Mídia

WBD aprova fusão com a Paramount Skydance

Previsão é que a transação seja concluída até 30 de setembro, mas isso depende dos reguladores

i 23 de abril de 2026 - 13h06

Os acionistas da Warner Bros. Discovery (WBD) aprovaram nesta quinta-feira, 23, a fusão de US$ 110 bilhões com a Paramount Skydance.

Portanto, se os reguladores federais e internacionais aprovarem, o David Ellison, filho do cofundador da Oracle, Larry Ellison, controlará o estúdio Warner Bros., assim como canais pagos como CNN, HBO e os ativos de streaming da Warner, entre os quais a HBO Max.

Essa proposta foi resultado de várias ofertas desde setembro do ano passado e da guerra de lances com a Netflix e Comcast.

No final de fevereiro deste ano, a Paramount aumentou a oferta para US$ 31 por ação, o que levou a Netflix a desistir do acordo proposto para os ativos de estúdio e streaming da WBD.

Oferta da Paramount sobre a WBD

A oferta da Paramount inclui taxa de separação de US$ 7 bilhões caso a fusão proposta não obtenha aprovação regulatória. A empresa concordou em pagar a taxa de separação de US$ 2,8 bilhões de dólares que a WBD devia à Netflix pela rescisão desse acordo.

“A aprovação dos acionistas marca outro marco importante para concluir nossa aquisição da Warner Bros. Discovery, ampliando nossas bem-sucedidas sindicâncias de ações e dívidas e o progresso nas aprovações regulatórias”, publicou a Paramount em comunicado nesta quinta-feira.

“Estamos ansiosos para fechar a transação nos próximos meses e realizar a criação de uma empresa de mídia e entretenimento de próxima geração que atenda melhor tanto à comunidade criativa quanto aos consumidores.”

Conversa com Madison Avenue

Nos últimos meses, a consolidação gerou muitos temores, os quais Ellison tentou acalmar. O executivo falou aos executivos da Madison Avenue na terça-feira, 21, e pediu apoio para publicidade na futura empresa resultado da fusão.

Os acionistas não aprovaram o pacote de remuneração para os executivos da WBD. De acordo com a empresa de consultoria por procuração Institutional Shareholders Services, o atual CEO da Warner, David Zaslav, pode receber um “paraquedas dourado” da transação, equivalente a quase US$ 887 milhões.

Antes, porém, mais de quatro mil diretores, atores, roteiristas e outros da indústria de Hollywood assinaram uma carta aberta se opondo à fusão. Os signatários incluem artistas como Kristen Stewart, Pedro Pascal e Javier Bardem.

Em vídeo no Instagram, postado pelo Comitê da Primeira Emenda, Jane Fonda, Mark Ruffalo e outros atores fizeram apelo para impedir a fusão porque são céticos em relação às promessas de Ellison. Ruffalo acredita que o mega acordo significará “menos empregos, custos mais altos e menos opções para nossos queridos públicos.”

Críticos em Hollywood, porém, também dizem que a fusão daria poder demais à família Ellison, que é amiga do presidente Trump.

De fato, o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, tem investigado o acordo por violações antitruste.

Consolidação contestada

Contudo, a consolidação também é contestada pelos senadores americanos Elizabeth Warren, Chuck Schumer e Cory Booker, os quais enviaram relatório à FCC (equivalente à Anatel brasileira) no qual pedem que o governo federal analise o acordo e seu financiamento externo, parcialmente proveniente da Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos.

O acordo ainda precisa ser aprovado pelos órgãos reguladores federais e internacionais. Se aprovada a fusão, a Paramount pretende fechar a transação até, no máximo, 30 de setembro.

“Nos últimos quatro anos, nossas equipes transformaram a Warner Bros. Discovery e devolveram a empresa à liderança do setor”, disse o CEO da WBD em outro comunicado à imprensa.

Afirmou, ainda, que “a aprovação dos acionistas é outro marco fundamental para concluir esta transação histórica que trará valor excepcional aos nossos acionistas. Continuaremos trabalhando com a Paramount para concluir as etapas restantes desse processo que criarão uma empresa líder de mídia e entretenimento de próxima geração.”