão digital.
Ainda, no Oriente Médio e na África, o mercado cresce de forma constante, apoiado pela melhoria da infraestrutura e pelo aumento da demanda dos consumidores.
Já a América Latina apresenta potencial promissor de crescimento com investimentos crescentes em infraestrutura digital e população crescente de classe média que impulsiona a demanda por serviços de televisão digital.
Os padrões da “TV 3.0” global
São, pelo menos, quatro os padrões da TV digital terrestre, os quais variam conforme a região. Assim, estão em diferentes patamares de evolução dadas suas próprias peculiaridades:
América do Norte e Coréia do Sul
A região que inclui Estados Unidos, Canadá e México e, de forma isolada na Ásia, a Coreia do Sul, adotam o padrão ATSC 3.0, que é a versão da TV 3.0 desses países.
O ATSC (Advanced Television Systems Committee) 3.0 combina sinais de transmissão terrestre com a arquitetura de protocolo de internet (IP) de banda larga, ou seja, une o broadcasting ao broadband.
Nos Estados Unidos, os sinais de TV ATSC 3.0 já alcançam mais de 76% dos domicílios.
No entanto, a adoção de sintonizadores de TV integrados enfrenta barreiras e marcas como a LG removeram completamente o ATSC 3.0 de seus modelos devido a disputas de patentes.
Para combater isso, a indústria americana tem lançado conversores HDMI certificados com preços abaixo de US$ 60 para conquistar os consumidores que abandonam a TV a cabo.
Além da televisão, as emissoras usam o ATSC 3.0 para monetização alternativa, inclusive para redes de backup de GPS de precisão e transmissão de dados de alta velocidade para veículos conectados.
Europa, África e Oceania
Essas regiões adotam, para TV digital, o padrão DVB-T2 (Digital Video Broadcasting – Second Generation Terrestrial) e a transição para a “TV 3.0” é chamada de “transmissão 5G”.
A Europa foi pioneira no padrão DVB-T2, mas, agora, se concentra fortemente em atingir smartphones diretamente via transmissão 5G (padrão 3GPP Release 16+).
Ao contrário do streaming tradicional, a transmissão 5G permite que as redes terrestres transmitam TV e rádio ao vivo diretamente para smartphones sem usar dados celulares ou cartões SIM.
Após testes de campo massivos durante grandes eventos esportivos europeus recentes, implantações comerciais estão planejadas na Alemanha e na Espanha este ano e em 2027.
Ainda, haverá implantação em larga escala por operadoras como a TDF da França para 2028 e 2030.
Os reguladores europeus priorizam a transmissão 5G como rede soberana segura.
Teoricamente, isso garante sistemas de alerta de emergência confiáveis e entrega de notícias críticas durante falhas graves na rede de telecomunicações.
América Latina e Japão
O padrão ISDB-T (Integrated Services Digital Broadcasting – Terrestrial), do Japão, domina a América Latina devido à sua robustez para atender terrenos geográficos complexos.
Embora a maior parte da região elimine gradualmente os sinais analógicos legados, as ondas finais do desativamento analógico (ASO) estão em conclusão.
No entanto, a Argentina adiou sua transição final para o ano que vem e a Bolívia para 2028.
No Brasil, o Padrão TV 3.0 (oficialmente, DTV+) já está em operação pela TV Globo e é acessível pelo usuário por meio do kit da TV 3.0, já disponível para compra pela internet.
Esse padrão integra elementos físicos e de transporte do padrão americano ATSC 3.0 sobre uma base ISDB-T.
De fato, isso permite oferecer vídeo OTA 4K/8K HDR, navegação personalizada de canais por aplicativos e publicidade programática de televisão direcionada.
China e mercados emergentes
O padrão DTMB (Digital Terrestrial Multimedia Broadcast), que é proprietário da China, atende ao maior mercado único de TV terrestre do mundo.
Funciona em outras regiões como Cuba, Paquistão e partes do Sudeste Asiático.
As emissoras dessas regiões usam amplamente o DTMB para levar conteúdo Ultra HD (4K) gratuito para áreas rurais e suburbanas.
O objetivo é reduzir a exclusão digital onde a infraestrutura de banda larga de fibra óptica é comercialmente inviável.