Direitos de transmissão

Copa do Mundo acirra disputa por direitos de transmissão

Edição mais fragmentada dos últimos anos reforça briga dos players pelo evento ao vivo mais caro da mídia: o esporte

i 8 de julho de 2026 - 6h01

Edição 2026 da Copa do Mundo acirrou disputa dos players por direitos de transmissão (Crédito: Reprodução / Globo)

Edição 2026 da Copa do Mundo acirrou disputa dos players por direitos de transmissão (Crédito: Reprodução / Globo)

Já perto da sua reta final, a Copa do Mundo 2026 registrou recordes de audiência. De acordo com dados da Federação Internacional de Futebol (Fifa), as partidas entre México X Equador e Estados Unidos X Bósnia bateram recordes regionais, com mais de 50 milhões e 43 milhões de telespectadores, respectivamente.

A Fifa espera que, até dia 19 deste mês, dia da final da competiçao, entre 5 bilhões e 6 bilhões de pessoas acompanhem os jogos.

Não à toa, o torneio acirrou a disputa dos players não só pela audiência, mas pela atenção das marcas e das próprias federações que comercializam os direitos de transmissão do próximo Mundial.

Uma guerra fria começou entre os veículos, que passaram a disputar o controle da narrativa pela audiência, especialmente entre CazéTV e Globo que, segundo a imprensa especializada, já estão em busca pela renovação dos direitos de exibição da Copa do Mundo de 2030.

Busca pelo controle da narrativa

Nesse cenário, as empresas de mídia querem fortalecer a sua presença como transmissores. Antes mesmo de começar o torneio, cada um dos veículos passou a destacar os seus atributos durante as transmissões.

Uma das vantagens exploradas pela CazéTV na conversa de Copa do Mundo é o fato de ser o único player a ter os direitos de 100% dos jogos do torneio. O canal utilizou como fortaleza competitiva a parceria com outros influenciadores e a distribuição de conteúdo.

Do outro lado, a Globo vem tentando mostrar que a TV aberta continua como a mídia de massa mais forte, mesmo tendo direito de transmitir metade do total de partidas do torneio. Além disso, um dos grandes motes da sua narrativa foi falando sobre o deley e a estreia da TV3.0 nas telas da empresa de mídia.

Já o SBT, destaca seus números, para mostrar que personalidades como Galvão Bueno e seu estilo de narração ainda tem grande poder em cima da audiência.

Nesse sentido, os players buscam celebrar a quantidade de visualização, mostrando sua relevância perante o público que se divide para acompanhar todos os jogos da competição.

Tendo como base dados do Ibope, a Globo aponta essa audiência representa 86% do público total que acompanhou a Copa do Mundo e considera até a concorrência (o SBT) para reforçar o alcance da TV aberta. De acordo com o veículo, se for considerada apenas a TV Aberta, as transmissões de Globo e SBT alcançaram 88% do público brasileiro que acompanha a Copa do Mundo.

Na partida entre Brasil e Japão, que aconteceu no último dia 29, por exemplo, a empresa de mídia comemorou o alcance de 52 milhões de pessoas. Esse índice, de acordo com o Ibope, é “172% maior que o concorrente da TV aberta [SBT] e 263% maior que o concorrente gratuito do streaming [CazéTV]”, disse o veículo, em nota.

O SBT, por sua vez, registrou média de 2,77 pontos, na Grande São Paulo, ao longo dos 30 dias do mês. A melhor performance veio com as transmissões pós-jogos da Copa do Mundo, que registraram média de 8,48 pontos. As exibições das partidas da Copa, em si, renderam em média, 7,2 pontos de audiência na região.

Já a CazéTV, tem aproveitado a Copa para divulgar sucessivos recordes de espectadores simultâneos nos jogos exibidos, sobretudo os da seleção brasileira. Na semana passada, o canal divulgou dados do YouTube Studio e do Google Analytics que apontam que, até a última quarta-feira, 1, o canal havia alcançado a marca de 100 milhões de dispositivos que, em algum momento, se conectaram para acompanhar os jogos da Copa.

Também na semana passada, o canal de Casimiro Miguel conseguiu registrar as duas maiores audiências dessa Copa do Mundo. A primeira foi com a vitória brasileira sobre o Japão, que atraiu 21 milhões de dispositivos simultâneos e, a segunda, veio com a classificação de Portugal sobre a Croácia, no último dia 2, acompanhada por 19,8 dispositivos simultâneos.

Em seguida, as partidas mais assistidas, até a semana passada, eram Escócia e Brasil, com alcance de 18,4 milhões de dispositivos simultaneamente, e Brasil X Haiti, com 16,2 milhões de dispositivos simultâneos.

A chegada de novos ativos

Por trás de toda a narrativa de audiência que a Copa vem promovendo entre os players, está uma disputa bem mais acirrada: por novos ativos. Neste momento, está acontecendo a rodada de negociações de campeonatos importantes para a sequência do calendário esportivo.

O principal deles é a decisão para a exibição da Copa do Mundo 2030, que deve ser definida nos próximos meses. As informações que circulam nos bastidores é de que, dessa vez, a Globo não quer perder a totalidade do torneio, que pela primeira vez ficou fora da emissora.

Outro direito que está em processo de negociação é o ciclo de 2027 a 2030 da Copa do Brasil, chancelada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Informações às quais a reportagem de Meio e Mensagem teve acesso apontam que, além da Globo – que é a atual detentora da competição – o Grupo Disney entrou na disputa pelo ativo, a fim de ampliar a sua grade de futebol.

Com esse movimento, as TVs buscam voltar ao protagonismo das transmissões esportivas que, há pelo menos um ano, ainda era quase que em sua totalidade dominada pela Globo.

Já a CazéTV, está buscando espaço como exibidor de esportes, seja com modalidades mais populares, como é o caso do futebol, ou outras em ascensão, como é a compra dos jogos da Women’s Tennis Association (WTA), associação que lidera as competições femininas de tênis em todo o mundo, a partir de 2027.

Somente nessa Copa, o canal que tem como principal rosto o criador de conteúdo e empresário Casimiro Miguel, anunciou as transmissões da Eurocopa e da Premier League, este último em uma parceria de sublicenciamento com o Grupo Disney, e reafirmou que irá exibir os Jogos Olímpicos de Los Angeles.