Quem é a Amy Webb além do futurismo?
Futurista divide detalhes de sua apresentação no SXSW 2026 e o que lhe assusta e dá esperanças sobre o fuuturo
“Estamos fazendo algo louco este ano”, descreve Amy Webb sobre sua palestra do South by Southwest 2026. Futurista com a apresentação mais concorrida do evento anualmente, a CEO do Future Today Strategy Group planeja uma experiência sensorial para o público disposto a enfrentar horas de fila no dia 14 de março no Hilton Austin Downtown.

Para Amy Webb, edição deste ano do SXSW estimulará mais trocas e momentos inusitados (Crédito: Divulgação)
O tema da palestra é “Destruição criativa”, conceito criado pelo economista austríaco-americano Joseph Schumpeter em 1942, no livro “Capitalismo, Socialismo e Democracia”. A expressão descreve um processo inerente e essencial ao capitalismo, no qual uma mutação industrial incessantemente revoluciona a estrutura econômica por dentro, destruindo a antiga e dando lugar a uma nova.
A futurista pede que todos vistam preto e estejam com o celular carregado para participar de uma experiência incompreensível, sensorial e memorável, diz. “A diferença entre ler o relatório e estar na sala no South by é a experiência. Esta é a peça nesta era da inteligência artificial que a publicidade e o marketing estão perdendo. A mensagem sozinha não é mais suficiente, porque há muito disso. Em um mundo onde qualquer pessoa pode criar textos ou imagens, ou uma campanha publicitária, o que você fará a seguir? Faça as pessoas sentirem algo”, propõe.
Quem é Amy Webb sem o crachá de futurista?
Questionada sobre sua identidade para além do crachá de futurista, Amy Webb hesita. “Você me pegou. O que eu faço é tão central para a minha identidade que não sei onde eu paro e meu trabalho começa”, afirma.
Natural de Indiana, Amy Webb iniciou sua carreira como jornalista no The Wall Street Journal e Newsweek, onde cobriu os mercados de tecnologia e economia na Ásia. Formada em Ciência Política, Teoria dos Jogos e Economia pela Universidade de Indiana e com mestrado em Jornalismo pela Universidade de Columbia, a executiva é fundadora e chief executive officer da Future Today Strategy Group, professora na NYU Stern School of Business e membra do conselho do World Economic Forum.
No SXSW, Amy Webb é uma das palestrantes fixas que mais mobiliza interesse e filas. Parte do público chega no local da apresentação com três horas de antecedência. Para a futurista norte-americana, a experiência de palestrar no festival não é um mero discurso.
Ela descreve a atividade como uma igreja, em todos presentes compartilham o mesmo momento e energia. Até a configuração da sala visa isso: Amy pede ao evento que deixem o espaço mais claro para que o público veja uns aos outros e para que ela possa observar e modelar sua fala conforme a reação.
Embora a maioria das tendências soem catastróficas, o resultado esperado para o final da apresentação é o melhor possível. “Eles ficarão assustados, mas quero que se sintam melhor e façam algumas mudanças positivas”, coloca.
Em entrevista ao Meio & Mensagem, Amy Webb divide o que a mantém acordada a noite e o que lhe transmite esperança.

Confira as ativações de marcas em Austin
Meio & Mensagem – Amy, como a profissão de futurista mudou nos últimos anos? O boom de inovações simultâneas e a sobrecarga de informações tornaram o trabalho de prever o futuro mais desafiador?
Amy Webb – A quantidade de mudanças tornou o trabalho mais desafiador para quem trabalha com estratégia prospectiva. Houve um livro escrito na década de 1970 por Alvin Toffler chamado Future Shock. Esse livro explorava a velocidade com que tudo estava se movendo. Havia muitas inovações diferentes: a corrida espacial havia começado, os humanos estavam indo para o espaço pela primeira vez, havia a Guerra Fria, muita coisa acontecendo rápido. O termo “choque do futuro” explica o sentimento com que as pessoas estavam lidando. Esse período se assemelha um pouco àquela época. Isso tornou a demanda por estratégia prospectiva extremamente alta e o trabalho extremamente difícil. Também significa que a metodologia, as ferramentas e as práticas precisam ser aplicadas de uma maneira diferente. No Future Today Strategy Group, entendemos que, embora haja muita mudança, como temos uma metodologia e um processo bons, somos bons em determinar quais mudanças importam e quais não importam. Para outras pessoas que não foram treinadas e talvez estejam usando a maneira antiga de fazer prospecção, este é um momento difícil.
M&M – Como o seu trabalho afeta sua capacidade de viver no presente? O que você faz para se desconectar do futuro e focar no agora?
Amy – Cada pessoa deve ser capaz de focar no presente e no futuro e alternar entre os dois. Eu vivo uma vida um tanto analógica. Abro espaço para fazer coisas que não são on-line ou orientadas para o futuro. Minha família e eu adoramos jogar jogos de tabuleiro, não videogames. Para ser justa, muitos dos jogos que jogamos são de estratégia, mas costumamos ter uma noite de jogos em família uma vez por semana. Isso nos torna muito conectados uns aos outros e com o que está acontecendo agora. Também passo muito tempo na minha bicicleta. Sou ciclista e isso é totalmente focado no presente, você realmente tem que prestar atenção apenas ao que está acontecendo no momento, o que é uma boa pausa mental para mim.
M&M – Quando foi a última vez que o futuro a surpreendeu de forma positiva?
Amy – Eu não previa que o Bad Bunny seria a atração principal do show do intervalo do Super Bowl. Dado tudo o que está acontecendo no mundo agora, as pessoas acham incrível que o Bad Bunny seja o destaque do intervalo. Eu não esperava por isso.
M&M – Em um exercício de futurismo de longo prazo, o que você espera para o futuro da humanidade? O que tira seu sono à noite?
Amy – A coisa que tira meu sono à noite é a mesma coisa que me deixa muito esperançosa. Não sei como o futuro será, porque o futuro é formado pelas decisões que nós tomamos a cada momento de cada dia. Então, isso significa que nós sempre temos a oportunidade de tomar a melhor decisão possível para o futuro.
M&M – Este ano o SXSW terá mudanças estruturais e de horários. O que você antecipa para o evento?
Amy – Na verdade, eu acredito que será melhor. Quando comecei a ir ao South by, há uns 20 anos, era muito mais espalhado. Você ia a diferentes hotéis para coisas diferentes, e o evento meio que tomava conta da cidade. O que aconteceu ao longo dos anos foi que o Convention Center se tornou o centro do evento e você não ficava tanto na rua, a pé, encontrando pessoas e vendo aleatoriamente alguma música ou algo assim. Este ano, o SXSW dura apenas uma semana e toda a inovação, música, cinema e comédia estão acontecendo ao mesmo tempo, tomando conta da cidade novamente. Vai parecer mais orgânico, você poderá encontrar pessoas e não vai parecer tanto que você está em uma conferência. Vai voltar a ser o que era antes, vai forçar todo mundo a ir para a rua.

