Como está o negócio entre Paramount e Warner Bros.?
Empresa de Elisson acusa Netflix de envenenar transação e enfrenta resistência do Reino Unido e EUA
A Paramount Skydance, que anunciou a aquisição da Warner Bros. Discovery (WBD) no final de fevereiro deste ano, com a promessa de concretizar a fusão rapidamente, tem enfrentado alguns percalços.
Segundo o site Politico, que obteve carta da própria Paramount, dirigida ao Departamento de Justiça (DOJ), a empresa de David Ellison, filho do cofundador da Oracle, Larry Ellison, acusa a Netflix de tentar envenenar a aquisição da WBD.
Na carta, o diretor jurídico da Paramount afirmou que a Netflix tentou “envenenar reguladores e outros interessados contra” o acordo e alegou que a “resposta em nível de pânico” da empresa demonstrou “o quão seriamente a Netflix leva a Paramount como concorrente em escala.”
Resposta a sindicato
A carta, do dia 5 de junho, é uma resposta a relatório de março deste ano apresentado pelo sindicato International Brotherhood of Teamsters, enviado à divisão antitruste do DOJ.
O sindicato, que tem 15 mil membros dos Motion Picture Teamsters — pessoas que trabalham como motoristas, em locação e em outros cargos nos bastidores —, argumentou que a compra da Warner pela Paramount “representa uma ameaça direta aos trabalhadores de cinema e televisão em todo o país.”
De fato, os Teamsters querem que o DOJ processe a Paramount para bloquear o acordo, a menos que “salvaguardas substanciais e aplicáveis sejam implementadas para aumentar a produção doméstica e proteger empregos.”
Já a Paramount argumenta que a aquisição da WBD criará mais trabalho para os Teamsters e outros trabalhadores sindicalizados de Hollywood.
Assim, na carta, Makan Delrahim, o executivo jurídico da Paramount, diz que o movimento sindical “se beneficiará diretamente” do acordo de US$ 111 bilhões (valor da aquisição), que, segundo ele, fomentaria “nova energia competitiva e maior investimento em conteúdo.”
Posição da Netflix
Um porta-voz da Netflix afirma que essas alegações da Paramount Skydance são absurdas. “Abandonamos esse acordo há meses e continuamos focados em nossos próprios negócios, não nos deles”, disse o porta-voz.
“No fim das contas, cabe aos reguladores aprovar esse acordo e determinar se ele é do interesse da indústria e de todos os envolvidos”, afirmou.
Em março, os Teamsters disseram que fusões anteriores em Hollywood prejudicaram os trabalhadores e citaram a compra do estúdio de cinema da 20th Century Fox pela Walt Disney Co. em 2019 — que fazia parte da aquisição de US$ 71 bilhões da Disney por ativos da 21st Century Fox — e alegaram que isso levou à perda de empregos e ao cancelamento de projetos.
Em teleconferência com analistas em março, o COO da Paramount, Andy Gordon, disse que a empresa esperava obter mais de US$ 6 bilhões em sinergias dentro de três anos após o fechamento do acordo, e que “a maior parte da nossa meta de sinergia vem de fontes não trabalhistas.”
Análise do DOJ
Enquanto o DOJ ainda analisa a transação, o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, também avalia a aquisição e afirmou que “não está fechada.”
A Paramount, na verdade, disse que espera que a venda seja fechada até o terceiro trimestre, embora alguns relatos sugiram que possa ser concluída já em julho.
A compra da WBD pela Paramount, aprovada pelos acionistas desta última em abril, pode levar a um realinhamento do ecossistema de estúdios.
De fato, como parte do acordo, a Paramount combinaria seu serviço de streaming Paramount+ com a oferta semelhante da WBD na HBO Max.
O empreendimento ampliado de streaming contaria com cerca de 200 milhões de assinantes, segundo estimativas.
Delrahim afirmou que a empresa combinada — cujo serviço unificado de streaming projeta como o quarto maior em nível global — poderá competir melhor com concorrentes, inclusive a Netflix que, em janeiro, afirmou ter mais de 325 milhões de assinantes.
Reino Unido e estados americanos
Na semana passada, o regulador da concorrência do Reino Unido, a Competition and Markets Authority, (CMA ou Autoridade de Concorrência e Mercados), iniciou investigação sobre a proposta de aquisição da WBD pela Paramount.
O prazo para a CMA anunciar sua decisão sobre a primeira fase da investigação e se aprovará o acordo ou encaminhará a fusão para investigação mais aprofundada é 7 de agosto, mas pode ser estendido.
Na primeira fase, a CMA investigará se um acordo pode prejudicar a competitividade em indústria ou região do Reino Unido, segundo a Reuters.
O anúncio da CMA ocorre após a conclusão de um processo de coleta de informações.
A entidade britânica, de fato, convidou as partes interessadas a apresentarem opiniões sobre o impacto que a transação poderia ter na concorrência no Reino Unido e deu o prazo de duas semanas para comentários.
Escrutínio dos EUA
O acordo entre Paramount e WBD já está sob escrutínio regulatório nos EUA, já que grupos da indústria, inclusive roteiristas, atores, cineastas e operadores de teatro, expressaram preocupações sobre o impacto que poderia ter no setor do entretenimento e aos consumidores.
Na semana passada, segundo a Reuters, Califórnia, Nova York e outros estados dos EUA preparavam um processo para bloquear o acordo.