Mídia

Copa atrai cobertura de creators de fora do mundo esportivo

Pesquisa da BrandLovers mostra que 74,2% dos criadores que cobrirão evento estão fora do território do esporte

i 22 de maio de 2026 - 6h03

Copa creators

Apenas 9,7 % dos creators brasoleiros in loco na cobertura da Copa do Mundo 2026 têm o esporte como categoria principal de atuação (Crédito: Pedro Ignacio/Shutterstock)

Há menos de mês para o início da Copa do Mundo, levantamento da BrandLovers indica que o evento deverá ter cobertura feita por creators de diversas áreas nas redes sociais.

De fato, a maioria, ou 74,2%, é de áreas não relacionadas ao território esportivo.

A pesquisa mostra que apenas 9,7% dos creators brasileiros que estarão presencialmente nos Estados Unidos, um dos países-sede, têm o esporte como categoria principal de atuação.

No entanto, a maior parte dos 158 nomes confirmados para cobertura in loco pertence a outros segmentos, como lifestyle, beleza, humor, maternidade e gastronomia.

Copa como ecossistema de experiências

“A Copa deixou de ser um território exclusivamente esportivo e passou a funcionar como um grande ecossistema de experiências e conversas culturais”, revela Miriam Shirley, presidente da BrandLovers no Brasil.

A executiva reforça que, durante muito tempo, a cobertura de grandes eventos esportivos foi centrada em resultados, análises técnicas e informações sobre os jogos, em um modelo construído principalmente pela mídia tradicional, em TV, jornais e grandes portais.

No entanto, o que os dados mostram, de acordo com Miriam, é que as pessoas querem acompanhar o evento sob perspectivas que conversem com seus próprios interesses e estilo de vida.

“Isso muda completamente o tipo de conteúdo consumido durante a Copa”, complementa.

Esse movimento se traduz em cobertura mais multifacetada.

Dessa forma, o levantamento da BrandLovers aponta que creators de cultura e entretenimento, que representam 25,29% dos presentes no evento, devem concentrar conteúdos voltados a experiências, bastidores e interação com o público, ampliando o alcance da Copa para além das partidas.

Além disso, os criadores de conteúdo de moda e estilo (19,93%) abordarão tendências e narrativas inspiradas pela Copa, enquanto os de turismo (11,06%) devem a explorar experiências de viagem, gastronomia e pontos turísticos nas cidades dos jogos.

Comportamento de consumo

Miriam destaca que a experiência da Copa não acontece somente no sofá assistindo aos jogos, mas também nos bastidores e na dinâmica social que acontece em torno do evento, como se preparar para assistir junto com os amigos.

“E os dados mostram que esse comportamento já impacta diretamente o consumo”, argumenta.

Segundo levantamento recente da Kantar, na verdade, 76% dos brasileiros afirmam que a Copa influencia decisões de compra e 45% acompanham o evento usando o celular como segunda tela ao mesmo tempo em que assistem aos jogos.

Para a executiva, esse movimento ajuda a explicar por que marcas de segmentos que aparentemente não teriam relação direta com esporte conseguem participar da conversa de forma muito mais natural. “

Em vez de criar uma associação forçada apenas para ‘surfar’ o tema do momento, elas encontram creators que traduzem o evento para universos que já fazem sentido para suas audiências”, comenta.

De fato, esse cenário acompanha tendência já observada no marketing de influência.

Dados do Influencer Marketing Benchmark Report indicam que 44% das marcas adotam estratégias com creators de diferentes nichos como forma de alcançar novas audiências.

Ao mesmo tempo, Miriam enfatiza que a a própria dinâmica da creator economy tem caminhado nesse sentido, uma vez que estudos mostram que nano creators podem alcançar taxas de engajamento acima de 10% no TikTok, enquanto creators maiores tendem a registrar índices proporcionalmente menores.

“Hoje, a audiência não busca apenas informação sobre os jogos. Ela quer contexto, identificação e participação cultural. E isso faz com que creators de diferentes nichos tenham espaço para construir relevância dentro de um evento como a Copa”, conclui.