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Como as consultas na IA impactam as farmacêuticas

Avanço dos modelos acompanha consumidor mais autônomo, mas cria desafios ligados à desinformação

i 25 de março de 2026 - 6h00

Um estudo da Universidade de Oxford, publicado no mês passado, revelou que os chats de inteligência artificial podem oferecer conselhos imprecisos quando o assunto é saúde. Na dinâmica, os pesquisadores apresentaram diferentes cenários médicos a 1,3 mil pessoas.

Saúde e IA

Pesquisa da Universidade de Oxford apontou que consultas na IA podem gerar imprecisões (Crédito: aileenchik-shutterstock)

O público foi dividido em dois grupos. O primeiro grupo podia usar as ferramentas de IA para ajudar a descobrir o que estava acontecendo e como reagir. Depois, os pesquisadores avaliaram se as pessoas conseguiram identificar corretamente os sintomas e decidir se precisavam ou não visitar um pronto-socorro.

De acordo com a análise, o grupo que consultou a IA, em muitos casos, não sabia o que e como perguntar. Assim, receberam uma série de respostas diferentes e tiveram dificuldade de analisar o que era útil ou não.

O uso da IA para consulta sobre assuntos médicos se tornou tão comum que as plataformas estão lançando versões de seu chat específicas para esse fim. É o caso do ChatGPT Health, Perplexity Health e o MedGemma, do Google, por exemplo.

A sensibilidade da interação entre a saúde e as consultas na IA criam um desafio não só para as plataformas, mas para o mercado farmacêutico.

Head de branding na Medley, unidade de medicamentos genéricos da Sanofi, Valéria Borghi, explica que o avanço dos modelos de inteligência artificial amplia o acesso à informação. No entanto, é preciso garantir qualidade e confiabilidade.

“Quando conteúdos imprecisos circulam, há risco de decisões inadequadas que podem impactar a saúde de pacientes, que geralmente já se encontram em um momento de maior fragilidade e menor rigidez”, aponta Borghi.

Para ela, essa seria uma oportunidade de a indústria assumir um papel mais ativo na educação do público consumidor e dos profissionais de saúde no combate à desinformação. O debate envolvendo os modelos de linguagem em IA também acompanha uma mudança no comportamento do consumidor.

Guilherme Dias, gerente de genéricos e OTC da Cimed, explica que o usuário está cada vez mais digital e autônomo. Ele pesquisa antes de consumir, busca clareza e fontes confiáveis, mas ainda precisa de ajuda para filtrar informações.

“Seguimos todas as legislações à risca e as bulas físicas continuam sendo fundamentais, mas sabemos que, na prática, pouca gente lê aquele conteúdo técnico do começo ao fim. Hoje, as pessoas vão atrás de informação onde faz mais sentido para elas: buscadores, redes sociais, inteligência artificial”, afirma o executivo.

Chatbots próprios

Frente a esse cenário, as companhias têm investido no desenvolvimento de suas próprias ferramentas. Com tecnologia do Google Gemini, a Cimed lançou a assistente digital Claud.IA. Ela desempenha funções, como ler bulas em voz, explicar a composição das medicações, os efeitos colaterais e a forma de uso, com linguagem simples.

“O objetivo é justamente reduzir o uso de medicamentos errados, informar sobre efeitos colaterais que o remédio pode causar. Nosso objetivo é estimular decisões mais seguras e informadas”, aposta Dias.

A Medley quer ampliar sua presença digital e mantém uma assistente virtual, a Cássia. Desde 2023, o chatbot já registrou mais de 100 mil interações de apoio em saúde mental, que era o seu foco até o momento.

No segundo semestre desse ano, no entanto, a companhia vai expandir o escopo da Cássia para incluir orientações sobre saúde e medicamentos.