Mídia

Telas, eventos e cultura: como será a “Times Square” de SP?

Apresentado pela Prefeitura e Governo do Estado, projeto prevê, além dos painéis de LED, a realização de shows e fechamento das ruas para carros

i 24 de abril de 2026 - 7h58

Times Square SP

Em vídeo, prefeitura mostrou o projeto do Boulevard São João (Crédito: Reprodução)

Na tarde desta quinta-feira, 23, em coletiva de imprensa, a Prefeitura de São Paulo e o Governo do Estado fizeram a apresentação oficial do projeto do Boulevard São João, que popularmente vem sendo chamado de “Times Square Paulistana”.

Aprovado em março pela Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), da Prefeitura, o projeto – que prevê a instalação de painéis de LED, com veiculação publicitária, em alguns pontos da região central da cidade – ganhou o apoio e parceria do governador do Estado, Tarcísio de Freitas, que nessa quarta-feira 22, já havia assinado um termo de cooperação, junto ao prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes.

De acordo com o detalhado pela administração municipal e estadual nesta quinta-feira, 23, o Boulevard São João é um projeto não apenas de telões de mídia exterior e conteúdo, mas uma iniciativa que visa ampliar a circulação de pessoas no centro da cidade e, consequentemente, valorizar os negócios e a paisagem local. A ideia é que o projeto tenha início nos meses de agosto e setembro deste ano.

A intervenção, segundo a Prefeitura e Governo do Estado, abrange uma área total de 42 mil metros quadrados, contemplando, na Avenida São João, a região que vai da proximidade ao Largo do Paissandu até a Praça Júlio Mesquita.

Elaborado pela Fábrica de Bares, empresa proprietária do Bar Brahma e de outros estabelecimentos da região, o Boulevard São João prevê a instalação de quatro grandes painéis de LED nas fachadas de alguns prédios. As telas irão exibir cerca de 70% de conteúdo de utilidade pública e 30% de publicidade das marcas patrocinadoras do projeto.

Em contrapartida da veiculação publicitária, tais marcas terão de se comprometer com algumas obras de revitalização e manutenção dos locais em que os painéis estarão instalados.

Os painéis serão instalados nos edifícios Cine Paris República, Herculano de Almeida, Galeria Sampa e New York. Também haverá projeção mapeada no Edifício Independência 2.

Na apresentação oficial do projeto, o prefeito Ricardo Nunes esclarece que o Boulevard São João não fere a Lei Cidade Limpa, uma vez que a legislação de publicidade exterior, que entrou em vigor em 2007, prevê a realização de projetos especiais de veiculação publicitária a partir da realização de contrapartidas urbanas. Veja, abaixo, o vídeo de apresentação do Boulevard São João, feito pela Prefeitura de São Paulo:

Revitalização do centro

Na apresentação, Prefeitura e Governo do Estado destacaram o potencial do Boulevard São João como uma ferramenta de revitalização da região central da cidade. Ricardo Nunes pontuou que é importante que a cidade possa ter locais atrativos e destacou que a área será mais um grande espaço de turismo para a metrópole.

Nos locais de instalação dos painéis de LED estão previstas a instalação de palcos para apresentações musicais e culturais aos finais de semana. Nesses dias, inclusive, o Boulevard São João deverá ficar fechado para a passagem de carros, permitindo apenas a circulação de pedestres.

“São quatro grandes painéis e a gente vai, com certeza, dar um grande passo depois de uma longa caminhada de discussão com a sociedade e de audiência pública que nos fez chegar nesse momento”, declarou o Prefeito.

“O que a gente está fazendo é resgatar a história e devolvendo o Centro -, que antigamente era chamado de Cidade – para a população”, disse o governador, Ricardo Nunes.

Captação de recursos

De acordo com o que a Comissão de Proteção à Paisagem Urbana divulgou em março, a proposta é que a iniciativa privada (os patrocinadores do projeto) invista um total de R$ 6 milhões para a viabilização do Boulevard São João. Não está prevista a utilização de recursos públicos para o novo espaço.

Não foi detalhado, ainda, quantos patrocinadores poderão fazer parte do projeto.

Projeto da Times Square divide opiniões

O placar da votação que apoiou a criação do Boulevard São João, em março, terminou em oito votos a favor do projeto e seis contra.

A decisão apertada sinaliza que o projeto de mídia exterior não é consenso entre os membros da comissão e representantes da sociedade civil.

A presidente da CPPU, Regina Monteiro, uma das responsáveis pela criação da Lei Cidade Limpa, disse, em março, que há 20 anos a Prefeitura pretendia criar acordos desse tipo, em que marcas patrocinadoras ganham o direito de explorar alguns ambientes urbanos em troca de contrapartidas para o município. Porém, ao longo dessas duas décadas, Regina destacou que nunca foi possível tirar esse projeto do papel.

“Não se trata de mudar a Lei Cidade Limpa. Queremos ter regiões bem setorizadas, com projetos bem estruturados e definidos. Se as marcas patrocinadoras podem ajudar a melhorar a infraestrutura da cidade e colaborar com isso, é o que queremos fazer”, relatou.

Segundo a presidente da Comissão, a Lei Cidade Limpa prevê duas formas de exploração de publicidade exterior em São Paulo. A primeira se dá pelas concessões de mobiliário urbano (que estão, por exemplo, nas mãos de Eletromidia, no caso dos abrigos de ônibus e de JCDecaux, nos relógios de rua).

Além disso, a Lei, segundo lembrou Regina, na época da aprovação do projeto, sempre estabeleceu a possibilidade de acordos de cooperação, em que as marcas patrocinadoras se comprometem com melhorias urbanas podendo, então, fazer veiculação de publicidade. Esse modelo que, segundo ela, embasou a proposta do Boulevard São João.

Também defensor do projeto, Álvaro Aoas, empresário e criador da Fábrica de Bares, destacou que o Boulevard São João está calcado na ideia de ampliar a movimentação e ocupação da região central da cidade pelos cidadãos e que, com o aumento da frequência, os comércios e estabelecimentos locais se beneficiariam, permitindo, assim, a exploração de patrocínio e as contrapartidas à cidade. “Alguém precisa pagar a conta dos restauros e da recuperação do centro da cidade”, pontuou.

Já entre os argumentos de quem votou contra o projeto estão, na maioria dos casos, o temor de um possível enfraquecimento da Lei Cidade Limpa e de uma eventual abertura para explorações irregulares de publicidade exterior em outros locais da cidade. Além disso, a questão do excesso de luminosidade e dos impactos no trânsito e na circulação de carros e pedestres também foram apontados.