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Diversidade na liderança avança, mas há nuances entre grupos

Estudo do Instituto Locomotiva mostra aumento de mulheres, pessoas negras e PCDs, embora aponte diferenças

i 12 de agosto de 2026 - 14h34

A presença de grupos sub-representados na alta gestão das companhias listadas na B3 avançou em 2026, mas o movimento ainda ocorre de forma desigual entre mulheres, pessoas negras e pessoas com deficiência. É o que mostra a edição deste ano do estudo Lideranças Plurais, produzido pela B3 em parceria com o Instituto Locomotiva.

Segundo o levantamento, 83% das 290 companhias analisadas contam com ao menos uma pessoa de grupo sub-representado em sua diretoria estatutária ou conselho de administração. Em 2025, o percentual era de 77%. A presença é maior nos conselhos de administração, onde chega a 73%, do que nas diretorias estatutárias, com 59%.

Para essa análise, o estudo considera como grupos sub-representados mulheres, pessoas negras (pretas e pardas), indígenas e pessoas com deficiência. A pesquisa é baseada nas informações públicas declaradas pelas companhias em seus Formulários de Referência.

Mulheres seguem à frente

Entre os grupos analisados, as mulheres apresentam a maior presença nos órgãos de administração. Em 2026, 80% das companhias listadas contam com ao menos uma mulher em sua diretoria estatutária ou conselho de administração, ante 75% em 2025.

O avanço, no entanto, não significa uma distribuição equilibrada. Nas diretorias estatutárias, 51% das companhias têm ao menos uma mulher. Em 33% delas há apenas uma mulher no órgão, enquanto 18% contam com duas ou mais. O estudo destaca, assim, que a presença feminina nas diretorias já ultrapassa metade das companhias analisadas, mas permanece concentrada, em maior medida, em uma única integrante.

Nos conselhos de administração, a presença feminina é maior. 70% das companhias têm ao menos uma mulher. Em 36% há uma única integrante e em 34% há duas ou mais. O percentual de empresas com pelo menos uma mulher no conselho passou de 55%, em 2021, para 70%, em 2026, maior patamar da série histórica.

Presença negra avança, mas segue distante

A pesquisa também registra evolução na presença de pessoas negras, especialmente quando consideradas as categorias preta e parda em conjunto. Nas diretorias estatutárias, 34% das companhias contam com ao menos uma pessoa negra. Pessoas brancas, por outro lado, estão presentes em 97% das empresas analisadas.

A série histórica mostra crescimento da presença de pessoas negras nas diretorias estatutárias entre 2023 e 2026. O percentual de companhias com ao menos uma pessoa parda passou de 11% para 23% no período, enquanto a presença de ao menos uma pessoa preta permaneceu em patamar baixo, chegando a 2% em 2026.

Nos conselhos de administração, a série também apresenta evolução. Em 2026, os indicadores de presença de pessoas pardas e pretas atingiram os maiores patamares registrados desde o início da série, em 2023.

Pessoas com deficiência ainda têm presença limitada

Entre os grupos acompanhados, pessoas com deficiência apresentam a menor presença. Apenas 6% das companhias analisadas declararam contar com ao menos uma pessoa com deficiência em seus órgãos de administração em 2026. Nas diretorias estatutárias, o percentual passou de 3%, em 2025, para 4%. Nos conselhos de administração, permaneceu em 3%.

O estudo ressalta que essa série histórica ainda está em formação, visto que o indicador de pessoas com deficiência passou a ser reportado de maneira estruturada pelas companhias apenas em 2025.

Novo parâmetro de diversidade

A edição de 2026 também acrescenta uma nova dimensão à análise: a Medida ASG 1, do Anexo ASG da B3. No modelo “pratique ou explique”, o parâmetro estabelece a presença, entre os membros titulares do conselho de administração ou da diretoria estatutária, de ao menos uma mulher e uma pessoa de outro grupo sub-representado, isto é, pessoas negras, indígenas, com deficiência ou pertencentes à comunidade LGBTQIAPN+.

No recorte das companhias que compõem o IBrX 100, índice com os ativos de maior liquidez e representatividade do mercado acionário brasileiro, 61% atendem aos dois critérios da medida. Entre as 39% que não atendem integralmente, todas apresentaram explicações para a não aderência. Dessas, 32 já contam com uma mulher no conselho ou na diretoria, três têm uma pessoa de outro grupo sub-representado e duas não contam com mulheres nem com integrantes de outros grupos sub-representados nesses órgãos.