Comissão aprova e estabelece regras para Times Square de SP
Quatro painéis de LED serão instalados na região central e deverão veicular 70% de conteúdo informativo e cultural e 30% de mensagens publicitárias

Área das Avenidas Ipiranga e São João irão abrigar os paineis do Boulevard (Crédito: Arthur Nobre)
A Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU) da cidade de São Paulo aprovou nesta quarta-feira, 11, o termo de cooperação para o projeto do Boulevard São João, que consiste na instalação de painéis de LED na região central – e que, popularmente, vem sendo chamado de “Times Square” paulistana, pela inspiração nos famosos telões da cidade de Nova York, nos Estados Unidos.
Em um debate que durou mais de quatro horas, os membros da Comissão, que contava com representantes da Prefeitura e da sociedade civil, aprovaram a instalação de 4 paineis de LED, além de uma projeção, na região que vai do Largo do Paissandu à Praça Julio Mesquita.
O placar da votação terminou em oito votos a favor da criação do Boulevard São João e seis contra. A Comissão baseou-se em cláusula da Lei Cidade Limpa, vigente na capital paulista desde 2007, que prevê a concessão de espaços para a veiculação de publicidade desde que exista alguma contrapartida ao município.
No último dia 23, o projeto do Boulevard São João já havia sido aprovado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp).
Qual é o projeto do Boulevard São João?
O projeto prevê a participação de marcas patrocinadoras, que terão de fazer um investimento mínimo de R$ 6 milhões (sendo R$ 2 milhões por ano) em obras de revitalização e manutenção da região.
As obras previstas pelo projeto são na Igreja Nossa Senhora dos Homens Pretos, na estátua da Mãe Preta e no Relógio de Nichile, na região central.
Os locais de instalação dos painéis, de acordo com o projeto, são: Cine Paris República (Avenida Ipiranga, 808); Edifício Herculano de Almeida (Avenida Ipiranga, 890), Galeria Sampa (Avenida São João, 604) e Edifício New York (Avenida Ipiranga, 855).
O projeto do Boulevard São João é de autoria da Fábrica de Bares, empresa dona de estabelecimentos da região central como Bar Brahma, Bar Léo, Riviera, Bar dos Arcos, entre outros.
Além dos painéis, de cerca de 15 metros, o Boulevard São João também terá uma projeção na empena do Edifício Independência, onde fica o Bar Brahma. Por ser tombado, o local não permite a instalação de um telão de LED.
O que pode e o que não pode na “Times Square” paulistana?
De acordo com o projeto aprovado pela CPPU, o conteúdo veiculado nos telões terá de ser dividido da seguinte forma: 70% para mensagens culturais ou institucionais e serviços de utilidade pública, e 30% de mensagens dos patrocinadores.
Os painéis funcionarão das 5h às 23h, ficando desativados durante o período noturno. Essa decisão, segundo a CPPU, foi tomada a partir de estudos dos impactos da luminosidade dos painéis na vizinhança e no trânsito local.
Além das instalações e manutenção dos painéis e comprometimento com a revitalização dos locais apontados no projeto, as patrocinadoras do Boulevard também terão, como contrapartida, o dever de incluir novos bancos e lixeiras no local que compreende o Boulevard.
“Times Square” divide opiniões
O placar apertado da votação do projeto de cooperação sinaliza que o projeto de mídia exterior não é consenso entre os membros da comissão e representantes da sociedade civil.
A presidente da CPPU, Regina Monteiro, uma das responsáveis pela criação da Lei Cidade Limpa, disse que há 20 anos a Prefeitura pretendia criar acordos desse tipo, em que marcas patrocinadoras ganham o direito de explorar alguns ambientes urbanos em troca de contrapartidas para o município. Porém, ao longo dessas duas décadas, Regina destacou que nunca foi possível tirar esse projeto do papel.
“Não se trata de mudar a Lei Cidade Limpa. Queremos ter regiões bem setorizadas, com projetos bem estruturados e definidos. Se as marcas patrocinadoras podem ajudar a melhorar a infraestrutura da cidade e colaborar com isso, é o que queremos fazer”, relatou.
Segundo a presidente da Comissão, a Lei Cidade Limpa prevê duas formas de exploração de publicidade exterior em São Paulo. A primeira se dá pelas concessões de mobiliário urbano (que estão, por exemplo, nas mãos de Eletromidia, no caso dos abrigos de ônibus e de JCDecaux, nos relógios de rua).
Além disso, a Lei, segundo lembrou Regina, sempre estabeleceu a possibilidade de acordos de cooperação, em que as marcas patrocinadoras se comprometem com melhorias urbanas podendo, então, fazer veiculação de publicidade. Esse modelo que, segundo ela, embasou a proposta do Boulevard São João.
Também defensor do projeto, Álvaro Aoas, empresário e criador da Fábrica de Bares, destacou que o Boulevard São João está calcado na ideia de ampliar a movimentação e ocupação da região central da cidade pelos cidadãos e que, com o aumento da frequência, os comércios e estabelecimentos locais se beneficiariam, permitindo, assim, a exploração de patrocínio e as contrapartidas à cidade. “Alguém precisa pagar a conta dos restauros e da recuperação do centro da cidade”, pontuou.
Já entre os argumentos de quem votou contra o projeto estão, na maioria dos casos, o temor de um possível enfraquecimento da Lei Cidade Limpa e de uma eventual abertura para explorações irregulares de publicidade exterior em outros locais da cidade. Além disso, a questão do excesso de luminosidade e dos impactos no trânsito e na circulação de carros e pedestres também foram apontados.
Apesar de a Comissão ter aprovado o projeto de cooperação, a proposta ainda segue aberta para consulta pública até o próximo dia 24.
Diante da aprovação, a CPPU ficou de visitar os locais em que devem ser instalados os telões para avaliar eventuais alterações no projeto ou outras condicionantes.
