Futurismo ou presentismo?
Entre prever o futuro e sobreviver ao presente
Um painel atraente pelo título (vulgo clickbait) me chamou a atenção: “Duas futuristas e uma IA: vendo problemas à frente”.
Logo de cara, Faith Popcorn foi acusada de ser muito distópica e alarmista. Ela retrucou que é apenas realista. Vale dizer que Faith Popcorn é uma humana, apesar do nome. E Delph, por outro lado, é a IA.
Sendo brutalmente honesto, dali em diante a palestra foi ladeira abaixo. Inesperadamente improvisada, pelo menos com alguns comentários soltos que valiam a anotação. Como a indagação: como a convivência com a IA muda a maneira de nós pensarmos?
Já me peguei refletindo sobre essa questão algumas vezes. Fugindo dos benefícios óbvios, minha maior preocupação é o quanto o crescente uso dessas ferramentas não atrofia a nossa capacidade de pensar sozinho.
Nosso músculo da criatividade, raciocínio e inventividade precisa ser estimulado. E hoje estamos terceirizando o nosso treino pro próprio personal – que tá um monstro, diga-se de passagem.
Mas, voltando ao minicaos que foi a sessão, nossas futuristas não pareciam concordar, a agente de IA lembrava um diálogo com o ChatGPT querendo te agradar e a internet estava meio “discada” demais para que o agente pudesse responder ao vivo.
Irônico como um painel sobre futurismo incluiu o “futuro” para se autorreferenciar e julgar. Claro que essa era a ideia. Mas a sensação residual foi que o futuro já parece tão presente que, quando qualquer coisa foge do roteiro, talvez ele se pareça mais com o passado.