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Fifa e Uefa: entenda a crise que pode afetar as Copas

Entidade europeia afirma que suas 55 associações-membro rejeitam a proposta da Fifa de transferir participações a investidores privados

i 30 de julho de 2026 - 15h51

Presidente da Fifa diz que quer desbloquear valores subaproveitados (Crédito: Harry-Langer-DeFodi-Images-DeFodi-via-GettyImages)

Presidente da Fifa diz que quer desbloquear valores subaproveitados (Crédito: Harry-Langer-DeFodi-Images-DeFodi-via-GettyImages)

A Uefa (sigla de União das Associações Europeias de Futebol) anunciou nesta quinta-feira, 30, que suas 55 federações nacionais não participarão mais de competições chanceladas pela Federação Internacional de Futebol Associação (Fifa).

O posicionamento da entidade europeia é uma resposta à proposta da entidade máxima do futebol em apresentar uma subsidiária de propriedade, que seria controlada pela própria Fifa, consolidando os direitos comerciais e as operações de eventos.

De acordo com documentos, o Fifa Forward Enterprise é uma adição às várias subsidiárias já existentes, estabelecidas ao longo dos anos, cada uma com suas próprias funções específicas e distintas e nasce com o objetivo de aumentar o valor dessas propriedades em benefício das 211 Associações Membro da FIFA e do futebol em geral, desbloqueando o valor comercial que antes não havia sido aproveitado.

A Uefa, no entanto, afirma que a Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Em nota divulgada à imprensa e também em suas redes sociais, a entidade afirma que “nenhuma parte dele deve, jamais, ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda”.

A entidade afirma, ainda, que é irresponsável e indefensável que uma proposta de tal importância para o futebol tenha sido concebida “em segredo” e levada à beira da aprovação sem qualquer consulta significativa com aqueles a quem foi confiada a gestão do desporto. “Isto não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma renúncia ao dever da FIFA enquanto guardiã do futebol mundial”, completa.

Com essa decisão, a primeira grande competição afetada já seria a Copa do Mundo feminina, que acontece ano que vem no Brasil. Procurada pela reportagem, a Fifa não se manifestou sobre o posicionamento da Uefa até o momento da publicação desta reportagem.

Veja um trecho do pronunciamento da Uefa:

“No momento em que os investidores externos adquirem participações nas competições da FIFA, o futebol muda para sempre. O retorno comercial torna-se uma obrigação permanente. As expectativas dos investidores transformam-se numa pressão diária. A partir desse momento, todas as decisões relativas ao calendário internacional, aos formatos das competições e ao futuro do futebol deixam de ser orientadas pelo que melhor serve o desporto, passando a ser orientadas pelo que melhor serve os accionistas.

Este modelo não tem lugar no futebol mundial. O futuro do futebol não pode ser ditado pelas expectativas daqueles cujo principal dever é maximizar o retorno financeiro. Nem os interesses das federações nacionais, das ligas, dos clubes, dos jogadores e dos adeptos podem ficar subordinados aos retornos dos investidores. O futebol não pode hipotecar o seu futuro em troca de ganhos financeiros.

A posição da Europa é clara. Nunca conferiremos legitimidade a este modelo. Ninguém tem autoridade moral para vender aquilo que apenas detém como herança para a próxima geração.

Na sequência do debate de hoje, nenhuma selecção nacional da UEFA participará em qualquer competição da FIFA enquanto estas propostas se mantiverem em vigor, a menos que esta proposta tenha sido totalmente abandonada e tenham sido dadas garantias vinculativas de que a FIFA nunca mais abrirá a sua governação ou as suas competições à propriedade privada.

Que fique bem claro para todos: a UEFA e as suas federações nacionais irão opor-se a estes planos com determinação absoluta”.

Repercussão em outras ligas

A Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) também se posicionou contra plano da Fifa de vender participações comerciais da Copa do Mundo.

Em uma nota, publicada pelo jornal norte-americano The Guardian, a entidade classificou esse processo como carente de transparência e criticou a condução da Fifa sobre o assunto, tendo em vista que afirma ter ficado sabendo da proposta apenas por meio da imprensa.

Até o momento, a Confederação Sul-Americana (Conmebol), que engloba a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) entre seus membros, e a Confederação Africana de Futebol (CAF) ainda não se posicionaram sobre o assunto.

Gianni Infantino defende Fifa Forward Enterprise

Em comunicação oficial, o presidente da Fifa, Gianni Infantino defendeu a criação do Fifa Forward Enterprise, afirmando que esse é um processo democrático, que só acontecerá de acordo com a aceitação da maioria dos membros.

“É, na verdade uma oferta, parte de um processo democrático, uma consulta, e acima de tudo uma oportunidade, não uma obrigação”, disse. O presidente afirma, ainda, que a empresa seria uma subsidiária de propriedade e controle da Fifa, consolidando as operações comerciais e que desbloquearia um valor comercial antes subaproveitado.

“Capturar esse valor exige expertise adicional, insights adicionais distintos de governar e desenvolver o esporte”, comentou.

Os planos da entidade é que, com a venda de ações permitiria aumentar o repasse para cada federação filiada O valor cresceria de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões, enquanto a entidade arrecadaria US$ 4,2 bilhões.