50 anos da Apple: de quase falência à empresa trilionária
Phil Schiller, fellow e VP sênior de marketing global, relembra relação com Steve Jobs, desafios e triunfos da gigante da tecnologia
A primeira empresa a atingir US$ 1 trilhão em valor de marca é a mesma que, em 1997, viveu uma experiência de quase morte, como seu fundador, Steve Jobs, descreveu.
Em 1997, a Apple enfrentava uma crise, fruto de má execução, desorganização estrutural e a perda de identidade dos produtos em meio à um portfólio extenso. Nos canais de venda, enfrentava discrepâncias globais e a falta de aparelhos e configurações comparáveis pelo consumidor.

David Pogue, jornalista e autor do livro Apple: The First 50 Years, entrevistou Phil Schiller, fellow e vice-presidente sênior de marketing global da companhia (Crédito: Giovana Oréfice)
À época, havia 12 campanhas publicitárias diferentes rodando simultaneamente, muitas vezes conflitando umas com as outras. Simultaneamente, duas equipes internas chegaram a disputar o registro de uma mesma marca no escritório de patentes, agindo como se fossem empresas concorrentes.
A reviravolta foi marcada pela volta de Jobs, demitido da companhia doze anos antes, devido à desentendimentos com o então CEO, John Sculley, e de Phil Schiller, atual fellow e vice-presidente sênior de marketing global, após um hiato de quatro anos.
O plano de reestruturação incluiu um novo board, a consolidação do marketing em torno da campanha Think Different – uma das mais famosas do mundo – e a redução da linha de produtos para focar apenas no que fosse essencial.
Números comprovam o resultado. A gigante da tecnologia comercializa 220 milhões de iPhones por ano e gera US$ 1 milhão em receita a cada 90 segundos. E 2026 é o ano em que completa 50 anos. O jornalista e autor David Pogue acaba de lançar o livro Apple: The First 50 Years, em que relata os percalços e conquistas da empresa mais valiosa do mundo ao longo de cinco décadas.
“Quando Steve assumiu, não foi apenas uma questão de reorganizar o conselho, a estrutura organizacional, que era brilhante, e as linhas de produtos. Era repensar tudo: como precificar globalmente? Como adquirir componentes? Como estruturar as operações? Como gerir recursos humanos? Literalmente, a cada hora de cada dia, estávamos reinventando algum aspecto da Apple”, lembrou Schiller sobre seu retorno à empresa.
Fascinado pelos produtos, ingressou na Apple em meados ainda na década de 80, mas deixou a empresa em 1993. Ele mantinha uma relação de proximidade com Jobs e descreveu o fundador com uma frase dita por Andy Herszfeld (engenheiro de software e um dos principais responsáveis pelo Macintosh): Steve Jobs era todos os adjetivos usados para descrever alguém em uma única pessoa.
A missão pessoal de Jobs envolvia a democratização da tecnologia e a criação de um equipamento que pudesse ser utilizado por todos. “Você pode odiar ou amar a Apple. Não importa. O fato é que Steve nunca tinha tido um grande sucesso”, resgatou Pogue. De fato, a história da companhia foi feita de mais fracassos de que sucessos.
O triunfo da Apple
Um dos produtos que revolucionaram a companhia foi o iPod, que transformou o hábito das pessoas com a música. O sucesso também foi alcançado com o iPad, aparelho alternativo aos computadores que vinham sendo comercializados a preços baixos à época, em parâmetros os quais a Apple não conseguiria manter um bom custo benefício em nome da qualidade do produto.
Mas foi a chegada do iPhone que elevou a marca a um patamar superior, ao focar nos softwares proprietários associados aos aparelhos. À época do lançamento, em 2007, o mercado global era de cerca de mais de bilhão de celulares. Jobs almejava conquistar 1% do mercado no primeiro ano. No terceiro ano, já comercializava 40 milhões de unidades, em um crescimento exponencial.

Ainda é possível escapar dos algoritmos?
“Estamos sempre a serviço de fazer algo melhor, não apenas o que as pessoas esperam. O melhor vem de reimaginar como algo funciona, usando a tecnologia mais recente e tendo uma base de consumidores disposta a embarcar nessa jornada conosco”, explicou o VP. Segundo Schiller, o sucesso também mantém as equipes motivadas a constantemente reinventar os produtos.
Questionado por Pogue sobre como a companhia reage às reações negativas da indústria aos lançamentos – que ocorrem anualmente –, o executivo explicou que é preciso dar o tempo para que os consumidores entendam os produtos os quais a empresa passou anos desenvolvendo.
“Lembrem-se: estamos trabalhando nesses produtos há um, dois ou três anos, então já internalizamos por que os queremos, o que vamos fazer com eles e qual será a importância em nossas vidas. Para qualquer outra pessoa fora da companhia, é a primeira vez que estão ouvindo falar sobre os itens. Eles também precisam passar por esse processo”, defendeu.
