SXSW

Anthropic e OpenAI apresentam cases e debatem questão ambiental

Nos painéis no SXSW, big techs de IA quiseram mostrar como suas soluções são benéficas para negócios e comunidades locais

i 23 de março de 2026 - 20h18

A presença das big techs que lideram a corrida no mercado de inteligência artificial no SXSW não esteve nos grandes ballrooms como em 2023 e 2024, quando o festival promoveu entrevistas com o co-fundador e presidente da OpenAI, Greg Brokman, e o head do ChatGPT, Peter Deng.

Este ano, Google DeepMind esteve em painéis sobre o uso da IA na descoberta científica e na educação, já OpenAI e Anthropic sediaram conversas sobre casos de uso com parceiros e clientes. Não houve espaço para perguntas da plateia nesses painéis.

AI para eficiência operacional e conexão com fãs

A OpenAI apresentou sua parceria com o time de basquete San Antonio Spurs cujo objetivo é impulsionar a transição do time em uma organização que usa a IA para aumento da produtividade organizacional e para se relacionar melhor com os fãs.

OpenAI Spurs

Parceria da OpenAI com Spurs Sports and Entertainment visou trazer eficiência operacional e maior interação com os fãs do time (Crédito: Thaís Monteiro)

Segundo Natalie Cone, head da OpenAI Forum, a implementação se deu em quatro fases. A primeira, de implementação, contou com hackathons para experimentação da tecnologia, módulos de treinamento personalizados e competições para eleger os funcionários que mais aprenderam e se envolveram com a tecnologia.

A segunda fase focou em gerar eficiência operacional. O time passou a mapear horas economizadas pelos colaboradores. A terceira envolveu a criação de fluxos de automação para cobrança de inadimplência com um sistema de voz criado pela IA e geração de leads de vendas para parcerias.

A quarta etapa visa democratizar a experiência dos jogadores para os torcedores. O time criou o Ultra Arrivals, ferramenta que permite que fãs criem vídeos personalizados de si na entrada no túnel onde passam os jogadores antes da partida. A personalização inclui vestuário, número nas camisas e trilha sonora.

A parceria com a OpenAI envolve workshops específicos para líderes de ONGs locais para beneficiar a comunidade da cidade. Em um ano de parceria, o time afirma que o uso de modelos de negócios saltou de 14% para 85%. Conforme Charlie Kurian, diretor de inovação e estratégia do Spurs Sports and Entertainment, os colaboradores puderam focar em atividades menos repetitivas.

Infraestrutura tecnológica para impulsionar negócios

No painel que sediou com a plataforma de IA que permite criação de aplicativos Bolt.new, a Anthropic debateu como a ascensão da IA generativa, sobretudo com seus poderes de desenvolvimento de códigos.

A Anthropic descreve a Bolt.new como seu cliente que mais cresce. A empresa atingiu US$ 40 milhões em Receita Recorrente Anual (ARR) em apenas cinco meses de seu lançamento no início de 2024. Atualmente, ela tem 5 milhões de usuários, sendo metade formada por não-desenvolvedores.

Bolt.new e Anthropic

Em painel sediado pela Anthropic, Eric Simons, CEO da Bolt.new, detalhou crescimento da sua empresa após uso do Claude 3.5 Sonnet (Crédito: Thaís Monteiro)

Eric Simons, CEO da Bolt.new, atribuiu seu crescimento ao uso do modelo Claude 3.5 Sonnet, da Anthropic, para transformar protótipos em aplicações funcionais. Para o executivo, a IA permite a democratização da capacidade de construção de software

A Bolt.new desenvolveu tecnologias capazes de identificar os sistemas de design das empresas clientes para criar produtos que seguem essas diretrizes. A Anthropic também conta com uma plataforma de codificação agêntica denominada Claude Code. Ele começou como uma ferramenta para uso interno dos engenheiros da empresa.

Para Calvin Rueb, head de IA aplicada da Anthropic, aprender codificação é útil para compreensão da lógica por trás de sistemas complexos, mas a sintaxe manual está se tornando opcional. Compreender profundamente as linguagens dos códigos não é mais um pré-requisito de contratação. O critério de seleção envolve depurar agentes ou construir projetos em tempo real usando IA.

Os executivos acreditam que o modelo de precificação por uso ainda é o melhor se comparado a precificação com base no resultado final, que é difícil de estimar.

Os painelistas estimaram que agentes se tornarão ainda mais autônomos ao aprender com as interações dos usuários, rodando por horas e dias de forma coerente e segura. Além disso, os produtos devem sair da fase de experimentação para integrar fluxos de trabalho globais.

Data centers e a questão climática

Um dos painéis com presença da OpenAI abordou os investimentos da big tech na construção de data centers pelo País para sustentar os avanços da tecnologia. Em janeiro, OpenAI, Microsoft, Softbank, Oracle e MGX anunciaram o Projeto Stargate, uma iniciativa de US$ 500 bilhões para construir centros de dados em escala.

OpenAI

Profissionais da OpenAI detalharam planos de expansão de data centers pelos Estados Unidos (Crédito: Thaís Monteiro)

O Texas está no centro dessa expansão, concentrando estruturas em Abilene, Milam e Shackleford. A empresa afirma que recebeu mais de 300 propostas de 30 estados para sediar novos data centers, mas o Texas apresenta uma regulamentação que beneficia o desenvolvimento dessas estruturas.

Conforme  Kaylen Bushell, compute delivery lead da OpenAI, os novos data centers funcionam como grandes plantas de manufatura automatizada nas quais milhares de GPUs trabalham simultaneamente e comunicando-se entre si. Um data center de 1 GW (gigawatts) representa aproximadamente 1% de toda a capacidade de pico da grade elétrica dos EUA.

A preocupação com o uso excessivo de água foi endereçado pelos executivos da OpenAI, que afirmaram que o uso de água por essas estruturas é comparável ao de um pequeno prédio comercial, pois o sistema de resfriamento funciona em circuito fechado ao invés de evaporar. “É uma ideia equivocada. Em algum momento, data centers usavam muita água. Hoje, esse uso é mínimo”, disse Kaylen.

Nos espaços escolhidos para os data centers, a OpenAI disse trazer contrapartidas para a comunidade, como pavimentação de estradas, modernização da rede elétrica, instalação de sistemas de climatização e treinamento de mão de obra qualificada.

Segundo Peter Hoeschele, vice-presidente de estratégia e operações de infraestrutura da OpenAI, há falta de eletricistas para atender a demanda das big techs de IA. “Vemos isso como uma oportunidade de ajudar as comunidades a fazer um investimento massivo em infraestrutura e qualificação”, disse.

Hoeschele acredita que o investimento em infraestrutura e novas fontes de energia pode baixar as tarifas de energia elétrica para os cidadãos locais. A energia nuclear foi citada como uma alternativa necessária para sustentar o avanço desses equipamentos.