Escândalo de Murdoch atinge Downing Street
Premiê britânico teve que depor no Parlamento do Reino Unido e não convenceu oposição
O ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, disse que a primeira ligação que fez ao sair de Downing Street (residência oficial do governo britânico) foi para a então poderosa diretora da News International, Rebekah Brooks. O atual primeiro-ministro, David Cameron, do Partido Conservador, deu continuidade a esse relacionamento íntimo com a empresa de Rupert Murdoch e, por conta disso, está completamente envolvido nos escândalos das escutas clandestinas praticadas pelos responsáveis do agora extinto jornal News of the World (NoW), tabloide que pertencia ao conglomerado News Corp.
O nome que liga Cameron à News Corp é Andy Coulson, que era editor-chefe do NoW e depois passou a ser porta-voz e diretor de comunicação do governo inglês. Coulson estaria, portanto, ciente das milhares de escutas telefônicas ilegais praticadas, segundo a mídia britânica, a imprensa norte-americana e até o serviço secreto dos EUA, o FBI, desde 2000. O primeiro-ministro britânico defendeu, no Parlamento, que Coulson é inocente até que se prove o contrário. O ex-porta-voz saiu do governo no início do ano, antes da crise instalada pelo NoW, há três semanas.
Nesta quarta-feira, 20, Cameron falou no Parlamento inglês no que é considerado seu maior teste político. Para a oposição trabalhista, no entanto, o premiê não foi convincente o suficiente ao falar aos parlamentares. Também altos membros da Scotland Yard caíram por conta da crise do NoW, acusados de manter relações no mínimo suspeitas com o jornal. Para a News Corp, as perdas envolvem a própria Rebekah Brooks e o ex-editor-chefe da Dow Jones, Les Hinton. A Dow Jones, também controlada por Murdoch, é responsável pela publicação do diário The Wall Street Journal.
