Comunicação

Marcos Medeiros se torna sócio da Sentimental Filme

A partir deste mês, criativo vai liderar os projetos criativos, gerir e dar suporte aos diretores

i 12 de janeiro de 2026 - 6h01

Seis meses após deixar a CP+B Brasil, agência que cofundou ao lado de André Kassu e Vinicius Reis, Marcos Medeiros, o Marcão, ingressa na Sentimental Filme, em um novo modelo de governança da produtora. A partir deste mês, o criativo responderá pelo cargo de chief creative officer, além entrar para o quadro societário do negócio.

Board da Sentimental Filme, com Marcos Medeiros

Sentimental apresenta novo board, com Marcos Araújo (CEO) e Marcos Medeiros (CCO), respectivamente; coCOOs Juliana Bauer e Renata Pimenta; e Sandra Morais, CFO da operação (Crédito: Divulgação)

“Encerrei meu ciclo em agências de propaganda depois de 30 anos. Sempre fui movido por assuntos que me seduziam e cheguei em um momento em que precisava repensar onde eu poderia contribuir mais, ser mais feliz e usar o que mais gosto de fazer: criar e contar histórias”, diz.

Assim, o CCO assume, de imediato, a liderança criativa de todos os projetos, gestão e suporte aos diretores. Radicado em Lisboa há dois anos, também será responsável por olhar para os talentos europeus, com ênfase no mercado português, tarefa que já apresenta os primeiros resultados, com a contratação de Pedro Varela e André Gaspar.

Os diretores lusos se juntam a brasileiros que também acabam de chegar para integrar a Sentimental: Thiago Espeche, Fabiana Serpa e Silvio Medeiros. O novo grupo, por sua vez, se junta a Bruno Chiecco, Felipe Adami, Fred Ouro Preto, Pedro Costa, Rafael Mellin e a dupla Mau e Lu, que já faziam parte do casting.

“Quero ser uma ponte daqui, da Europa, para o Brasil. É uma oportunidade de trazermos um olhar novo de como filmar o nosso País. Não são realidades distantes, porque os portugueses amam e conhecem a nossa cultura”, diz Medeiros ao defender a importância de investir em olhares “não viciados”.

Nova estrutura

Juntamente com a chegada de Medeiros, a Sentimental passa por uma série de mudanças na própria configuração. Marcos Araújo, sócio-fundador e até então diretor executivo, assumirá a cadeira de CEO. Chega também à sociedade Renata Pimenta, que deixa a função de diretora de atendimento e operações para assumir o cargo de cochief operating officer. A executiva cuida de toda a frente relacionada à publicidade, incluindo relacionamento com clientes e agências.

A outra coCOO e sócia, dupla de Renata, é Juliana Bauer, que, anteriormente, respondia somente pelo núcleo de entretenimento, cuidando de toda a parte de conteúdo, com relacionamento de canais e desenvolvimento de projetos de cinema e televisão. A quinta sócia é Sandra Morais, ex-líder da área financeira e que passa a responder como chief financial officer.

Araújo considera o momento como “o mais estratégico dos últimos anos”, fruto de um longo processo de planejamento e de preparação de líderes que compunham a produtora. Para ele, em um mercado de mudanças tão velozes, a longevidade está diretamente relacionada à capacidade constante de reinvenção.

“Um pouco do meu trabalho ao longo desses anos foi promover mudanças, a cada troca de talentos ou alteração de um gestor. Esse pensamento de governança nos ajuda a sobreviver de forma longeva. Aprendi muito com meus pares, no sentido de ver quando estou perdendo força para, assim, conseguir reoxigenar a empresa”, afirma o CEO.

No histórico de prêmios, a Sentimental conquistou duas vezes o Caboré na categoria de Produção, em 2005 e 2017. Entre os cases publicitários recentes importantes, produziu “King em Dobro”, criada pela AlmapBBDO, para Burger King, estrelada pelos lutadores Popó e Wanderlei Silva; e “Chega de mesma coisa. Vai de Subway”, também da Almap, para a rede de fast food, com a personagem Odete Roitman, vilã vivida por Débora Bloch em Vale Tudo, da Globo.

Crescimento

O faturamento atual da produtora, de acordo com Araújo, é ligeiramente equilibrado entre as duas grandes áreas, com a publicidade tendo um peso um pouco maior, correspondendo a 60% da receita e o entretenimento a 40%. O investimento em talentos em ambas as competências, conforme Medeiros, visa aprimorar ainda mais a capacidade criativa.

O CCO explica que a atenção à Portugal é motivada por uma questão central: o fato de o mercado publicitário português ser pequeno e impulsionar a qualidade de criação dos profissionais. “Por causa do desafio do ponto de vista financeiro, o diretor precisa fazer um trabalho extremamente relevante com pouco recurso e isso é a coisa que mais me encanta”.

As limitações acabam tornando o país propício à busca e aprimoramento de novas soluções para os projetos, com destaque à aplicação de inteligência artificial integrada ao live-action para entregar resultados mais sofisticados, formato que avalia como o mais relevante no estágio atual das conversas sobre o uso da tecnologia.

O CEO concorda que o caráter híbrido – de combinação entre inteligência artificial e live-action – é o melhor caminho a ser seguido no momento, o que fez a Sentimental não investir, até agora, em uma área dedicada, diferente de outros players do segmento. “Acho que ainda não é a hora, mesmo que a tecnologia já faça parte do nosso dia a dia. Usamos da capacidade dos talentos para termos uma produtora com artistas que dominam essa técnica e que possam usar as ferramentas na situação certa. O que não aderimos é a IA como redução de custo e prazo”, ressalta.