As oportunidades do boom da corrida para a Strava
Brasil é o segundo maior mercado da plataforma, impulsionado pela Geração Z e pelos clubes de corrida
Apenas no ano passado, o Brasil ganhou dois milhões de novos corredores. O dado é da segunda edição da pesquisa “Por dentro do corre”, da Olympikus em parceria com a consultoria Box1824. Com o crescimento, chegou a 15 milhões o número de pessoas que correm ao menos uma vez por semana no País.

Rosana Fortes, country lead de Strava no Brasil (Crédito: Divulgação)
Segundo o estudo, o público da corrida também ficou mais jovem. A idade média dos corredores caiu de 37 para 34 anos. O motivo é, sobretudo, o crescimento do público entre 18 e 24 anos, que representa 20% dos corredores.
Quem vem acompanhando o avanço da modalidade é a Strava, aplicativo de rastreamento para corredores e ciclistas que permite registrar as atividades via GPS. A companhia inaugurou operação no Brasil em 2018, quando o País já era o terceiro mercado em número de usuários.
Country lead do aplicativo desde 2019, Rosana Fortes destaca o engajamento da Geração Z com a corrida, nos últimos anos, e conta como a plataforma evoluiu para privilegiar as experiências sociais e em comunidade. Confira:
Meio & Mensagem – Strava deu início a sua operação no Brasil em 2018, quando o país já era o terceiro mercado em número de usuários. Hoje, qual é a representatividade do mercado local para a operação? Como ela evoluiu?
Rosana Fortes – Como o segundo maior mercado da plataforma, o Brasil é peça-chave na presença global do Strava. Hoje, o que define o mercado brasileiro é a força da sua comunidade. De acordo com o nosso relatório de tendências mais recente, o Year in Sport, o surgimento de novos clubes de corrida cresceu 8,6 vezes, enquanto os de ciclismo aumentaram 3,6 vezes, um sinal claro de que, por aqui, o esporte é essencialmente coletivo. Essa evolução movida pela comunidade fica nítida com o boom da corrida entre a geração Z brasileira. Esse público foi o que teve o maior salto no percentual de atletas registrando provas no Strava em 2025, com crescimento impressionante de 123% nas maratonas. Para esses jovens, correr é, acima de tudo, uma forma de se conectar socialmente e se expressar. É por isso que o engajamento é tão alto. Em 2025, atividades com fotos no Brasil receberam 5,2 vezes mais Kudos (o equivalente a uma curtida na plataforma da companhia), consolidando o Strava como o grande ponto de encontro do estilo de vida esportivo no País.
M&M – Ao longo desses oito anos, a cultura da corrida no Brasil evoluiu muito. Quais foram as principais mudanças no comportamento do usuário?
Rosana – Nos últimos oito anos, a corrida no Brasil passou por uma transformação profunda. Ela se consolidou como o esporte número um no País no relatório Year in Sport do Strava a partir da edição de 2023, quando o volume de atividades de corrida superou o de ciclismo. Hoje, essa cultura é impulsionada pela busca por conexão nos clubes de corrida, um movimento liderado pela geração Z. Segundo o último relatório, 56% dos entrevistados no Brasil veem os clubes de corrida como um ótimo lugar para conhecer pessoas. Para incentivar esse “jeito brasileiro” de se manter ativo, lançamos a iniciativa Kudos Collective, onde oferecemos apoio direto a crews de corrida e comunidades locais para que possam organizar e expandir seus próprios eventos presenciais. Assim, o Strava se tornou o ponto de encontro essencial desse movimento coletivo, transformando o esforço individual em um estilo de vida esportivo compartilhado que não para de crescer.
M&M – A interface do Strava, por sua vez, também avançou para oferecer mais ferramentas de social e comunidade. Qual é o papel desse pilar na estratégia? Como ele guia o marketing?
Rosana – As ferramentas sociais e de comunidade são o coração da estratégia do Strava, pois acreditamos que pessoas mantêm outras pessoas ativas. Nosso foco é oferecer a infraestrutura necessária para a experiência dos clubes, capacitando os organizadores com ferramentas para gerenciar eventos e fortalecer conexões mais profundas. Essa abordagem focada na comunidade se reflete no crescimento de clubes de corrida e de ciclismo. No fim das contas, nossa estratégia é amplificar os movimentos orgânicos criados pela própria comunidade. Seja por meio dos Kudos ou de eventos organizados por clubes, nosso objetivo é transformar conquistas individuais em experiências coletivas, garantindo que o Strava continue sendo a casa digital da comunidade mais ativa do mundo.
M&M – Em fevereiro, a companhia indicou um líder para Strava for Business. Como a vertical tem avançado nos formatos de parceria? O que essa colaboração traz de frutífero?
Rosana – O Strava for Business é o braço de parcerias, oferecendo às marcas duas formas de se tornarem parte relevante da experiência do atleta: os Desafios Patrocinados e os Segmentos Patrocinados. A proposta permite que as empresas marquem presença de forma autêntica na rotina do usuário, em vez de interrompê-la com anúncios tradicionais. Embora essas soluções já estivessem disponíveis globalmente, a oportunidade para marcas no Brasil e na América Latina entrarem na plataforma é uma novidade. Para fortalecer as operações na região, Vitor Rocha foi nomeado para liderar esses esforços na América Latina. Exemplos recentes mostram o potencial dessa frente, como a parceria com a Heineken 0.0, que criou um clube no Strava para a plataforma de socialização pós-treino da marca, o Finish Line Club. Outro destaque é o desafio recém-lançado com a Casas Bahia, no qual os atletas que completam rotas exclusivas no app e compartilham seus resultados nas redes sociais ganham cupons de desconto para usar no varejista.
