Os planos do Google com o Centro de Engenharia no Brasil
Complexo receberá os primeiros funcionários em julho e terá laboratório de segurança e tecnologias assistivas
Nas próximas semanas, o Centro de Engenharia do Google em São Paulo receberá os seus primeiros funcionários. O espaço foi inaugurado em maio e fica instalado no Prédio 1 do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), na Cidade Universitária. Ao todo, o Centro terá capacidade para receber até 400 funcionários.

Edifício Adriano Marchini, construído na década de 1940, passou por um processo de modernização (Crédito: Mark Wickens/ Divulgação)
Esse é o segundo Centro de Engenharia do Google no País. O primeiro escritório da companhia fica em Belo Horizonte.
Em São Paulo, além do Centro, o complexo abrigará as novas instalações da aceleradora Google Campus em uma área anexa; o primeiro Accessibility Discovery Center na América Latina, um laboratório de tecnologias assistivas; e o primeiro Google Safety Engineering Center (GSEC) hub para disseminar princípios de segurança e formas de combater ameaças online.
O processo do Google para ocupar o IPT começou ainda em fevereiro de 2024 quando a companhia participou do chamamento público do Governo do Estado de São Paulo e assinou contrato de cooperação técnica com o Instituto. O acordo permitiu integrar o Centro ao IPT Open, programa de inovação aberta que envolve outros centros de inovação.
Nos anos seguintes, o Google entregou as contrapartidas previstas pelo contrato até a inauguração. Em entrevista Alex Freire, diretor sênior de engenharia e líder do novo Centro de Engenharia do Google em São Paulo, explica o processo e os planos com a nova instalação:
Meio & Mensagem – De 2024 com o início do acordo de cooperação técnica até a inauguração na última semana, quais foram as etapas? Como se deu o processo?
Alex Freire – Após o IPT abrir o chamamento público e cumprirmos todas as etapas, aprovamos um plano de trabalho detalhado para operar a parceria com o instituto. Desde que o contrato de cooperação técnica foi assinado com o IPT e o Governo do Estado de São Paulo, em fevereiro de 2024, as atividades se concentraram em duas frentes principais: a entrega de contrapartidas ao IPT — que incluiu a renovação de espaços para receber uma biblioteca, um espaço maker e um espaço de acervos — e uma modernização do Edifício Adriano Marchini, construído na década de 1940. O projeto arquitetônico foi baseado no conceito de reuso adaptativo, que recupera estruturas antigas para novos fins tecnológicos, preservando o patrimônio histórico e as características originais do edifício enquanto moderniza o seu interior.
M&M – Quais serão as prioridades dessa expansão da engenharia para São Paulo? Que temas estão na agenda?
Alex – Nossa principal prioridade será a privacidade, a segurança e a proteção dos usuários, foco que ganha força com a chegada do Google Safety Engineering Center (GSEC) a São Paulo, o primeiro da América Latina focado em infraestruturas anti-abuso e segurança digital. Um grande exemplo desse trabalho prático com protagonismo da engenharia brasileira é o uso de Inteligência Artificial para o desenvolvimento global de soluções como a proteção contra roubo de celulares e o recurso de Recuperação de Conta por Vídeo Selfie, que valida a identidade do usuário de forma rápida e segura. O complexo também abrigará iniciativas de comunidade e inclusão, como o Accessibility Discovery Center (ADC) e apoiando Startups no Google Campus, mantendo o coração da nossa engenharia dedicado a criar barreiras cada vez mais fortes para proteger as pessoas online.
M&M – Em termos de inovação aberta, que oportunidades essa proximidade com o ecossistema da Cidade Universitária gera? O que já está mapeado?
Alex – A proximidade geográfica gera a oportunidade de estabelecer treinamentos, workshops, sessões de feedback contínuas e conexões diretas entre engenheiros do Google, laboratórios e pesquisadores residentes em universidades. Em termos de integração e conexão cultural com o ecossistema local, a própria arquitetura interior do edifício reflete esses pontos de contato por meio de elementos específicos de convivência e design. O coração do complexo é a Praça Luiz André Barroso, uma área interna projetada em homenagem ao engenheiro carioca que foi o primeiro brasileiro contratado pela empresa e alcançou o nível de Google Felow por revolucionar a computação em nuvem globalmente. A praça abriga, no andar térreo do edifício, uma cafeteria aberta ao público externo, desenhada para permitir a circulação de estudantes e visitantes da Cidade Universitária. As oportunidades já têm se concretizado, como por exemplo na oferta do primeiro curso de Cibersegurança oferecido ano passado pelo IME/USP em parceria com profissionais especialistas do Google, e a Cátedra IA Responsável, uma parceria com o IEA/USP que fomenta a pesquisa ligada ao uso e adoção de IA e como fazer isso com ousadia e responsabilidade levando em consideração as peculiaridades da sociedade brasileira.