Algoritmos invisíveis: FDC aponta tendências para 2026
Estudo em parceria com a Be Intelligence aponta movimentos que podem ajudar a preparar seus negócios
A Fundação Dom Cabral, em parceria com a consultoria Be Intelligence, apresentou o relatório Horizontes 2026. A proposta do estudo é ajudar os executivos a tomar decisões de negócio em um mundo marcado pela proximidade entre humanos e tecnologia.

Estudo aborda conexão entre marcas, tecnologia e humano (Créditos: Igor Link/Shutterstock)
Enquanto cresce a consciência de como usar as ferramentas da inteligência artificial para otimizar processos, os seres humanos devem voltar ao centro das estratégias e buscar marcas cada vez mais autênticas. Nesse contexto, e estudo compilou as principais tendências e movimentos sociais que podem ajudar as companhias a preparar os seus negócios em três esferas:
Ser acima de ter
Na análise do estudo, no que tange o comportamento humano, o tempo se tornou o novo luxo. Isso porque, ao se tornar o ativo mais escasso na sociedade contemporânea, ele também se converteu em um indicador de status social e símbolo de ostentação. Assim, ganham força os negócios da economia da experiência.
São exemplos dessa premissa plataformas que envolvem curadoria humana e clubes exclusivos, como o modelo da Soho House. Não à toa. Marcas tradicionais do universo do luxo, como a Dior, já investem em jornadas de bem-estar, vendendo momentos de desconexão.
Em contrapartida, o excesso de telas criaria um esgotamento generalizado e a inteligência artificial ascende com um “terapeuta de bolso” em meio à falta de acesso aos profissionais e as relações deterioradas.
Algoritmos invisíveis
Em algoritmos invisíveis, o estudo da FDC e da Be Intelligence aborda o impacto da IA no marketing e na jornada de compra. A principal mudança estaria no fim da busca como a conhecemos. Hoje, segundo dados da Bain & Company, 60% das pesquisas já terminam nos resumos gerados por IA, sem cliques em links.
Esse movimento muda não só a jornada de compra como desloca os investimentos do SEO (Search Engine Optimization) para GEO (Generative Engine Optimization) e os profissionais de marketing precisarão, ao invés de operar ferramentas, ser capazes de garantir que a sua narrativa de marca oriente a IA.
Outra tendência destacada pelo estudo é o vibe coding, método que usa os modelos de linguagem para desenvolver softwares. Na prática, isso permite uma democratização da programação em um cenário em que os colaboradores podem testar rapidamente suas ideias. A IA deve permitir ainda uma segmentação por micromomentos e comportamentos em tempo real, substituindo os dados demográficos.
Sociedade multifacetada
O estudo abordou, ainda, mudanças demográficas e movimentos culturais que devem desafiar generalizações nos próximos anos. O primeiro deles é o envelhecimento populacional. Em 2024, os brasileiros com mais de 50 anos movimentaram R$ 1,8 trilhão, segundo estudo do Data8. Ainda assim, o público segue sendo tratado de maneira estereotipada pelas marcas, de acordo com a análise.
Em contrapartida, a Geração Z chega à fase adulta sem poder de compra para grandes bens, como imóveis e carros, mas investe no que o estudo descreve como “luxos acessíveis”, como batons de grife e itens de entrada.
Outra mudança cultural está no soft power asiático com o sucesso da cultura pop coreana e a presença de plataformas chinesas no varejo, como Temu e Shein, que passaram a ditar tendências globais. O relatório ainda destaca a popularização dos medicamentos à base de GLP-1, que impacta diferentes indústrias e a discussão sobre aceitação corporal.