Havaianas Caquinhos: o que desejo orgânico mostrou à marca?
Modelo Caquinhos gerou grande repercussão antes do lançamento, impulsionado pela identificação do público

Havaianas: repercussão orgânica do modelo Caquinhos reforçou estratégia da marca (Créditos: Arte gerada com IA/Imagem: Divulgação)
Antes mesmo de ser divulgada oficialmente pela Havaianas, a estampa Caquinhos já circulava nas redes sociais. O modelo, inspirado nos famosos pisos de caquinhos presentes em casas, calçadas e prédios dos anos 40 e 50, que eram reaproveitados por funcionários de uma fábrica de cerâmica de São Paulo após descarte, começou a aparecer em publicações espontâneas de consumidores e passou a despertar curiosidade sobre a peça e onde seria possível adquiri-la.
Segundo Juliana Soncini, diretora de marketing Latam da Havaianas, a repercussão não partiu de uma estratégia prévia de seeding ou de uma circulação intencional do produto entre criadores. “Aconteceu de forma totalmente espontânea. O modelo começou a ser visto nas lojas e rapidamente ganhou as redes sociais, antes mesmo da comunicação oficial da coleção completa, que se chama Exuberância Cheia de Brasil”, afirma.
De acordo com a executiva, a identificação do público com a estampa foi quase imediata. “Os caquinhos fazem parte da memória visual e afetiva de muitos brasileiros. Ver essa referência reinterpretada em Havaianas despertou curiosidade, nostalgia e vontade de compartilhar, transformando o produto em um assunto que nasceu naturalmente das conversas genuínas das pessoas”, diz.
Foco no imaginário nacional
A estampa Caquinhos é uma das quatro criações inéditas do drop Exuberância Cheia de Brasil, coleção que busca traduzir símbolos da cultura nacional em produtos. Além dela, a linha conta com modelos inspirados em bordados tradicionais, na fauna e na flora brasileiras.
Apesar da movimentação nas redes ter ampliado a procura pelo produto, Juliana afirma que a distribuição inicial não foi pensada para criar uma percepção de item raro. O modelo chegou primeiro às lojas físicas antes de estar disponível no e-commerce, mas, segundo ela, isso fazia parte de um cronograma de lançamento já tradicional da Havaianas.
“O que surpreendeu foi a velocidade com que o modelo conquistou as pessoas e passou a circular organicamente nas redes, impulsionado pela identificação imediata com essa referência tão presente no imaginário brasileiro”, afirma.
A estratégia de transformar referências culturais brasileiras em produto não é nova para a Havaianas. Desde os anos 1990, quando a marca passou a posicionar o chinelo também como item de moda, a conexão com códigos nacionais se tornou parte de sua construção. “Mais do que reproduzir símbolos brasileiros, buscamos contar histórias por meio deles, valorizando a riqueza cultural do país de forma criativa e relevante”, diz Juliana.
A força da cultura brasileira nos produtos Havaianas
A repercussão da Caquinhos também se soma a outros movimentos em que consumidores ajudaram a pautar a narrativa da marca. Ela cita o caso da Havaianas Encardida, nome que surgiu a partir de um apelido criado pelo público e depois foi incorporado pela marca de forma bem-humorada: “Para nós, esse é mais um exemplo de como um produto que nasce de um insight autêntico e conectado à cultura pode ganhar vida própria nas redes sociais”.
Mesmo com o sucesso do modelo, a executiva diz que o caso não necessariamente muda a estratégia para novos produtos da companhia, mas reforça que movimentos espontâneos como esse é o que faz com que a Havaianas siga fazendo parte da rotina de potenciais e antigos consumidores ao longo dos anos.
“É essa combinação entre autenticidade, moda e inovação que mantém a marca relevante para quem cresceu com a gente e, ao mesmo tempo, desperta o interesse de novas gerações. Quando o produto tem uma conexão verdadeira com a cultura e desperta reconhecimento imediato, a conversa acontece de forma natural e esse é sempre o melhor ponto de partida para uma marca como Havaianas.