Consumo de notícias digitais no Brasil aumenta na pandemia

Buscar

Consumo de notícias digitais no Brasil aumenta na pandemia

Buscar
Publicidade

Mídia

Consumo de notícias digitais no Brasil aumenta na pandemia

Estudo encomendado pela Luminate ainda revela que 16% dos brasileiros pagam por pelo menos uma assinatura de notícias digitais ou serviço


25 de setembro de 2020 - 15h36

Estudo indica que 92% desses leitores acessam notícias por meios digitais ao menos duas veze por semana, com 83% ao menos uma vez ao dia (crédito: iStock)

Com a pandemia da Covid-19, os brasileiros estão se informando mais pelos meios digitais. De acordo com uma pesquisa conduzida pela Provokers, encomendada pela Luminate, organização filantrópica global, 65% dos leitores de veículos digitais no Brasil aumentaram o consumo de notícias. O levantamento ainda revela que 92% desses leitores acessam notícias por meios digitais ao menos duas vezes por semana; 83% diz acessar notícias ao menos uma vez ao dia.

O estudo, que entrevistou 8.570 pessoas de 18 a 65 anos, entre homens e mulheres, na Argentina, Brasil, Colômbia e México, também revela que as plataformas digitais correspondem a 59% de todo o conteúdo de notícias consumido no Brasil, destacando o crescente domínio das plataformas digitais como fontes primárias de notícias e informações.

Outro ponto indicado pela pesquisa foi que os brasileiros estão dispostos a pagar por conteúdo de notícias digital, visto que 16% já pagam por pelo menos uma assinatura de notícias ou serviço. Apesar de um número modesto, ele mostra que a disposição por pagar por notícias digitais no Brasil é maior do que em outros lugares do mundo que possuem esse mercado mais estabelecido, como Reino Unido (8%) e Alemanha (10%), ficando atrás dos Estados Unidos (20%). Além de pagar pelas notícias, o estudo mostra que 26% dos consumidores no Brasil estão dispostos a fazer doações voluntárias a veículos digitais.

Segundo Rafael Georges, representante da Luminate no Brasil, esse dado foi o mais surpreendente do levantamento. “Nos pareceu surpreendente e encorajador que a parcela de consumidores que paga por notícias é comparativamente alta no Brasil. Isso é especialmente interessante, considerando o mercado brasileiro começou a experimentar com modelos de assinatura posteriormente aos Estados Unidos e a países Europeus, cujos níveis de subscrição são menores”.

O estudo ainda apontou uma série de fatores-chave que influenciam nas decisões dos consumidores de pagar por uma assinatura ou serviço de notícias digitais. Entre eles, os principais indicados pelos consumidores são: capacidade de fornecer conteúdo de alta qualidade (34%), seguido pela credibilidade do veículo como fonte de informações sérias e confiáveis (31%). Além desses fatores, a metodologia MaxDiff, na qual os participantes escolhem o mais importante e o menos importante de uma lista de itens, descobriu que para todos os respondentes da pesquisa, incluindo aqueles que atualmente não estão pagando pelas notícias, a independência do veículo em relação a interesses políticos ou outros interesses velados também foi importante.

“A pandemia evidenciou ainda mais a importância do bom jornalismo como fonte de informação. De maneira mais ampla, trabalhamos com a hipótese de que o valor dado a uma imprensa livre e à informação de qualidade tende a aumentar em tempos de pandemia, de aumento de ataques de autoridades a jornalistas, e num contexto de ampla circulação de desinformação e fake news. O resultado disso é uma maior disposição em pagar por notícia”, explica Georges.

Empecilhos 

Apesar de uma alta nos usuários pagantes, o levantamento identificou dois empecilhos para os veículos de mídia em termos de atração de novos leitores pagantes. O primeiro deles é que a relevância do conteúdo deve ser fundamental, pois entre os respondentes que não pagam por notícias digitais, 90% afirmaram que não o fazem porque as informações não eram suficientemente relevantes ou não traziam diferenciais que justificassem um pagamento quando comparados a outras fontes de informação.

O segundo deles é o custo, visto que 90%  disseram que simplesmente não estariam dispostos a pagar, especialmente se podem acessar notícias gratuitamente em outro lugar. A pesquisa ainda perguntou aos participantes quais seriam os preços ideais para se pagar por notícias digitais e descobriu que, para um em cada quatro respondentes, R$ 30 por mês é considerado um valor aceitável. Além disso, o levantamento revela que em média, o período de assinatura de um serviço de notícias digitais é mantido por pouco mais de dois anos (24,5 meses).

Este estudo é uma continuidade do trabalho iniciado com o relatório Inflection Point publicado pela Luminate e pela SembraMedia em 2017, que explorou a saúde da mídia digital na América Latina, e o lançamento do programa Velocidad em 2019, acelerador que fornece financiamento e consultoria para novas startups de jornalismo operando na América Latina.

**Crédito da imagem no topo: reprodução

Publicidade

Compartilhe

Veja também