CP+B Brasil simplifica marca e passa a se chamar Crispin
Agência do grupo Stagwell anuncia reposicionamento da marca, com uma abordagem inspirada na cultura brasileira
A Crispin Porter + Bogusky (CP+B) no Brasil simplifica sua marca e assume oficialmente o nome Crispin. Com uma nova estética inspirada na brasilidade, a mudança, em linha à operação da América do Norte, vai além da nomenclatura, ao oficializar o apelido pelo qual a agência já era reconhecida no mercado brasileiro.

Para os coCEOs, Vinicius Reis e André Kassu, mudança se alinha ao momento da agência (Crédito: Divulgação)
Em outubro de 2024, a Stagwell decidiu adotar o nome Crispin nas operações da América do Norte. À época, o escritório brasileiro – estruturado, em 2014, pelos sócios Vinicios Reis (CEO), André Kassu (coCCO) e Marcos Medeiros (coCCO) – decidiu não seguir o ajuste norte-americano. “Não fizemos a mudança naquela ocasião, porque entendíamos que não era o nosso momento”, explica Reis.
Agora, conforme o executivo, a decisão combina com o momento de evolução da estratégia de negócio. “Crispin Porter Bogusky continua na alma, no DNA e na cultura da agência. Está no nosso legado e não abriremos mão, mas entendemos que, para nos comunicar com o mercado, é um bom momento de nossa maturidade para estabelecer algo mais simples e fácil de ser reconhecido”, diz.
O rebranding acompanha a estratégia de simplificação da marca globalmente, mas ganha contornos locais. A fim de reforçar a autonomia criativa do escritório, a Crispin buscou referências na cultura brasileira como inspiração para a construção da nova identidade visual. Como tagline, houve a adoção de “Criatividade Coletiva”.
“É uma coisa feliz podermos, dentro de um grupo global, assumir a identidade brasileira nas cores e no jeito. Isso nem sempre é possível e, aqui, nos deram esse aval. Na verdade, quanto mais local você é hoje, mais global se torna. Então, o reforço dessa identidade é importante também em termos de globalização”, defende Kassu.
Crispin com cara de Brasil
A nova identidade é resultado de mais de um ano de conversas internas, com muitas mentes envolvidas e discussões que extrapolaram a parte gráfica. A tagline, inclusive, de acordo com Kassu, foi reflexo da coletividade que percorreu todo o caminho de criação.
“Eu sou fundamentalista do processo terapêutico e não do processo de coaching. Para mim, as coisas demoram. Nesse caso, foi preciso abrir as feridas, discutir os pilares de cultura interna, entender o que estava errado e o que estava funcionando na forma como nos comunicamos”, comenta.
A escolha pelo abraço na brasilidade foi óbvia, utilizando uma série de referências nacionais, das cores vivas da bandeira nacional a elementos genuinamente brasileiros, como o caju. Para traduzir o rebranding, a Crispin lança uma campanha, que explora, de forma bem-humorada, a própria “crise de identidade”, com trilha sonora da Jamute, com inspiração no samba e MPB.
Avanço em negócios
A renovação externa ocorre depois de uma reorganização interna no quadro societário. Em junho de 2025, Marcos Medeiros, o Marcão, saiu da agência e, seis meses depois, anunciou a entrada no segmento de produção, como sócio da Sentimental Filme, para liderar os projetos criativos, gerir e dar suporte ao casting de diretores de cena.
Com a saída, ainda em outubro do ano passado, a operação brasileira passou a ter comando duplo, com Kassu, além da cadeira de CCO, assumindo como coCEO, ao lado de Reis. A nomeação ocorreu em um momento de expansão, com clientes como JBS, Guaraná Antarctica (mídia), 99Pay, 99Food, Cerveja Original, Forno de Minas e M. Dias Branco. O volume de compra de mídia cresceu 27% em 2025.

Nova identidade foi construída com base na cultura brasileira (Crédito: Divulgação)
Diante do tamanho da participação na 99, a agência abriu um núcleo dedicado a atender a mídia do cliente, com o nome de 99MediaStudio. Outro investimento foi a criação da Crispin Brand&Business, frente de negócio consultiva.
Reis afirma que novas unidades de negócio devem ser anunciadas em breve seguindo a mesma premissa das outras duas áreas: se atualizar e buscar soluções alternativas com nível de especialização maior do que o formato integrado. Para ele, o trabalho exclusivo “leva a agência para outro lugar”, por conta das necessidades específicas do cliente.
“Qual é o modelo? Não tem modelo. Decidimos pelo que vai ser, hoje, a melhor estrutura para entregarmos o que precisamos. Não é uma coisa de ‘precisamos nos reinventar porque perdemos relevância’, mas sim ‘vamos nos reinventar justamente porque estamos no nosso melhor momento da nossa história’”, resume.
Os nomes da Crispin
A Crispin está acostumada a mudanças de nomes. Em 2018, por exemplo, retirou o símbolo “+”, escrevendo simplesmente CPB no logo. Antes disso, a marca teve outras varrições, como Crispin & Porter, no final da década de 1980; e Crispin Porter & Bogusky, em meados da década de 1990.